sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sistel: Bombeiro aponta 'risco elevado' em prédios ocupados no Centro de BH, inclusive no edifício ocupado de 15 andares de propriedade da Sistel


Incêndio em São Paulo liga o alerta para perigos que rondam prédios em situação similar em BH.


Se por um lado o incêndio que derrubou um prédio de 24 andares no Centro de São Paulo ainda desafia as autoridades paulistas, por outro, liga o alerta dos órgãos de segurança e gerenciamento de riscos de Minas Gerais, especialmente em Belo horizonte, onde não apenas edifícios públicos são ocupados.

Aproximadamente 327 famílias que ocuparam três prédios na área central de Belo Horizonte estão no radar do Corpo de Bombeiros devido às instalações que aumentam a chance de problemas, principalmente os incêndios. Mas há também construções privadas que acabaram sendo invadidas e não são alvo de qualquer vistoria. “Todas as ocupações são consideradas de risco elevado devido ao excesso de material combustível dos barracões do interior: madeira, papelão e isopor, principalmente. Aliado a isso, temos instalações elétricas que não foram dimensionadas para o uso atual, o que traz sérios riscos de incêndios”, alerta o integrante da diretoria de atividades técnicas do Corpo de Bombeiros Militar, Frederico Pascoal.


As próprias famílias reconhecem que vivem preocupadas, e se assustaram ainda mais depois do desastre em São Paulo, mas afirmam que adotam medidas de proteção para mitigar possíveis problemas causados pela ocupação de prédios essencialmente comerciais, que não foram preparados para receber botijões de gás, fogões, chuveiros elétricos e que não recebem a devida manutenção. Procurada, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) informou que vistorias rotineiras são uma atribuição do Corpo de Bombeiros.

O desastre de São Paulo preocupa demais as famílias que ocupam os prédios em BH, segundo Ana Cristina da Silva, que mora no prédio que pertence a Fundação Sistel, na atual Ocupação Maria Carolina de Jesus, com os três filhos e é uma das coordenadoras do movimento. Ela e outras 199 famílias invadiram o edifício da Sistel, situado no número 2.300 da Avenida Afonso Pena, no Bairro Funcionários, em 6 de setembro, onde por muito tempo funcionou a Secretaria de Estado de Saúde. “Medo dos riscos de algum acidente a gente tem sim, mas não iríamos ocupar se não tivéssemos a necessidade. Existe uma preocupação grande com a segurança e por isso não permitimos botijões ou fogões nos andares, apenas na cozinha comunitária, que fica no primeiro andar”, afirma.


Insegurança
O prédio é da Fundação Sistel de Seguridade Social, um fundo de pensão de funcionários e ex-funcionários do setor de telefonia. O advogado que representa a Sistel, Gustavo Rugani, diz que desde 8 de setembro, dois dias após a invasão, já existe uma ordem judicial de reintegração de posse, mas que ainda não foi cumprida. “Nossa maior preocupação é justamente evitar tragédia envolvendo as pessoas porque é um prédio comercial, não é residencial. O desvio do uso para o caráter habitacional traz riscos sérios, como a montagem de cozinha com botijão, lavanderia, banheiros com chuveiros. A gente não consegue saber exatamente o que está acontecendo lá dentro, por isso, quanto mais o tempo passa, isso traz uma insegurança maior”, afirma. 

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