sábado, 7 de junho de 2025

Patrocinadora Sistel: Oi, o fim de uma era nas telecomunicações



A Oi, sucessora da Telemar — empresa criada durante a privatização do sistema Telebrás, em 1998 — foi pioneira na introdução do GSM (Global System for Mobile Communications), protagonista no lançamento da banda larga no país com o Velox e, por muitos anos, a maior operadora de telecomunicações do Brasil e uma das maiores da América Latina. Inicialmente, atendia as regiões Norte e Nordeste, com a missão de universalizar a telefonia fixa.

Durante os anos 2000 e 2010, a Telemar lançou a Oi, seu braço de telefonia móvel, além da banda larga Velox e da Oi TV, tornando-se a primeira operadora a oferecer o modelo quadri-play: telefone fixo, internet, celular e TV por assinatura. Em 2008, fundiu-se com a Brasil Telecom (BrT), outra concessionária oriunda da cisão da Telebrás, ampliando sua atuação para as regiões Sul e Centro-Sul, e consolidando-se como a maior operadora do país à época.

Segundo Mattos (2021), a fusão com a Brasil Telecom foi apoiada por diversos políticos e pelo próprio presidente Lula. À época, o governo via na operação a oportunidade de criar uma grande operadora nacional, nos moldes da América Móvil/Claro no México ou da AT&T nos Estados Unidos. O projeto chegou a ser denominado pelo governo como a criação de uma “Supertele” brasileira. Para viabilizar o negócio, foi alterado o Plano Geral de Outorgas (PGO), permitindo que uma concessionária adquirisse outra fora de sua área de concessão.

Pouco depois, a Oi associou-se à Portugal Telecom (PT) com o objetivo de formar uma multinacional luso-brasileira, com atuação também na África. A parceria pretendia fortalecer financeiramente a Oi, que já enfrentava dificuldades após a incorporação da BrT. No entanto, a PT possuía cerca de R$ 3 bilhões em títulos da Rioforte, holding do Banco Espírito Santo, que entrou em colapso em 2014. A Oi nunca recuperou esse montante, o que agravou sua crise financeira. A sociedade com a PT foi parcialmente desfeita, e os problemas se intensificaram.

Além das dificuldades financeiras, a Oi enfrentou a chegada de concorrentes mais ágeis e inovadores, como a GVT e a NET. Essas empresas investiram em tecnologias mais avançadas, oferecendo conexões de internet mais rápidas e estáveis, enquanto a Oi mantinha-se no obsoleto sistema de par metálico (cabo de cobre), como aponta Mattos (2021). A GVT, posteriormente absorvida pela Telefônica/Vivo, já operava com fibra óptica nas residências.

Como concessionária do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC), a Oi era obrigada a cumprir metas de universalização e continuidade, como a instalação de orelhões públicos e telefones em escolas, postos de saúde e aldeias indígenas. O descumprimento dessas obrigações gerava multas aplicadas pela Anatel — que se tornaram uma parcela significativa do passivo da empresa. Já concorrentes como GVT e NET, por serem operadoras autorizadas, não estavam sujeitas a essas exigências e podiam focar diretamente no que o mercado mais demandava: internet e celular.

Em 2016, a Oi entrou com o maior pedido de recuperação judicial já registrado no Brasil por uma empresa privada. A partir daí, iniciou um amplo programa de reestruturação. Em 2020, suas operações foram divididas em quatro unidades: Oi Móvel, InfraCo (Infraestrutura de rede e rede neutra), Oi TV e ClienteCo (Oi Fibra). A InfraCo, mais tarde rebatizada de V.tal, tornou-se responsável por toda a infraestrutura de rede óptica da empresa, operando no modelo de rede neutra. O Banco BTG Pactual e o grupo GlobeNet tornaram-se seus acionistas majoritários, com cerca de 58% de participação.

A Oi Móvel foi vendida em 2020, por meio de um leilão com a participação da Vivo, Claro e TIM. As três empresas dividiram a base de clientes e o espectro de frequência da Oi, que então deixou de operar com telefonia celular. Houve ainda o interesse da SKY em adquirir a Oi TV, mas a negociação foi cancelada pela própria SKY. Em 2025, a Oi TV foi vendida para a empresa Mileto Tecnologia.

Em maio de 2025, a V.tal adquiriu também a unidade ClienteCo, responsável pela carteira de clientes de banda larga residencial e empresarial, a Oi Fibra. Com isso, a empresa passou a se chamar NIO, marcando praticamente o fim da marca Oi, que continuará a atuar apenas por meio da unidade Oi Soluções, focada em conectividade para o segmento corporativo. A marca Oi foi, por mais de duas décadas, sinônimo de inovação, presença nacional e protagonismo no setor de telecomunicações brasileiro.

A história da Oi é marcada por uma combinação de ousadia e fracassos, erros de governança, estratégias mal calculadas e decisões financeiras arriscadas. Seu legado, embora turbulento, deixou marcas profundas na infraestrutura e na universalização das telecomunicações no Brasil.

Fonte: Tribuna da Bahia (06/06/2025)

Nota da Redação:  O mais incrível dessa história toda da Oi é que, mesmo atualmente desintegrada e restando apenas a Oi Soluções, ela segue nos dias de hoje abocanhando gordos superávits mensais da Fundação Sistel, mesmo sem nunca ter contribuído um tostão com o plano PBS-A da Sistel, plano de aposentadoria dos telefônicos do Sistema Telebrás aposentados desde 1998, época da privatização do STB, quando passou a chamar-se Telemar.

Tudo isso aos olhos da autarquia governamental Previc, que tem como única função supervisionar os fundos de pensão tomando-se com base a LC 109/01.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".