sexta-feira, 15 de maio de 2026

Fundos de pensão agradecem às NTN-Bs pelo retorno conquistado. Evento sobre investimentos das EFPCs teve participação da Sistel

 


NTN-Bs devem passar por re-precificação diante de perspectiva de um ajuste no cenário fiscal, exigindo mudança de estratégia por parte das fundações

O ambiente desafiador e o alto patamar de juros geraram uma onda de investimentos mais conservadores, especialmente por parte das fundações. A alocação, especialmente em títulos públicos, gerou altos retornos, mas executivos veem necessidade de atenção dada a possível mudança de cenário com as eleições.

“Na questão do ativo, o mercado é um mercado líquido, tem seus ativos, suas estruturas, mas vamos bater num ponto muito importante, que são as pessoas envolvidas no processo decisório e como fazer isso”, disse Paulo Cesar Werneck, diretor de Investimentos da Vivest, lembrando que há 260 fundações registradas na Abrapp e que o Brasil evoluiu no quesito governança. 

Segundo o executivo, esse é um dinheiro que não pode passar por “nenhuma aventura”. Afinal, trata-se de parte da contribuição do trabalhador para garantir o seu futuro. 

Para Luciana Gomes, diretora de Investimentos da Sistel, fundação que não tem novos entrantes em seus planos, pontua o perfil mais conservador de seu público, e menciona a “situação confortável” da EFPC, com planos superavitários.

Sucesso das NTN-Bs

“Agradecemos às NTN-Bs, que permitem que nós possamos hoje distribuir esse superávit. Também investimentos muito bem-feitos no mercado acionário”, conta, falando do resultado expressivo também na carteira imobiliária, em shoppings. 

Os executivos citaram a importância da questão atuarial e a longevidade da população e a necessidade de ajuste no passivo para contrabalancear a alocação de risco pertinente. Para Werneck, no quesito alocação, hoje, a “comida precisa ser um pouco mais apimentada” para compensar. 

“Hoje, a coisa é Masterchef. A comida tem que ser um pouco mais apimentada, porque você precisa ter uma distribuição de probabilidade muito mais forte dentro do seu portfólio, para que compense algumas coisas que não vão dar certo”, diz, lembrando que há uma situação econômica distorcida dado o nível de juros reais praticado no Brasil hoje traz um pouco de conforto para esse tipo de gestão de casamento de ALM.  

Os especialistas ainda falaram sobre a questão tecnológica, como utilizá-la a seu favor e ainda as precauções e riscos que isso envolve, ponderando que, embora traga velocidade, dinâmica e transparência, há riscos de fraudes que têm sido vistas no mercado financeiro.

O processo de aprovação e adequação do risco nas alocações também foi um ponto levantado durante o painel, lembrando que “não adianta comprar qualquer coisa para a sua carteira”.

“Acho que a gente vem de um processo de melhoria de governança muito grande nas fundações. Exemplo disso é o caso do Banco Master, que nós, na fundação, não tínhamos nenhum recurso alocado nisso. Diferente de quando eu entrei no mercado, temos mais experiência”, diz a executiva. 

Os executivos contam sobre a necessidade de evidências dos processos de compra e venda de ativos nas EFPCs e afirmam ser um respaldo. Ou seja, a governança não é ruim, “os processos protegem”, avaliam. 

No quesito administração de riscos, a seara de desafios é ampla. Instabilidade geopolítica, as políticas imprevisíveis de Donald Trump, além de um cenário eleitoral conturbado à frente.

A expectativa é sobre a necessidade de reformas fiscais e o impacto no preço dos ativos, exigindo preparação das entidades para “uma alocação mais agressiva”, ainda que num contexto de proteção. Por fim, ainda citaram o incentivo à criação de EFPCs.  

“Não significa subsídio, porque quando ouvimos fomentar é sempre um subsídio, que acaba batendo no fiscal. A questão é que precisamos ter uma consciência e uma adaptação para que esse sistema de previdência, de poupança, que é recente no Brasil, se bem que o curto prazo é longuíssimo prazo, avance”, opina Werneck, apontando a “duration longa” dos fundos e dizendo que as EFPCs são os caras com condições diferentes dos players do mercado de financiar esse crescimento como no segmento de infraestrutura.

Fonte: Capital Aberto (07/05/2026)

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