Pesquisa encomendada pela Icatu Seguros mostra que preocupação com o futuro já é majoritária, mas planejamento de fato ainda é assunto para poucos
Para 92% dos brasileiros, a aposentadoria paga pelo INSS não vai bastar para manter o padrão de vida depois que pararem de trabalhar. Desse total, 63% disseram que o benefício público não será suficiente e 29% avaliaram que ele cobrirá só parte das necessidades. Apenas 6% acreditam que o INSS dará conta sozinho. Os dados são de uma pesquisa feita pela Icatu Seguros em parceria com a Conversion, agência de dados e comportamento digital.
A preocupação ainda não virou preparo. Somados, 95% dos entrevistados afirmaram não ter recursos suficientes para se aposentar. Do total, 49% ainda não começaram a se preparar ou estão só no começo, e 46% já guardaram algum dinheiro, mas se consideram longe do necessário.
Saber o tamanho da meta para garantir a qualidade de vida na aposentadoria é, em si, um desafio. Só 28% disseram saber com precisão quanto precisarão receber por mês na aposentadoria. A maioria (58%) tem apenas uma ideia aproximada, e 14% não conseguem estimar o valor.
"O brasileiro sabe que precisa se preparar, mas muitas vezes não consegue transformar essa preocupação em uma estratégia financeira estruturada", disse Henrique Diniz, diretor de previdência da Icatu Seguros.
Renda fixa e poupança na frente
Na hora de guardar dinheiro para a velhice, os investimentos de baixo risco, como CDBs e títulos do Tesouro Direto, são a estratégia mais citada, por 61% dos entrevistados. Depois vêm a poupança (40%), os imóveis (34%) e a previdência privada (27%). Outros 8% não têm estratégia definida, e mais 8% contam principalmente com o INSS.
A previdência privada está concentrada nas famílias de renda mais alta. Ninguém na faixa de até R$ 1 mil por mês tem um plano. A fatia sobe para 6,8% entre R$ 1 mil e R$ 2,4 mil, chega a 33,6% entre R$ 7 mil e R$ 12,6 mil e alcança 71% nas famílias que ganham mais de R$ 28 mil.
A renda também pesa no grau de preparo. Entre as famílias que ganham até R$ 1 mil, 64,7% ainda não começaram a se preparar para a aposentadoria. Acima de R$ 28 mil, essa parcela cai para 3,2%.
Renda mensal é a preferência
Quando pensam em como usar o dinheiro guardado, 63% dos entrevistados preferem receber uma renda mensal. Outros 24% querem sacar aos poucos, conforme a necessidade, e só 8% gostariam de receber tudo de uma vez.
A busca por previsibilidade aparece também nos números da própria seguradora. Em 2025, os pedidos para transformar o saldo acumulado em renda bateram recorde na Icatu, com alta de 47% em relação a 2024.
"Durante muito tempo, a previdência foi vista quase exclusivamente pela ótica da acumulação. Hoje, cresce a percepção de que o grande objetivo do planejamento financeiro é transformar patrimônio em renda previsível", afirmou Diniz.
Medo de faltar dinheiro
Das preocupações citadas sobre a aposentadoria, 78% têm a ver com falta de dinheiro. A mais frequente é não ter reserva para uma emergência (30%). Depois vêm o medo de que o dinheiro acabe antes do fim da vida (24%) e o de que a reserva não cubra os gastos do dia a dia (23%). Outros 11% temem tomar decisões erradas por falta de informação.
Ainda assim, poucos procuram orientação profissional. Dos entrevistados, 66% conversam sobre o tema com familiares e amigos, e 58% falam com o cônjuge. Só 18% tratam do assunto com gerente de banco ou assessor financeiro, e 12% não conversam com ninguém.
Mulheres e Geração X
Entre as mulheres, 29% ainda não começaram a se preparar financeiramente para a aposentadoria, mais que o dobro do percentual entre os homens (14%). Elas também guardam mais na poupança (44%, ante 34% deles) e têm menos previdência privada (23%, contra 33%).
Entre as pessoas de 45 a 60 anos, a faixa mais próxima da aposentadoria, 70% disseram ainda não se sentir preparadas financeiramente para parar de trabalhar. Só 5% afirmaram já ter condições de se aposentar.
"O desafio do país não é apenas ampliar o acesso a produtos financeiros, mas tornar o planejamento de longo prazo mais compreensível, acessível e conectado à realidade de cada pessoa", disse Diniz.
A pesquisa foi feita em maio de 2026, pela plataforma online Pollfish, com 500 pessoas conectadas à internet, de 18 anos ou mais, nas cinco regiões do país. A amostra teve 60% de mulheres e 40% de homens, e 77% dos entrevistados vivem em famílias com renda mensal de até R$ 12,6 mil.
Fonte: Valor Investe (08/10/2026)

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