Venda de 12 empresas do Sistema Telebrás por R$ 22 bilhões acabou com o monopólio estatal, mas Estado nunca saiu de vez do setor
Há 28 anos, na manhã de 29 de julho de 1998, o mercado financeiro internacional tinha os olhos voltados para a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Numa sequência de 12 disputas, o governo federal transferiu ao setor privado o controle das empresas formadas a partir da divisão do Sistema Telebrás. A operação arrecadou R$ 22,057 bilhões, com ágio médio de 63,76% sobre os preços mínimos — e foi chamada, na época, de "o leilão do século".
Quem viveu aquele período dentro da Telebrás sabe que a história é mais complicada do que costuma se contada. Vale relembrar alguns pontos resumidos.
O celular já existia antes da venda
Diferente do que muita gente pensa, a telefonia móvel não nasceu com a privatização. O Rio de Janeiro recebeu o primeiro serviço comercial em 1990, Brasília em 1991, e a própria Telebrás estatal vinha investindo pesado: em 1997, o último ano completo antes da venda, a companhia aplicou R$ 7,6 bilhões, recorde histórico, e teve lucro líquido de R$ 3,9 bilhões. O que a privatização fez foi acelerar a escala: de 7,5 milhões de celulares em 1998 para 35 milhões já em 2002.
Como o leilão foi montado
A abertura do setor começou três anos antes, com a Emenda Constitucional nº 8 (1995), que derrubou a exclusividade estatal nas telecomunicações. Vieram depois a Lei Mínima (1996) e a Lei Geral de Telecomunicações (1997), que criou a Anatel. A Telebrás foi dividida em 12 holdings — três de telefonia fixa regional, a Embratel (longa distância) e oito operadoras celulares — vendidas a grupos como Telefónica, Telecom Italia, Portugal Telecom e MCI.
Nem tudo foram flores
O balanço de 28 anos é misto. Do lado positivo: o pré-pago derrubou barreiras de acesso, a concorrência melhorou as redes e o país hoje soma 276,4 milhões de acessos móveis. Do lado que interessa de perto a quem trabalhou no setor: o emprego formal nas empresas privatizadas caiu para 62,2% do nível de 1998 já em 2002, segundo estudo do Ipea. A concorrência prometida nunca se firmou direito na telefonia fixa, e o país perdeu força na indústria nacional de equipamentos — o próprio CPqD, que orientava as compras da Telebrás e ajudava fabricantes brasileiros a ganhar escala, deixou de ter esse papel coordenador.
O Estado nunca saiu de vez
Um ponto que o texto da Gazeta Mercantil destaca bem: o BNDES continuou financiando pesado as novas operadoras logo depois do leilão, e a Telebras foi reativada em 2010 para atender áreas sem interesse comercial. Hoje ela mantém 14.979 pontos de conectividade em escolas, postos de saúde e regiões remotas — prova de que o mercado, sozinho, não chega a todo lugar.
A crise da Oi como aviso
A trajetória da Oi, formada a partir da antiga Tele Norte Leste, mostrou que ter uma grande base de clientes não garante sustentabilidade financeira. O processo de recuperação judicial da empresa, um dos maiores da história brasileira, deixou claro que o serviço de telecomunicações tem interesse público mesmo quando o controle é privado.
A conclusão do artigo original é equilibrada: a privatização não inventou o celular, mas criou as condições para ele virar produto de massa. Ao mesmo tempo, não tirou o Estado da equação — ele segue presente no financiamento, na regulação e na universalização do acesso.
Fonte: Resumo da Gazeta Mercantil (29/07/2026)
Nota da Redação: Este foi apenas um resumo geral da matéria original. Nos próximos dias, vamos detalhar cada fase dessa história em 5 partes: desde a origem estatal das telecomunicações brasileiras, passando pela montagem e execução do leilão de 1998, até os desdobramentos que chegam aos dias de hoje. Além da matéria da Gazeta Mercantil, tão bem escrita por João Souza, vamos incluir postagem interessante sobre as Fundações Sistel, Visão e Atlântico, desde o plano único PBS, até o desmembramento do mesmo.
Fiquem ligados e acompanhem!
Nenhum comentário:
Postar um comentário
"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".