quarta-feira, 15 de abril de 2026

INSS: Governo demite presidente do INSS após fila bater 3,1 milhões de pedidos



Gilberto Waller Jr. assumiu o instituto após Operação Sem Desconto; gestão petista fala em 'virar a página' do escândalo

Demissão foi anunciada por ministro da Previdência, Wolney Queiroz; relação dos dois era conturbada

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu demitir o presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Gilberto Waller Júnior. Ele havia assumido o órgão no fim de abril de 2025, após a Operação Sem Desconto, voltada à investigação de fraudes nos descontos associativos de beneficiários.

A troca foi anunciada em nota pelo ministro Wolney Queiroz (Previdência) nesta segunda-feira (13) e ocorre após a fila do INSS bater a marca inédita de 3,1 milhões de pedidos no início deste ano. A redução do estoque de pedidos havia sido uma promessa de Lula em 2022 e voltou a ser uma de suas preocupações em ano eleitoral.

Integrantes do governo manifestam há meses insatisfação com o desempenho de Waller Júnior na gestão da fila e com a falta de diálogo com o ministério, mas havia receio de substituí-lo durante os trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, criada para apurar as fraudes nos descontos associativos.

Com o término da CPMI, no fim de março, a avaliação no Executivo é que chegou o momento de "virar a página" do escândalo, mudar a gestão e concentrar esforços na redução da fila de pedidos. Essa será a principal missão da nova presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira (foto acima), servidora da carreira de analista do seguro social.

Segundo relatos, Waller Júnior foi comunicado da decisão de substituí-lo na manhã desta segunda, pouco antes da divulgação da troca. Ele e o ministro mantiveram uma relação conturbada no tempo em que conviveram em seus respectivos cargos. O agora ex-presidente do INSS havia sido nomeado diretamente pelo Palácio do Planalto no auge do escândalo dos descontos, sem anuência do ministério.

Sua substituta atuava antes como secretária-executiva adjunta do MPS (Ministério da Previdência Social) —ou seja, auxiliar direto de Queiroz. Também já foi presidente do CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social), colegiado que faz a análise administrativa de pedidos de reconsideração relativos aos benefícios.

Aliados do ministro negam que a mudança decorra de influência política do PDT, partido ao qual ele é filiado e que historicamente faz indicações para a área da Previdência.

Segundo a pasta, Silveira "assume a presidência do órgão com a missão estratégica de acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto".

Na nota, o ministro também destacou o fato de Silveira ser "uma servidora com visão sistêmica, que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal", o que, na visão da pasta, "marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados".

Nos bastidores, integrantes do ministério e críticos de Waller Júnior dentro do INSS reclamavam do perfil de Waller Júnior, que é procurador federal de carreira, foi ouvidor-geral da União e atuou como corregedor da PGF (Procuradoria-Geral Federal), ligada à AGU (Advocacia-Geral da União). Seu foco nas apuração de eventuais irregularidades e a postura centralizadora geravam incômodo entre os que defendiam maior dedicação às ações de redução da fila.

Como mostrou a Folha, a briga entre os comandos do Ministério da Previdência Social e do INSS era considerada um entrave à adoção de melhorias na gestão da fila. Um experiente técnico, que já atuou em diferentes governos, relatou na época da reportagem haver dificuldades de diálogo entre os dois órgãos, que respingavam até mesmo em questões burocráticas, como liberação de senhas a servidores do ministério para acessar dados do INSS.

Fonte: Folha de SP (13/04/2026)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".