quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Patrocinadoras: Tanure afirma ter vendido participação na Pharol, uma das acionistas da Oi



Assembleia de acionistas na semana passada sacramentou o que parece ser o fim da influência do investidor brasileiro na Pharol, que possui ações da Oi


Uma assembleia de acionistas realizada na semana passada sacramentou o que parece ser o fim da influência do investidor Nelson Tanure na Pharol, companhia portuguesa que detém 4,94% do capital social da Oi. 
A reunião selou formalmente a destituição de Tanure e de mais dois integrantes ligados a ele do conselho de administração da Pharol. O investidor brasileiro não chegou a ser afetado pela decisão porque já havia renunciado ao cargo em 6 de dezembro do ano passado.  

Por meio de sua assessoria de imprensa, Tanure confirmou a venda integral de sua participação na Pharol, mas não quis comentar as razões que levaram a essa decisão. “Nelson Tanure tornou pública a sua saída do capital da Pharol”, lembra fonte próxima à companhia portuguesa que pediu para não ter seu nome divulgado. “Não me parece - de fato, tenho quase a certeza - que continue a ter qualquer participação. Acho que fechou mesmo esse capítulo”, conclui.   

Uma segunda fonte sustenta que a decisão de Tanure de se desfazer de sua participação na Pharol e, consequentemente, na Oi está relacionada aos resultados financeiros do investimento. “Ele tomou a decisão desde que as ações [ordinárias] da Oi passaram a ser negociadas abaixo do patamar de R$ 1”, conta a fonte, referindo-se ao período iniciado em novembro do ano passado. Nos últimos 12 meses, os papéis ordinários (com direito a voto) da Oi acumulam variação negativa de 38,46%. A saída de Tanure vinha se desenhando desde abril de 2019, quando a BlackHill Holding Limited - veículo financeiro capitaneado por ele - começou a reduzir sua participação na Pharol.  

Entre janeiro e março do ano passado, a BlackHill e mais duas empresas (High Seas e High Bridge) chegaram a deter em conjunto fatia de 19,46% das ações com direito a voto da Pharol. À época, a imprensa portuguesa especulava que as três seriam controladas por Tanure, o que permitiria ao investidor alterar a composição do conselho da Pharol a seu favor.   

Reguladora do mercado de capitais português, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) chegou a investigar quem seria o beneficiário final (ou beneficiários finais) das participações detidas pelos três acionistas da Pharol e terminou por suspender - em 29 de agosto - o exercício do direito de voto tanto da BlackHill quanto da High Seas e High Bridge. A CMVM esclareceu na época que não havia sido possível identificar “os beneficiários efetivos” que controlavam as duas últimas.  

Pelo estatuto da Pharol, o poder de voto de cada um de seus acionistas está limitado a um teto de 10% independentemente da quantidade de ações que possuam.  

Em 5 de dezembro, portanto um dia antes de Tanure renunciar ao cargo de conselheiro da Pharol, a High Bridge “deixou de deter qualquer participação no capital social” da companhia, conforme informado em comunicado ao mercado pelos portugueses. BlackHill e High Seas também desapareceram da lista de principais acionistas da Pharol no ano passado.

Fonte: Valor (14/01/2020)

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