sábado, 10 de março de 2018

Fundos de Pensão: A questão do equacionamento do déficit na Petros (Petrobrás) e o abismo que está se criando com informações incorretas


Por Sergio Salgado, assistido pré 70 do plano PPSP (BD) da Petros:

"Sugiro àqueles que preferem permanecer desinformados que deletem esta mensagem e continuem a dar ouvidos aos que os mantêm nessa situação.

A omissão em fazer acontecer uma discussão clara, honesta e pública sobre a gravidade do atual momento e daquilo que está por acontecer substituindo essa grave questão por discursos sem sentido pode servir a muitos, mas não a mim.
Melhor mesmo manter-se na inocência – útil ? – servindo de escalada à inconfessável voracidade política e interesseira dos que fingem preocupação pelo nosso PPSP, mas pouco de prático fazem por ele.

Não importa, há muito que um pequeno grupo de idiotas teimosos já apontavam o resultado que estamos colhendo. Esse pequeno grupo é mesmo desagregador, pois não aceita cabresto daqueles que deveriam nos informar corretamente, independente do como ou do tipo da cobrança.

Ainda que doa a todos, difícil ficar calado em hora tão grave. Se não querem raciocinar, problema de cada um, não meu, faço, como sempre fiz, a minha parte. Antes que me desqualifiquem mais outra vez, aviso que não estou preocupado em ser conselheiro ou mesmo diretor da Petros. Sou um pré 70, até o momento isento desse equacionamento, mas já estou me preparando para o pior (também considero que os pré-70 deveriam cobrir a parte que, por direito, lhes cabe no prejuízo causado com os investimentos).

Pessoalmente, ando assustado. Participo de dezenas de grupos nas redes sociais formados com a ameaça do PED (Plano de Equacionamento do Déficit), e com sua posterior aprovação. As redes estão um caos, com as pessoas desesperadas em conseguir suspender o equacionamento, como se ele ou só ele fosse resolver o problema geral do PPSP. Isso não é verdade e certamente vai ter o dia seguinte.

A gravidade do caso é que lideranças IRRESPONSÁVEIS preferem alimentar esse caos, ao se omitirem de esclarecer o que está de fato acontecendo ou por acontecer. Essa ausência provocou o aparecimento de dezenas de salvadores da pátria, mas que desconhecem o básico da questão Petros. Grande parte deles nunca se preocupou ou se inteirou do que é o PPSP (é um horror as dúvidas postadas e alguns dos “esclarecimentos” que ali são dados). Também é mais assustador ainda que outros se esqueçam do que fizeram. Nunca se preocuparam com a nossa fundação e com aquilo que de pior vinha se delineando, apesar das milhares de informações que saíram a partir de pequenos grupos de informação.

Dezenas de ações tentando liminares para suspensão dos valores a serem equacionados (algumas com sucesso – minha opinião?, vitória de Pirro!!!), participantes visivelmente embaralhados/perdidos, alimentando e sendo alimentados por alguns escritórios de advocacia que jogam o total do déficit para a carga do item IX do Artigo 48, um absurdo e completo equívoco. Só vi um advogado, Rogério Derbly, enfiar o dedo na ferida e apontar que isso não é verdade, o que inviabiliza a tese de boa parte de ações desses participantes. Não que outros advogados não conheçam esse problema, a questão é que se calam em horas importantes. A dívida não é somente da patrocinadora, ainda que seja ela a grande responsável por isso tudo, ao passar com trator por cima dos nossos participantes durante todo este tempo. Vejam a posição correta dele na colagem a seguir:

No tocante ao artigo 48 inciso IX do Regulamento, vejo com reservas e preocupação a forma que o referido dispositivo legal está sendo levado ao Poder Judiciário. Lembro que a melhor das formas de se interpretar uma norma não é a literal. Assim convido a todos a terem acesso aos documentos que deram origem ao artigo 48 para que possam ter a sensibilidade de que o mesmo apenas pode ser invocado para os impactos causados pela decisão tomada unilateralmente pela Petróleo Brasileiro S/A de conceder a todos os seus aposentados o mesmo reajuste concedido aos empregados ativos.

