sábado, 10 de março de 2018

Aposentadoria: Quer qualidade de vida na aposentadoria? Comece a se preparar hoje para ter saúde lá na frente


Hábitos saudáveis como exercícios e alimentação equilibrada são caminho para futuro

A receita não é nova, mas a eficácia é inegável, atestam especialistas: exercícios e alimentação equilibrada garantem mais qualidade de vida e saúde na terceira idade. Na preparação para a aposentadoria, as pessoas devem pensar apenas no planejamento dos aspectos financeiros e profissionais, mas olhar também para a qualidade de vida. E o caminho em todas as áreas é o mesmo: quanto antes se começa, maiores são os frutos da dedicação.

Um envelhecimento ativo é muito mais do que ser ativo por uma dimensão ou outra. É um processo que traz quatro pilares e é preciso investir na acumulação dos quatro capitais (saúde, conhecimento, relacionamentos e financeiro) para envelhecer bem. Quanto mais se acumula na vida adulta, mais se tem capital para gastar no resto da vida — afirma Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-Brasil) e referência no assunto no Brasil e no mundo.

O envelhecimento da população significa que as pessoas terão uma vida mais longa. E que a velhice também vai durar mais tempo. Ele é o criador do conceito de gerontolescência, que é o idoso ativo, independente e produtivo.

No Brasil, a idade média de aposentadoria ainda está abaixo dos 60 anos. Isso significa que a pessoa vai viver mais 30, 40 anos. É super importante investir na saúde — diz Kalache, que já trabalhou como diretor de envelhecimento na Organização Mundial de Saúde.

Metade das razões de atravessar os 60 anos com saúde vem dos hábitos de vida, afirma o médico Frederico Porto, professor convidado da Fundação Dom Cabral, que defende a chamada “medicina integral”, que considera os aspectos físico, mental e social da saúde:

Muitos acham que médicos e remédios podem resolver na velhice, mas isso não é verdade. Metade das razões de se chegar saudável aos 60 anos vem dos hábitos de vida, 20% vêm da genética, 20% vêm do lugar onde se vive, do estresse, e somente 10% são determinados pela tecnologia médica. 

Todos precisam fazer exercícios
Ele sugere que a prática inclua exercícios de força, aeróbicos, alongamento e da chamada propriocepção — capacidade de sentir o posicionamento de nosso corpo no espaço. Mas mesmo que não seja possível atacar por todos os lados, é fundamental começar qualquer prática de exercícios, sem deixar para depois. Assim como na preparação financeira e profissional para a aposentadoria, quanto antes se começa, maiores são os benefícios.

"É preciso achar o exercício que se encaixa na sua vida. Muitas vezes, as pessoas sonham com algo perfeito e procrastinam. Só que o mais importante é começar a se movimentar, nem que seja subir a escada do prédio' — diz Porto.

Sempre é hora de começar
Quanto antes começar, melhor. Mas isso não significa que quem já está na idade madura perdeu a oportunidade. O médico Frederico Porto cita estudos que mostram que pessoas com mais de 60 anos que começaram a levantar peso três vezes por semana tinham, ao fim de seis meses, musculaturas e ossos de dez anos a menos que a média das pessoas da sua idade.

A dona de casa Antonia Timoteo Rodrigues, que completa 76 anos em maio, é um exemplo. Ela só começou a correr aos 61 anos, e hoje acumula mais de 300 medalhas por participações em corridas de até 30 km, algumas no pódio. Antes das corridas, ela fazia natação e caminhava duas vezes por semana. Moradora de Campo Grande, no Rio, ela treina de segunda a sexta-feira no Centro Esportivo Miécimo da Silva e criou recententemente um grupo perto de casa para incentivar outras idosas.

"Comecei correndo devagar ao ver pessoas perto da minha casa. Primeiro, fui trotando por uns 500 metros, fiquei ofegante, mas não desisti. Aos poucos fui melhorando e passei a chegar nos primeiros lugares da minha faixa etária. Minha vida foi transformada. Tenho mais energia e mais qualidade de vida. A corrida me abriu um leque de possibilidades" — conta ela.

Alimentação é parte do esforço
Os cuidados com a alimentação também devem ser parte da preocupação com a qualidade de vida na terceira idade. Dona Antonia diz que os exercícios acabam incentivando uma alimentação mais equilibrada, com muitas frutas e legumes:

— Bebo meus energéticos todo dia pela manhã, com abacaxi, hortelã e inhame.

O médico Frederico Porto lembra que, com o passar dos anos, a digestão fica mais devagar e o organismo passa a absorver menos vitaminas:

— Com isso, é preciso ampliar os esforços para ter uma alimentação mais variada e evitar ficar beliscando muito. A comida deve ter muitas verduras e legumes e ser colorida — diz Porto.

Fonte: O Globo (09/03/2018)

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