quinta-feira, 20 de setembro de 2018

TIC: Fabricante denuncia falta de transparência na venda dos ativos de joint-venture do CPqD


Extraoficialmente, a BRPhotonics já vendeu seus ativos - sem revelar ao mercado para quem e por qual valor - mas, agora, o caso explode no mercado por conta de uma nota oficial, divulgada nesta quarta-feira, 19/09, pela fabricante belga Skylane Optics, interessada em adquirir as instalações industrias das empresa, uma joint-venture entre o CPqD e a norte-americana GigOptix, que fechou as portas em dezembro do ano passado.
 
No comunicado, a Skylane Optics denuncia que, sete meses depois de apresentar uma proposta oficial, não teve nenhuma resposta. momento. “Nós contávamos com esta transação para expandir nossas operações em Campinas, mas como não tivemos nenhum retorno vamos buscar outras instalações”, diz Rudinei Santos Carapinheiro, diretor de novos negócios da Skylane.

O executivo reclama o fato de "as operações da BrP foram descontinuadas e não se sabe o andamento do processo". O Convergência Digital apurou, extraoficialmente, que os equipamentos da BrPhotonics já foram vendidos, mas não há informações oficiais sobre o tema.

A instalação, dentro do CPqD em Campinas, foi montada com capacidade de produzir cerca de 1000 chipsets por mês, dispositivos que integram os transmissores e receptores ópticos das redes de transmissão de 100 Gbps até 1 terabit por segundo (Tbps), em redes de fibra óptica de longa distância ou metropolitanas (metro) e para prover conectividade em cloud computing.

A BRPhotonics, joint-venture entre o CPqD e a norte-americana GigOptix, desmoronou o sonho brasileiro de produção de componentes. A empresa iniciou as operações em 2014, e, de forma melancólica, fechou as portas em dezembro de 2017. Com o fim do projeto, mais de R$ 70 milhões do governo brasileiro foram perdidos. A FINEP, agência de fomento do MCTIC, por exemplo, entrou como acionista e comprou 25% do capital acionário e não há como recuperar os recursos investidos.

A BRPhotonics foi criada para produzir chipsets para dispositivos fotônicos e microeletrônicos para sistemas de comunicações ópticas de alta velocidade e recebeu todo apoio do governo federal. Expectativa era ambiciosa e se falava em alcançar R$ 30 milhões de receita num período de dois anos. Mas nada disso aconteceu. A norte-americana GigOptix foi comprada e desistiu da iniciativa. Sozinha, a BRPhotonics não conseguiu seguir adiante. Nenhuma das entidades envolvidas no negócio, entre elas a FINEP, falou oficialmente sobre o fracasso do negócio.

O Convergência Digital publica a íntegra da nota oficial da Skylane Optics:

"A BrPhotonics (BrP), empresa criada a partir de joint venture entre o CPqD e o grupo norte-americano GigPeak e também sócia da Finep, foi fechada no início deste ano e recebeu propostas fechadas para a aquisição de seus ativos no mês de fevereiro.
A Skylane Optics foi uma das interessadas nas instalações industriais da BrP, principalmente na linha de dispositivos fotônicos integrados, em substrato de polímero e em silício, o receptor em silício, e o laser sintonizável de cavidade externa.
No entanto, embora tenha feito sua proposta de acordo com as instruções da BrP, não obteve nenhuma resposta até o momento. “Nós contávamos com esta transação para expandir nossas operações em Campinas, mas como não tivemos nenhum retorno vamos buscar outras instalações”, diz Rudinei Santos Carapinheiro, diretor de novos negócios da Skylane.
As operações da BrP foram descontinuadas e não se sabe o andamento do processo. Sua capacidade instalada pode produzir cerca de 1000 chipsets por mês, dispositivos que integram os transmissores e receptores ópticos das redes de transmissão de 100 Gbps até 1 terabit por segundo (Tbps), em redes de fibra óptica de longa distância ou metropolitanas (metro) e para prover conectividade em cloud computing.
A BrP recebeu RS$ 70 milhões de investimentos do governo em três anos e oficialmente apenas outros dois países fabricam esse chipset: Cingapura e a Bélgica, país de origem da Skylane Optics."
Fonte: Convergência Digital (19/09/2018) 

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