A Petros está sem liquidez, com o déficit neste momento atingindo os R$ 32 bilhões. As ações deveriam ser construída, não com o foco principal na suspensão do pagamento adicional do déficit, mas para ir em cima do que fizeram com o nosso patrimônio, seja a não cobrança de algumas dessas dívidas, na minha opinião leiga, facilmente provadas, que são as das ações de níveis mais a do acordo de níveis, totalizando só aí, R$ 10 bilhões, seja recuperar em cima dos investimentos criminosos, alguns deles defendidos irresponsavelmente por dois dos nossos conselheiros eleitos (casos de Itaúsa e da Sete Brasil) em audiência pública no Congresso. Dentro destes investimentos criminosos, a soma, grande parte sem qualquer forma de recuperação, ainda que sendo investigada, tanto interna (vide as 11 CIA´s – Comissões Internas de Apuração, criadas pela gestão Wálter Mendes) como externamente (via operações do MPF), chegam com facilidade a outros R$ 10 bilhões.

Poucas estão dentro dessa perspectiva. O a) do pedido de tutela é sempre a suspensão do PED. A discussão mais importante vai para o mérito. Se a entidade consegue a tutela, vibração geral, não há preocupação com o dia seguinte, ao menos não consigo, na minha santa ignorância, alcançar nas mensagens que leio a preocupação que me aflige.

Entendo ainda que temos também que provar o absurdo dos R$ 8,6 bilhões entre família real e limite dos 90%, bem como o valor informado pelo Tedesco sobre o saldo não pago dos pré-70 (consta do comunicado dele do último 26/2/2018 – valor também de responsabilidade da patrocinadora) e que neste instante está sendo jogado na conta dos pós-70: vão aí outros R$ 3 bilhões.

Informações que recebi de quem tenho grande respeito pela vivência no assunto, apontam que o saldo devedor da Petrobrás com relação aos pré-70 é muito superior a esses R$3 bilhões. Sugere ainda que se se voltar a 2001 e refizerem os cálculos de forma atuarial até agora e considerarem que as perdas que causaram o déficit do PPSP também tem que ser cobertas pela Petrobrás naquilo que concerne aos pré-70, veremos um valor muito superior aos R$3 bilhões citados pelo Tedesco. O valor chegaria ao dobro ou mais.

Ao se considerar que do valor dos R$ 8.6 bilhões agregados entre família real/limite dos 90%, uma parte é sim da responsabilidade do participante. A soma total das chamadas “dívidas” (prefiro defini-las como contas não cobradas mas que se não forem rigorosa e seriamente cobradas, vão virar dívidas incobráveis como as demais de um passado não muito distante), alcança o valor estratosférico dos mais de R$ 15 bilhões. O resto é o resto, não enxergo qualquer possibilidade de buscar dívidas que em outros momentos pouco fizemos para discuti-las.

Porém o que está se assistindo é a história do farinha pouca meu pirão primeiro. Ninguém, ou bem poucos, estão de fato preocupados com o dia seguinte. Com 10 liminares já concedidas (ao menos as que conheço), o volume de pessoas beneficiadas deve ter atingido mais de 60% dos participantes – entre ativos e assistidos. E ainda não temos qualquer resultado em relação à da Ambep que envolve mais de 18.000 participantes. Atentem que se tudo isso for concedido, o resultado para o plano será mesmo assustador.

A Petros não se preocupou com a cassação de nenhuma delas. Por que será? Simplista a explicação que li em um dos grupos sobre a Petros não ter cassado uma delas: porque sabe que vai perder. A Petros contrata a peso de ouro, com o nosso pobre ou rico dinheirinho, escritórios do primeiro escalão (aqui sem qualquer conotação maldosa, daqueles que conseguem audiências com a facilidade com que os nosso certamente não primam) e nada está fazendo em busca de derrubar essas várias liminares: incompetência ou inapetência deles? Não há dúvida vão partir para o equacionamento com a cisão incluída (isso se o plano não estourar antes – ou levar à intervenção por parte da Previc – se espelhem no que está neste momento ocorrendo com o Postalis). O alvo a ser atingido é o plano Aerus.

Há muita gente na zona de conforto, sem querer assumir qualquer ônus por alguma discussão pública mais séria do caminho que nos resta e que está totalmente desconhecido além de certamente cheio de pedras escorregadias.

