quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Fundos de Pensão: Superávit de todas EFPCs recua de R$ 24 bi para R$ 18 bi no semestre

 


As Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) encerraram o primeiro semestre de 2026 com superávit líquido de R$ 18,44 bilhões, abaixo dos R$ 24,05 bilhões registrados em março mas superior aos R$ 17,69 bilhões de dezembro de 2025. Os dados constam do Relatório Gerencial de Previdência Complementar (RGPC), divulgado nesta segunda-feira (19/10) pelo Ministério da Previdência Social. 

O resultado corresponde à diferença entre o superávit de R$ 42,15 bilhões acumulado por 485 planos e o déficit de R$ 23,71 bilhões registrado por outros 215 planos. Em março, o superávit era de R$ 46,18 bilhões, distribuído entre 497 planos, enquanto 198 planos acumulavam déficit de R$ 22,13 bilhões. 

Os planos de Benefício Definido (BD) sustentaram a maior parte do saldo positivo, com superávit líquido de R$ 15,45 bilhões, abaixo dos R$ 21,06 bilhões registrados em março. Os planos de Contribuição Variável (CV) também fecharam no azul, com aproximadamente R$ 3,73 bilhões, enquanto os de Contribuição Definida (CD) apresentaram déficit de R$ 736,6 milhões. 

Apesar da redução em relação ao trimestre anterior, o resultado representa uma recuperação expressiva na comparação de 12 meses. Em junho de 2025, o conjunto de planos apresentava déficit líquido de R$ 6,74 bilhões. O relatório atribui a melhora ao desempenho da bolsa brasileira, com o Ibovespa acumulando valorização de 6,76% no segundo trimestre de 2026, e dos títulos públicos de longo prazo indexados à inflação. 

Patrimônio – O patrimônio da previdência complementar aberta e fechada chegou a R$ 3,43 trilhões em junho, o equivalente a 26% do PIB brasileiro, ante R$ 3,35 trilhões em março. Desse total, aproximadamente 43% estavam no segmento fechado e 57% no aberto. 

Nas EFPC, o patrimônio alcançou R$ 1,46 trilhão, ante R$ 1,44 trilhão em março, com crescimento de 7,4% na comparação com junho de 2025. Os planos BD concentravam 54% dos recursos, os CV 30%, e os CD 16%. Na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, o patrimônio dos planos CD cresceu aproximadamente 15%, enquanto o dos planos CV avançou 10%. 

O segmento aberto somava R$ 1,97 trilhão em junho, ante R$ 1,91 trilhão em março. Os VGBL respondiam por 80% desse patrimônio, os PGBL por 16%, e os planos tradicionais por 4%. Os planos individuais concentravam 92% dos recursos, enquanto os coletivos respondiam por 8%. 

O relatório também destaca a diferença de concentração entre os dois mercados: as dez maiores entidades fechadas reuniam 57% do patrimônio do segmento, enquanto as dez maiores instituições do segmento aberto respondiam por 97%. 

Investimentos – Os investimentos da previdência complementar aberta e fechada totalizavam R$ 3,35 trilhões em junho, ante R$ 3,27 trilhões em março. Nas EFPC, o montante chegou a R$ 1,38 trilhão, frente a R$ 1,36 trilhão em março, sendo que aproximadamente R$ 980 bilhões estavam aplicados em títulos públicos federais. 

Esses papéis representavam cerca de 71% da carteira do segmento fechado. Os demais ativos de renda fixa respondiam por 15,2%, a renda variável por 7,3%, os imóveis por 2,2%, e os outros investimentos por aproximadamente 4,3%. Nesse último grupo, o relatório identifica R$ 29 bilhões em operações com participantes e R$ 27,1 bilhões em cotas de fundos. 

No segmento aberto, os investimentos somavam R$ 1,97 trilhão, sendo R$ 1,27 trilhão em títulos públicos federais, equivalentes a 64% da carteira. Outros ativos de renda fixa representavam 30,4%, enquanto a renda variável respondia por 4% e os demais investimentos, por 1,6%. 

A composição dos títulos públicos evidencia diferenças entre os segmentos. Nas EFPC, aproximadamente 54,8% desses papéis tinham vencimento superior a cinco anos e 76,2% eram indexados à inflação. No segmento aberto, cerca de 81% venciam em até cinco anos e 70,5% estavam atrelados à Selic, refletindo uma carteira de prazo mais curto. 

Rentabilidade – A rentabilidade nominal estimada das EFPC foi de 5,5% no primeiro semestre, abaixo do CDI de 6,8% e do IMA-B 5 de 6,5%. Os planos BD tiveram retorno de 4,2%, os CD de 7,2%, e os CV de 6,7%. 

O desempenho acumulado no semestre ficou abaixo dos 7,7% registrados no primeiro trimestre. Naquele período, os planos BD haviam rendido 8,7%, os CD 6,8%, e os CV 6,6%. 

Planos e entidades – O segmento fechado encerrou o primeiro semestre de 2026 com 264 entidades e 1.130 planos de benefícios, números inalterados em relação a dezembro de 2025. Do total de planos, 518 eram de Contribuição Definida (CD), 323 de Contribuição Variável (CV) e 289 de Benefício Definido (BD). 

Entre as 264 entidades, 167 eram de patrocínio privado, 32 de patrocínio público federal, 32 de patrocínio público estadual e 14 de patrocínio público municipal, além de 19 instituídas por associações e outras organizações. 

O sistema reunia 3.999 patrocinadores e 409 instituidores, também sem alteração em relação a dezembro. Na comparação com 2017, o número de entidades caiu de 306 para 264, enquanto o de planos aumentou de 1.107 para 1.130 e o de patrocinadores passou de 2.699 para 3.999. 

Custeio administrativo – A taxa média estimada de administração das EFPC recuou de 0,28% ao ano em março para 0,27% em junho, permanecendo abaixo da média de 1,2% do segmento aberto. Por modalidade, a taxa era de 0,22% nos planos BD, de 0,29% nos CV e de 0,38% nos CD. 

O relatório reforça a importância da escala para diluir os custos administrativos. Na faixa de até mil participantes, a taxa média de administração alcançava aproximadamente 0,9% ao ano, enquanto na faixa acima de 100 mil participantes ficava em cerca de 0,2%. Nas faixas intermediárias, as taxas eram de 0,4% para entidades com mil a 10 mil participantes e de 0,3% para aquelas com 10 mil a 100 mil participantes. 

A taxa média estimada de carregamento das EFPC, calculada sobre a soma das contribuições e dos benefícios, era de 2,8%. Por modalidade, alcançava 2% nos planos BD, 3,8% nos CD e 4% nos CV. 

Também nesse indicador a escala exerce influência significativa. Nas entidades com até mil participantes, a taxa média de carregamento chegava a 9,7%, enquanto naquelas com mais de 100 mil participantes era de 2%. 

Fonte: Invest. Institucional (19/10/2026)

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