É a terceira vez consecutiva que o contingente de divórcios (440.787) bate recorde, segundo o IBGE.
Idade média de divórcios no país, em 2023, ficou em 41,4 anos entre mulheres; e em 44,3 anos entre homens
O brasileiro continua se divorciando mais do que casando, como mostram os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): avanço de 4,9% nos divórcios em 2023 na comparação com 2022. É a terceira vez consecutiva que o contingente de divórcios (440.787) bate recorde, sendo que 81,8% do total foram divórcios judiciais por envolver a guarda dos filhos ou a pensão alimentícia, ou haver divergências sobre a partilha de bens. Em muitos casos, é só nesses momentos de ruptura que muitas mulheres descobrem a real extensão do patrimônio do casal e se surpreendem ao descobrir que não têm acesso a determinados recursos.
“Muitas mulheres casadas no regime de comunhão de bens, cujo patrimônio do casal foi construído enquanto ela se dedicava ao trabalho de cuidado dos filhos e da família, se deparam com um patrimônio considerável no divórcio que sequer sabiam que existiam. Há também os casos em que o patrimônio está dividido em diferentes contas, que elas desconheciam e que com a dissolução do casamento agora precisam ser geridas”, comenta Silvia Felipe Marzagão, sócia do escritório Silvia Felipe Marzagão e Eleonora Mattos Advogadas.
Esse "desconhecimento" do patrimônio se explica pelas desigualdades sociais de gênero e renda. Em um país formado por uma base de pessoas que, na maior parte das vezes, nem recebeu bens dos pais, o planejamento patrimonial não se apresentava como uma questão urgente.
“Apesar de os casais estarem conversando mais sobre dinheiro e haver uma crescente preocupação com esse planejamento patrimonial, que não existia antes, o mais comum até cerca de 15, 20 anos atrás era as pessoas descobrirem qual seria o regime de bens, e as consequências dele durante a vida e no pós-morte, na hora de assinar um documento no cartório”, comenta.
Separados no papel, juntos “financeiramente”
Presidenta da Comissão Especial da Advocacia de Família e Sucessões da OAB/SP e atuando há quase 20 anos em planejamento sucessório e patrimonial, além de mediação, arbitragem e divórcios litigiosos ou consensuais, Marzagão nota ainda que não são raros os episódios de divórcio em que as mulheres são coagidas a permanecerem com a vida financeira em conjunto.
“Essa continuidade do casamento patrimonial e essa dependência financeira não funciona de jeito nenhum. Cabe ao advogado instruir qual é a melhor forma de se fazer a partilha em que haja, realmente, uma dissociação das vidas financeiras”, alerta.
Segundo o IBGE, a idade média que as pessoas se divorciam no país, em 2023, ficou em 41,4 anos entre mulheres; e em 44,3 anos entre homens. Marzagão nota um movimento importante, mas ainda pequeno, de mulheres que, após o divórcio, buscam consultoria jurídica antes de se relacionarem novamente.
“Nem sempre são relacionamentos com objetivo de constituição de família. Por isso, essas mulheres que já têm um patrimônio consolidado buscam deixar as imposições financeiras mais claras. Mas ainda é um número muito pequeno de pessoas que se preocupam com a parte patrimonial. E a gestão desse patrimônio pode virar um conflito especialmente em contextos de famílias reconstituídas, com filhos, novos parceiros e pais vivos, caso essa mulher passe por alguma incapacidade absoluta ou relativa, ou em caso de morte”.
A pesquisa do IBGE comprovou ainda a continuidade de preferência por divórcio com comunhão parcial de bens, no processo de desquite, pelos brasileiros. Essa categoria constava em 90,4% dos 440.787 divórcios em 2023, quando analisados por regime de bens, ante 86,1% em 2013.
O Instituto informou também que mais da metade dos divórcios (53,3%) em 2023 ocorreu entre casais com filhos menores de idade.
Fonte: Valor Investe (28/05/2025)
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