sábado, 16 de maio de 2026

TIC: Padtec mira cabo festoon de telecom e segurança nacional em sua volta ao mercado submarino



Empresa vai criar a subsidiária Padtec Marine Networks para atuar em projetos, licenciamento, survey e integração de cabos costeiros Proposta inclui uso de fiber sensing para monitorar áreas estratégicas.

A Padtec está retomando sua atuação no mercado de cabos submarinos por meio da criação da Padtec Marine Networks, braço voltado a serviços ligados à implantação, operação e integração de redes ópticas no leito submarino. A nova frente nasce em um momento em que a empresa vê demanda por projetos costeiros e defende junto ao MCOM a implantação de um cabo festoon ao longo do litoral brasileiro, com dupla finalidade: ampliar a redundância das comunicações e permitir sensoriamento de áreas de interesse para segurança nacional.

Em entrevista ao Tele.Síntese, o CEO da Padtec, Carlos Raimar, afirmou que a empresa quer atuar em etapas como estudos de rota, levantamento do leito submarino, licenciamento, interpretação de survey, integração de sistemas e implantação de landing stations. A companhia não pretende fabricar o cabo submarino, mas vê espaço para participar da montagem e integração de projetos costeiros em águas menos profundas.


Segundo Raimar, a Padtec Marine Networks cuidará da parte de serviços e de atividades que vão além da engenharia puramente de telecom. Ele citou a necessidade de licenças ambientais, autorizações para uso de drones, magnetômetros, embarcações e outros recursos técnicos. “Então, já é uma quase ciência geológica, geológica ambiental”, disse.

Retorno ao submarino

A volta ao segmento ocorre depois de a Padtec já ter participado, no passado, de projetos submarinos. Raimar lembrou que a companhia desenvolveu repetidor com tecnologia nacional, teve estrutura de operação e manutenção e participou da implantação do cabo Júnior, do Google, entre Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo ele, o histórico desse projeto contribuiu para que clientes voltassem a procurar a empresa.

A diferença, agora, é que a companhia volta sem atuar, neste momento, na fabricação de equipamentos da chamada planta molhada, embora o executivo não descarte parcerias futuras. O foco inicial está em serviços.

Cabo festoon: cabotagem digital

O projeto de maior interesse da Padtec é um cabo festoon, ou de cabotagem digital, acompanhando a costa brasileira. Raimar afirmou que a empresa já discutiu a proposta com diferentes interlocutores, incluindo operadores regionais, e avaliou pontos de ancoragem, áreas de risco e soluções para proteção da infraestrutura.

Para a Padtec, o cabo pode cumprir também uma função de monitoramento. “Com a tecnologia de Fibre Sensing, nós podemos oferecer para os governos informações de tudo o que está passando naquela área de proteção”, afirmou Raimar.

O executivo disse que o traçado poderia percorrer a costa brasileira e, em alguns casos, ter mais de um ramal por estado. A extensão final ainda depende de projeto e modelagem. “A Padtec seria um dos construtores desse projeto”, afirmou. O contratante, porém, ainda é indefinido. Raimar avalia que o projeto pode atender interesses governamentais, privados ou uma combinação dos dois.

Segurança nacional e redundância

Além da conectividade, a Padtec vê no cabo festoon uma aplicação para defesa e segurança nacional. A empresa é classificada como Empresa Estratégica de Defesa, o que, segundo Raimar, permite sua participação em encomendas tecnológicas. O uso de fiber sensing poderia identificar eventos no entorno do cabo, monitorar ameaças à infraestrutura e detectar movimentações em áreas estratégicas.

Raimar mencionou a possibilidade de uso de inteligência artificial associada a cabos ópticos para reconhecer assinaturas sonoras de embarcações, a partir de ruídos e características de funcionamento dos motores. A tecnologia também poderia ajudar a detectar sismos, pressões anormais no terreno ou navios parados sobre a rota do cabo.

O cabo festoon também traria redundância para as comunicações nacionais, embora o executivo ressalte que redes em águas rasas têm riscos diferentes dos sistemas em águas profundas. A vantagem, segundo ele, é a possibilidade de mais pontos de parada e de atendimento mais rápido para manutenção na costa brasileira.

Fonte: Tele.Síntese (14/05/2026)

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