sexta-feira, 16 de maio de 2025

TIC: Ritmo de crescimento dos investimentos em telecomunicações tende a arrefecer nos próximos anos



Estudo da PwC projeta taxa de crescimento de 2,9% do faturamento do setor até 2028

O avanço na digitalização de produtos e serviços não vai se traduzir num aumento expressivo de faturamento no setor de telecomunicações ao longo dos próximos anos. A indústria global de telecomunicações enfrenta uma perspectiva de evolução lenta da sua receita em meio a um cenário marcado pelo aumento de custos, o acirramento da concorrência e a expansão moderada no número de assinantes, indica um estudo da PwC. A consultoria projeta uma taxa composta de crescimento anual (CAGR, na sigla em inglês) de 2,9% até 2028 para o faturamento do setor.

Calculada antes das “ondas de choque” produzidas pelas tarifas anunciadas pelo presidente americano, Donald Trump, a taxa composta aponta para uma desaceleração do setor. Em 2023, o aumento da receita total do setor com serviços fixos e móveis foi de 4,3%, atingindo o patamar de US$ 1,1 trilhão. A perspectiva para os dados consolidados de 2024 é que esse crescimento desacelere para 3,3%. Para este ano, o percentual estimado é de 3,2%.

A desaceleração, porém, mascara grandes variações na CAGR entre diferentes serviços e países pesquisados. O estudo “Global Telecom Outlook”, da PwC, analisou 53 mercados (entre países e territórios).

Para o período de 2023 a 2028, a receita de banda larga deve subir a uma taxa composta de crescimento anual de 3,8%, enquanto o faturamento com assinaturas de telefonia móvel tende a aumentar 4,3% ao ano.

Na análise por país, as receitas de serviços de telecomunicações tendem a se expandir num ritmo mais acelerado na Índia, na Nigéria, no Egito e no Quênia, enquanto mercados maduros como Japão e Suíça apresentam CAGRs negativos.

Aposta das operadoras para diversificar (e ampliar) suas receitas de serviços, o 5G ainda atrai usuários num ritmo lento, mas deve chegar a 2028 com 7,51 bilhões de assinantes no mundo. No fim do ano passado, havia 2,3 bilhões de assinantes de serviços de quinta geração, segundo relatório publicado pela sueca Ericsson.

Apesar da adesão lenta ao 5G, a tecnologia de quinta geração deve se tornar o padrão móvel dominante a partir de 2026, projeta a PwC. Em 2028, o 5G deverá responder por 64,1% do total global de assinaturas móveis, mais do que triplicando o percentual registrado em 2023 (18,8%).

Paralelamente, a demanda por infraestrutura de redes fixas (e computação) vai continuar a crescer, alavancada pelo uso crescente da inteligência artificial.

Nos últimos anos, o apetite do capital está migrando para a conectividade fixa — a fibra óptica. Para 2025, a estimativa da PwC é de uma expansão de 3,3% no volume de investimentos em infraestrutura voltada para a prestação de serviços fixos. Já os recursos investidos em redes móveis devem aumentar 1,6%.

Essa lógica tende a se inverter em 2027, quando o ritmo de expansão dos investimentos em serviços móveis (2,7%) deve superar o dos serviços fixos (1,9%), pelos cálculos da PwC. A expectativa de uma reversão se baseia num provável aumento dos gastos com infraestrutura para preparar caminho para o 6G.

Apesar da pressão representada pelos investimentos contínuos em novas tecnologias, o estudo destaca a posição privilegiada das operadoras numa economia cada vez mais impulsionada pela IA. Não apenas as teles sabem como instalar e operar redes em escala nacional. As operadoras também possuem ou alugam instalações — “sites” onde estão instaladas antenas e radiotransmissores, por exemplo — que podem ser adaptados para servir de base para a chamada “edge computing” (computação de borda), na qual o processamento e armazenagem dos dados está mais próxima do usuário final.

São também empresas que, por operarem a infraestrutura de conectividade, têm acesso a dados de milhões de usuários, algo que vêm sendo capitalizado por meio da oferta de serviços financeiros, de saúde e educação, entre outros, pelas teles.

Resta saber se, ao contrário do que ocorreu em outras revoluções tecnológicas recentes — como a ascensão das grandes plataformas digitais — as teles vão conseguir monetizar suas vantagens competitivas.

Fonte: Valor (12/05/2025)

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