terça-feira, 6 de março de 2018

Fundos de Pensão: O que acontece nos fundos de pensão quando não se fiscaliza e há ingerência política na nomeação de conselheiros


Participantes e assistidos da Petros com a faca no pescoço

Essa semana, a maioria dos participantes e assistidos do Plano Petros do Sistema Petrobrás – PPSP – começará a contribuir extraordinariamente com o equacionamento do Plano.

Os participantes ativos contribuirão com 2,63 vezes a mais do que já contribuem ordinariamente e os assistidos 3,31 vezes.
Para termos uma ideia dos valores, os pós-82 (que possuem o teto de contribuição de R$ 16.937,40) que permanecem na ativa terão que fazer frente a valores de quase R$ 3.000,00. Para aposentados, pós-82, esses valores podem ultrapassar em alguns casos a R$ 5.550,00. Para os pré-82, cujo teto é de R$ 26.392,30, os valores podem chegar a mais de R$ 8.300,00. Valores inviáveis para todos nós.

Esses números absurdos de contribuição, segundo a decisão do Conselho Deliberativo da Petros vão ser cobrados por 18 anos, que é uma vez e meia o tempo da “duration” (duração do plano, tempo que o plano levaria para desembolsar metade dos recursos acumulados). São 215 prestações que significam que a grande parte dos participantes e assistidos pagará a mais pelo seu plano até morrer.

Em valores totais, o pré-82 poderá pagar nesse período cerca de R$ 1,700.000,00. Não precisamos falar mais, pois os números falam por si.

Esses números não são nem pequenos e aleatórios. São resultado de anos de descaso da Petrobrás com nosso plano. Em abril de 2015, Paulo Brandão já publicava a matéria “Petros: Economia estagnada, dívidas não quitadas e má gestão por influência político-partidária são as causas do déficit” (veja no link: http://conselhopetros.blogspot.com.br/2015/04/novo-artigo-de-paulo-brandao.html) onde buscava demonstrar com detalhes uma parte importante das origens do déficit técnico estrutural e conjuntural da Fundação que advém do passivo atuarial mal dimensionado.

Têm sido anos de gestão perigosa, não somente dos nossos recursos financeiros, hoje envolvidos inclusive com denúncias de corrupção e má gestão, mas também (e muito) dos cálculos e das cobranças inexistentes das dívidas das patrocinadoras do Plano, além de um descontrole negligente do passivo atuarial.

Esses valores correspondentes ao passivo atuarial chegam na ordem de 60% do total do déficit técnico acumulado no PPSP e não estão sendo devidamente tratados.

A diretoria atual da Petros faz questão de afirmar que tem enfrentado os problemas que encontrou na Fundação e que começa a atingir os primeiros resultados agora.

Na semana passada, vimos a publicação orgulhosa dos resultados conquistados no exercício 2017 pelos seus principais planos. A superação da meta atuarial dos planos tem o mérito de não agravar a situação já tão grave que estamos vivendo. Mas não significa, em nenhuma hipótese, a superação dos problemas existentes.

Temos alertado que os problemas ultrapassam a gestão dos ativos, responsáveis por cerca de 40% do déficit técnico atual. Não agravar esse número é bom, com certeza. Mas não entender que os problemas ainda mais prementes e graves relativos ao passivo atuarial e às dívidas permanecem, pode significar um erro fatal.

Fonte: Ronaldo Tedesco e Blog de Conselheiros Eleitos da Petros (05/03/2018)

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