segunda-feira, 5 de outubro de 2026

TIC: Resumo do recém lançado livro "Nasce o CPQD: relatos da geração pioneira" relativo ao Projeto Trópico



Para aqueles que não tiveram oportunidade de ler o livro e querem conhecer o Projeto Trópico

Como o livro Nasce o CPQD: relatos da geração pioneira (Editora Pontes) foi lançado recentemente, a obra completa reúne depoimentos de diversos especialistas e gestores que participaram do desenvolvimento do Trópico.

Abaixo está uma síntese abrangente do Projeto Trópico consolidando a visão geral dos múltiplos capítulos e autores do livro:

1. Origem e a Transição Estratégica (Siscom ao Trópico)

  • O Legado Acadêmico: O ponto de partida do Trópico foi o projeto Siscom (Sistema de Comutação Centralizada), desenvolvido na USP/FDTE a partir de 1976. Embora funcional, o Siscom era um protótipo experimental montado em circuitos wire-wrap, sem arquitetura industrial ou padronização para fabricação em larga escala.

  • O Debate "Evoluir x Revolucionar": Com a criação e transferência das equipes para o CPQD em Campinas, surgiu o debate crucial entre evoluir o Siscom (proposta defendida por correntes influenciadas por modelos internacionais como os de relés/CPA-E) ou criar uma tecnologia totalmente nova.
  • A Decisão Institucional: A liderança técnica e a diretoria do CPQD optaram por um projeto revolucionário, profissional e modular. O nome Trópico foi escolhido em votação interna a partir de uma sugestão do engenheiro Celso Nobre, simbolizando uma tecnologia genuinamente nacional.

2. Inovações Arquiteturais e Conceituais

Os capítulos técnicos do livro destacam a ruptura que o Trópico representou frente às multinacionais da época:

  • Comutação Totalmente Temporal: Eliminação completa dos componentes eletromecânicos e relés, adotando circuitos integrados e sinalização digital PCM.
  • Processamento Distribuído e Descentralizado: Arquitetura sem um processador central único ("cabeção"). O controle era dividido em unidades de processamento autônomas, o que impedia que uma falha em um nó derrubasse toda a central.
  • Conceito de Blocos Modulares: O sistema foi estruturado em Blocos Funcionais (BFs) e Blocos de Implementação (BIs) padronizados, com interfaces bem definidas que permitiam atualizar componentes sem redesenhar toda a central.

3. Metodologia de Desenvolvimento e Transferência Industrial

Um dos pilares abordados por autores envolvidos na gestão de produto e documentação foi a criação da Metodologia Trópico Top-Down:

  • Da Especificação aos Testes: Fluxo rigoroso que partia dos Objetivos e Requisitos (ORs) operacionais até os Testes de Aceitação de Campo junto às operadoras do Sistema Telebrás.
  • Engenharia de Produto e Documentação: Elaboração de manuais e especificações em padrões industriais estritos (hardware, software e empacotamento mecânico). Isso garantia que os "pacotes tecnológicos" pudessem ser transferidos com sucesso para indústrias nacionais parceiras (como Elebra, Promon, PHT, entre outras), criando um parque fabril brasileiro no setor.

4. Evolução da Família Trópico

Os relatos detalham a estratégia de escalabilidade e atendimento contínuo às demandas do país:

  • Trópico C: Concentrador de linhas telefônicas remotos para expansão da rede.
  • Trópico R: Central digital de pequeno porte (até 1.000 assinantes), essencial para interiorizar a telefonia no Brasil e atender localidades rurais.
  • Trópico RA: Evolução de médio/grande porte (dezenas de milhares de assinantes), que consagrou o projeto comercialmente e operou com alto desempenho nas grandes capitais brasileiras.

Impacto e Legado Relatado pelos Pioneiros

Os diversos autores convergem ao apontar que o Projeto Trópico não foi apenas um projeto de engenharia, mas a consolidação de uma escola brasileira de tecnologia de comutação digital. Ele provou a viabilidade de P&D de ponta no país, formou milhares de profissionais e garantiu a autonomia das redes de telecomunicações brasileiras durante as décadas de 1980 e 1990. 

Fonte: Resumo do Gemini (04/10/2026)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".