segunda-feira, 27 de abril de 2026

TIC: CPQD alcança 200 km em teste quântico por fibra óptica, enquanto Deutsch Telecom chega a 300 km no teletransporte quantico



Experimento foi realizado em Campinas, em ambiente de testes voltado à validação de tecnologias de segurança cibernética no domínio quântico

O CPQD informou ter alcançado 200 quilômetros na transmissão de informações quânticas codificadas em fótons por um enlace de fibra óptica. O experimento foi realizado nos laboratórios da instituição, em Campinas, no âmbito do projeto Segurança Cibernética no Domínio Quântico.


O teste utilizou um novo ambiente operacional de experimentação, ou testbed, instalado pela equipe do projeto. A iniciativa é conduzida no âmbito do PPI Softex, sob coordenação da Softex e com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O dado central do anúncio é a distância atingida no enlace óptico usado no experimento. 

De acordo com o CPQD, o projeto começou no ano passado e busca validar tecnologias de comunicação e proteção de dados voltadas a um cenário de avanço da computação quântica.

Testbed reúne tecnologias de segurança quântica e pós-quântica

O ambiente de testes instalado pelo CPQD é aberto à comunidade acadêmica e a empresas parceiras interessadas em testar e validar soluções na área. Esse testbed foi concebido para permitir a integração de tecnologias como distribuição quântica de chaves, ou QKD, geração quântica de números aleatórios, ou QRNG, e algoritmos de criptografia pós-quântica, conhecidos como PQC.

O CPQD cita como possíveis cenários de aplicação redes de comunicação, sistemas de internet das coisas e redes blockchain.

Projeto mira desafios da era pós-quântica

O objetivo do projeto é preparar o país para desafios de segurança cibernética associados à chamada era pós-quântica. O CPQD afirma que algoritmos quânticos poderão representar ameaça a sistemas criptográficos hoje usados para proteger informações sensíveis.

O projeto Segurança Cibernética no Domínio Quântico tem duração prevista de 30 meses e conta com recursos da Lei de Informática (Lei nº 8.248/1991).

Alemanha surpreende ao demonstrar teletransporte quântico em 30 km de fibra óptica comercial

A Deutsche Telekom, em parceria com a Qunnect, demonstrou teletransporte quântico em 30 quilômetros de fibra óptica comercial na rede metropolitana de Berlim, realizando o experimento fora de ambiente controlado e mantendo simultaneamente o tráfego convencional de dados ativos na infraestrutura.

Durante o ensaio conduzido em janeiro de 2026, o sistema atingiu fidelidade média de 90% na transferência da informação quântica, conforme divulgado pela operadora alemã, com picos momentâneos que chegaram a 95% em determinadas condições operacionais da rede.

Teletransporte quântico em rede urbana ativa


Embora o termo sugira deslocamento físico, o teletransporte quântico não envolve mover partículas ou objetos, mas sim reconstruir no destino o estado quântico original por meio de emaranhamento previamente compartilhado entre os pontos conectados pela infraestrutura.

Nesse contexto, o experimento evidenciou que esse processo pode ocorrer em redes reais de telecomunicações, onde fatores como ruído, vibração, mudanças de temperatura e interferências ópticas normalmente representam desafios críticos para a integridade de estados quânticos.

Conectando o laboratório T-Labs, braço de pesquisa da Deutsche Telekom, a um nó da malha experimental em Berlim, a demonstração utilizou a plataforma Carina, da Qunnect, baseada em hardware comercial voltado à distribuição de emaranhamento em ambientes operacionais.

Infraestrutura existente como base da internet quântica

Um dos pontos centrais do avanço está na utilização de fibras ópticas já instaladas, dispensando a necessidade de construir uma rede totalmente nova, o que pode acelerar significativamente a viabilidade prática da chamada internet quântica em escala urbana.

Ao mesmo tempo, a coexistência entre sinais clássicos e quânticos na mesma rede reforça a complexidade do teste, já que essa interação tende a degradar qubits e reduzir a qualidade da transmissão quando não há mecanismos adequados de controle.

De acordo com a Deutsche Telekom, trata-se de um dos primeiros testes práticos que integram componentes essenciais do teletransporte quântico em um ambiente operacional controlado por uma operadora, aproximando a tecnologia de aplicações reais no setor de telecomunicações.

Fótons emaranhados e estabilidade da transmissão

Para viabilizar o experimento, a plataforma da Qunnect gerou pares de fótons emaranhados e aplicou sistemas de compensação de polarização capazes de neutralizar interferências causadas por trechos subterrâneos, cabos aéreos e variações ambientais típicas de redes urbanas complexas.

Além disso, o processo utilizou comprimento de onda de 795 nanômetros, considerado estratégico para integração com diferentes tecnologias emergentes, incluindo computadores quânticos de átomos neutros, relógios atômicos e sensores de alta precisão.

Com isso, a demonstração amplia o escopo do teletransporte quântico, indicando que a infraestrutura de telecomunicações pode funcionar como camada de conexão entre dispositivos quânticos distintos, indo além da simples transmissão de dados em redes futuras.

Aplicações práticas e próximos testes

Segundo a Deutsche Telekom, redes quânticas baseadas nesse tipo de arquitetura poderão sustentar criptografia avançada, computação distribuída, serviços de nuvem mais seguros e sistemas de sensores conectados a longas distâncias com alta precisão.

Ainda assim, o cenário atual não indica disponibilidade comercial imediata, já que os próximos passos envolvem ampliar distâncias, integrar múltiplos nós e validar a estabilidade da transmissão em redes mais complexas e escaláveis.

Também há implicações estratégicas, especialmente no contexto europeu, onde o desenvolvimento de infraestrutura quântica própria é visto como fator relevante para reduzir dependências tecnológicas externas em áreas críticas como segurança e comunicação.

Esse avanço dá continuidade a testes anteriores de distribuição de emaranhamento em fibras metropolitanas, mas se diferencia ao inserir o teletransporte quântico diretamente em racks operacionais, sob gestão de uma operadora, aproximando teoria e prática em um mesmo ambiente funcional. 

Fonte: Tele.Síntese e Click Pertoleo e Gás (24/04/2026)

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