Usamos o simulador do site do Tesouro Direto para mostrar, com números, o poder do atual nível de retorno do Tesouro IPCA+
A disparada das taxas dos títulos do Tesouro Direto na última semana fez alguns ativos chegarem ao maior nível de retorno da série histórica. Os prefixados superaram os 14,5% de rentabilidade ao ano, enquanto os indexados à inflação – o famoso IPCA+ – seguem pagando mais de 8% de juro real.
O E-Investidor já abordou em algumas reportagens a raridade da janela atual, assim como os motivos que levaram ao movimento mais recente de abertura na curva de juros.
Mas, para dar uma ideia mais completa de quão alto é esse nível de retorno, fizemos uma simulação utilizando as ferramentas disponíveis no site do Tesouro Direto.
O simulador leva como premissa um IPCA de 5% ao ano, não inclui taxa da instituição financeira – já que boa parte das corretoras mantêm a taxa de corretagem ou custódia zerada para títulos públicos – e parte da premissa que o investimento será levado até o vencimento.
Com o IPCA+ 8%, é possível dobrar o valor investido em seis anos, mesmo descontando os impostos. Um aporte de R$ 1 milhão no Tesouro IPCA+ 2032 gera um resgate de R$ 2 milhões no vencimento.
Para efeito de comparação: o mesmo valor investido no Tesouro Selic, cuja rentabilidade bruta anual está em 10,08% na opção mais longa, se transformaria em R$ 1.512.409,69 líquidos – quase R$ 500 mil a menos.
Na NTN-B mais longa, com vencimento em 25 anos, o capital se multiplica em 14 vezes. Veja:
Quanto rende R$ 1 milhão no Tesouro IPCA+
Rendimento real de 8% ao ano no longo prazo é capaz de multiplicar o patrimônio
Source: Tesouro Direto
Em linhas gerais, a principal mensagem é que o investidor não deve transformar a busca por retornos maiores em uma aposta excessivamente direcional e encher a carteira com o ativo apostando em uma futura queda de juros.
A recomendação, portanto, é construir posições gradualmente, equilibrando a composição da carteira com ativos pós-fixados, para aproveitar o CDI ainda alto, e assim construir uma estratégia alinhada a cada perfil de risco.
Para efeito de comparação, o Tesouro Pré c/ 14,5% aa. também é oferecido ao mercado. Sua taxa de retorno é fixa e definida no momento da compra e permanece a mesma se o título for levado até o vencimento.
A escolha entre o IPCA+ com o Prefixado depende da expectativa para a inflação futura, do horizonte de investimento e da tolerância ao risco do investidor.
Para aqueles que acreditam em uma desaceleração mais consistente da inflação e em uma redução mais forte dos juros, o Prefixado representa uma oportunidade de capturar ganhos adicionais.
Por outro lado, para quem deseja maior previsibilidade em termos reais e menor dependência de cenários econômicos específicos, o IPCA+ tende a ser a alternativa mais equilibrada neste momento.
Fonte: Estadão (15/06/2026)
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