O Gdpape/Derbly se posicionou, errado ou não, por trazer a repactuação para dentro do campo da discussão. Críticas pesadas e generalizadas a essa posição, mas ninguém está lendo ou fez que não leu o que andou publicando o Tedesco e o próprio Siqueira, que deixam afirmado que isso está sim na mesa de discussão do tal do GT geral (o grupo da FNP/Fenaspe que se reúne antes ou depois do Grupo de Trabalho com a Petrobrás e com a Petros). Pior foi a sugestão do presidente do CF em carta enviada ao Conselho Deliberativo da Petros: ali está aberta a possibilidade para o chamado AOR2 e da pior forma possível, assumindo de antemão que se a Petrobrás reconhecer ao menos R$ 15 bilhões desse déficit, isso pode ser inserido contabilmente na Petros e não será pago após 20 anos, pois estaremos mortos. A intervenção no Postalis se deu por suposta manobra contábil, semelhante, à dessa proposta.

O AOR1 (aquele que a fup acertou com a Petrobrás na bacia das almas, ou 47% do valor que fora peritado) é o grande, senão o maior responsável por esse nosso déficit e por uma simples razão, foi contabilizado somente no balanço da Petros, ou seja, o dinheiro não entrou até agora. Não consigo entender como se mudou o discurso, pois quando esse AOR foi aprovado em 2006 (o dinheiro entrou em outubro de 2008) a menor crítica que se lhe era feita batia exatamente em cima da questão da falta do dinheiro vivo no plano e que ao final dos 20 anos, ou seja em 2028, o pessoal estaria embaixo de 7 palmos de terra. Estamos em 2018, metade desse pessoal, confirmando o enunciado da equação, está mesmo debaixo da terra, portanto, tudo leva a crer que em 2028 será mesmo o CQD dos conselheiros (Como Queríamos Demonstrar, lembram-se da afirmação final dos nossos professores, jogando o giz na lousa finalizando as demonstrações dos teoremas?)

O déficit pelo mínimo (dos R$22,6 bilhões de 31/12/2015, dividiríamos R$16,1 bilhões) vai provocar uma corrida para fechar o déficit que também ocorreu em 2016 (PPSP atingiu R$ 26,7 bilhões, e que vai se agregar ao primeiro déficit após a devida aprovação pelos órgãos responsáveis). Vai também fazer acontecer a formatação de outro equacionamento sobre o déficit de 2017, cuja conta já ultrapassou os R$ 30 bilhões (em novembro batia os R$ 30,19 bilhões). Como foi aprovada a cisão dos planos a partir de 1/4/2018, tudo será fechado com um valor extremamente mais elevado, com a FUP/PCC, eufórica e dando saltinhos antecipando que sobrará para cima dos NÃO REPACTUANTES.

Mas, inocentes úteis, que nunca se importaram com as milhares de denúncias que foram feitas e nunca deram atenção para o abismo que estava sendo cavado à nossa frente e preferem agora escutar a omissão dessa gente que se arvora em definir de que forma os advogados devem entrar com as ações (além de esconder ou não ceder documentação importante que as ações judiciais necessitam), grande parte atingidos pelo equacionamento, não querem pagar e acham que o plano aguenta. A cada liminar que é concedida, a galera que é atingida vibra ao mesmo tempo que envolve em desespero aqueles que ainda não a conseguiram E AS NOSSAS LIDERANÇAS MUDAS OU COM DISCURSOS EVASIVOS OU MELHOR VAZIOS!!!

Em absoluto sou contra qualquer ação judicial que proteja o PPSP, seja ela individual ou coletiva, mas já era tempo (ou o tempo já passou?) para que tivéssemos a humildade de refletir onde tudo isso está nos levando, ao invés de olharmos somente para dentro dos nossos umbigos.

Não posso esquecer de relatar que também vejo dezenas de participantes desesperados pelo resultado que está nos atingindo, mas que estiveram em posição de fazer a diferença dentro da empresa mas preferiram remar com a maré, agora sentem na pele o problema.

É brincadeira, ou um pesadelo?

Por último, se ainda assim quiserem partir para a desqualificação trazendo a questão que neste instante devemos nos dar as mãos independentes de quaisquer posicionamentos, fiquem à vontade, o que não é mais possível é navegar nesse mar de hipocrisia e fingir que está tudo uma maravilha. Não está não!!! Corremos o sério risco de faltar dinheiro, liquidez ao nosso plano!!!

ET – peço perdão se ofendi a alguns com essa chamada, mas certamente não é possível ficar calado, ou aplaudindo a orquestra enquanto o navio vai de encontro ao iceberg."

Fonte: SOS Petros (09/03/2018)

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