quinta-feira, 16 de abril de 2026

IA: Em breve, seu carro irá ao posto por conta própria para abastecer e ainda pagará a conta



Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo, explicou como isso será possível, no congresso da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços

O comércio feito por agentes de inteligência artificial (IA) está rapidamente se tornando uma realidade. E trazendo oportunidades e desafios para a indústria de meios de pagamentos. O tema foi o principal ponto do debate entre os CEOs das maiores bandeiras de cartões no congresso da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). 

Giancarlo Greco, presidente da Abces e CEO da Elo, deu um exemplo que pode parecer uma realidade distante, mas já está próximo de ocorrer: carros elétricos que vão sozinhos a postos de energia para se abastecer por indução. E pagam pela operação, também sozinhos, usando agentes de IA — softwares autônomos que executam tarefas de gestão financeira sem intervenção manual.

"Os protocolos e o nível de segurança para o comércio agêntico [uma inovação do e-commerce que utiliza agentes de inteligência artificial (IA) para realizar compras em nome de consumidores ou empresas] são muito avançados. Pelos testes que estamos fazendo no Brasil, parece que tudo funciona de forma bastante integrada, mas a velocidade de adoção sempre preocupa. Temos de ver se todos os participantes estão prontos para absorver essa rapidez de adoção", comentou, lembrando que quando surgiram os chips em cartões, por exemplo, alguns pontos da cadeia sofreram com gargalos. 

Greco explicou que, quando a indústria de pagamento se considera pronta para usar uma nova ferramenta em larga escala é porque, realmente, todas as questões de segurança estão sob controle. 

Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard no Brasil, explicou que as bandeiras, como líderes dos arranjos de pagamento, muitas vezes, acabam atuando quase como se fossem um "regulador" do mercado. 

"Muitas vezes temos de estabelecer as regras do arranjo e arbitrar em cima disso. Hoje, temos ferramentas de chargeback, que funcionam muito bem quando há uma contestação de uma compra entre um cliente e uma empresa. Mas como isso vai funcionar com agentes de IA?", comentou. 

Para Rodrigo Cury, presidente da Visa no Brasil, todos os elos da cadeia de pagamento têm buscado utilizar a IA, tanto em busca de eficiência operacional quanto de melhorias comerciais. 

"A gente vê com nossos clientes, bancos, adquirentes, ninguém quer ficar de fora dessa onda. Vai ser um daqueles momentos que dividem a indústria entre antes e depois." 

Ele aponta que algumas pesquisas mostram que 80% dos brasileiros estão dispostos a fazer uma compra através de agentes de IA. Nos Estados Unidos, é metade disso. "Então, nosso nível de adoção é muito grande, mas o nível de exposição potencial também é muito alto. No Brasil, a criatividade para desenvolvimento de sistemas para fraudes, às vezes, é quase mais rápida que nossa capacidade de desenvolvimento de sistemas para prevenção dessas fraudes." 

Ele lembra ainda que, se do lado dos consumidores essa tecnologia já está chegando, do lado dos vendedores uma revolução também já está em andamento. 

"No âmbito B2B, das áreas de compras das empresas, vamos ter agentes de IA negociando dos dois lados. Agente falando com agente, negociando preço, prazo, entrega, talvez com mais eficiência do que a gente faz hoje."

Fonte: Valor (14/04/2026) 

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