quarta-feira, 22 de abril de 2026

TIC: Crise da Oi se agrava a cada dia, com dívida somando R$ 42 bilhões; derretendo e próximo a nova falência



Mais recente relatório da gestão judicial da Oi indica agravamento da crise financeira, com patrimônio líquido negativo de R$ 21,9 bilhões, liquidez de 0,41 e queda de receita

A gestão judicial da Oi afirmou à 7ª Vara Empresarial do TJ-RJ que a companhia segue em “grave crise econômico-financeira”, com deterioração dos indicadores operacionais e patrimoniais mesmo após medidas de venda de ativos, revisão de contratos, liberação de recursos e redução de passivos.

O relatório, ao qual o Tele.Síntese teve acesso, informa que o patrimônio líquido do grupo ficou negativo em R$ 21,9 bilhões em fevereiro de 2026 e que a liquidez corrente recuou para 0,41, o que significa que a empresa tinha R$ 0,41 em ativos de curto prazo para cada R$ 1,00 de obrigação circulante.

O documento não sustenta uma nova recomendação de falência. O que a gestão judicial defende é a manutenção da suspensão das obrigações extraconcursais, da liquidação ordenada de ativos e do modelo atual de condução para evitar “instantâneo colapso das operações” e inviabilização dos serviços públicos essenciais remanescentes.

Receita em queda e operação ainda deficitária

Pela demonstração de resultados, a receita líquida da Oi caiu de R$ 121,9 milhões em outubro de 2025 para R$ 85,6 milhões em fevereiro de 2026, retração de 29,8% no quadrimestre analisado. O relatório associa esse movimento à perda de base de clientes, à desconfiança do mercado em relação à solvência da companhia, ao alto grau de litigiosidade com fornecedores estratégicos e à incapacidade momentânea de lançar novos produtos ou campanhas comerciais para ampliar o portfólio .

O resultado bruto permaneceu negativo em todos os meses considerados, com margem bruta de -92% em outubro, -56% em novembro, -70% em dezembro, -62% em janeiro e -64% em fevereiro. Já o EBIT também seguiu negativo, chegando a -158% em outubro, -3.821% em dezembro e -110% em janeiro. Dezembro foi impactado pelo impairment da V.tal e pela decretação de falência da Serede refletida em equivalência patrimonial.

Estrutura patrimonial segue pressionada

No balanço patrimonial, o ativo total caiu de R$ 18,3 bilhões em outubro de 2025 para R$ 14,1 bilhões em fevereiro de 2026, enquanto o patrimônio líquido negativo passou de R$ 17,1 bilhões para R$ 21,9 bilhões no mesmo intervalo. O passivo total, considerado com a novação prevista nos planos de recuperação, levou o indicador de endividamento de 193% para 256% do ativo total.

O relatório estima endividamento total superior a R$ 42 bilhões, distribuído em aproximadamente R$ 8,1 bilhões com vencimento até dezembro de 2027, R$ 5,7 bilhões entre janeiro e dezembro de 2028 e R$ 28,2 bilhões entre 2029 e 2052 .

Caixa disponível encolhe

A gestão judicial informa que, em 14 de abril de 2026, o caixa livre das recuperandas somava R$ 85,4 milhões, com projeção de fechamento de abril em R$ 80,5 milhões. Ainda assim, a projeção para os seis meses seguintes indica redução do caixa disponível de R$ 80,58 milhões em abril para R$ 29,05 milhões em setembro de 2026, em cenário que não considera o ingresso das receitas de venda da UPI V.tal nem da UPI Serviços Telefônicos, por dependerem de diligências externas e de órgãos regulatórios e de controle .

O documento lembra que a liberação de R$ 517,4 milhões antes depositados em conta vinculada à Anatel reforçou o caixa no fim de 2025, mas observa que esses recursos já foram em grande parte consumidos no pagamento de credores concursais e extraconcursais e na manutenção dos serviços essenciais.

Fonte: Tele.Síntese (20/04/2026)

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