sexta-feira, 30 de maio de 2025

Idosos duros: Por que estes aposentados estão fazendo bicos e voltando a trabalhar?

 


Aposentados nos EUA percebem que sua economias não são suficientes e têm de fazer bicos como professores, corretores de imóveis e até motoristas de aplicativos

Milhões de aposentados da geração X (1965 a 1980) e dos baby boomers (1945 a 1964) estão entrando em pânico ao perceber que suas economias não são suficientes. A preocupação cresce com a situação incerta da Previdência Social nos EUA, a inflação e a volatilidade do mercado. A solução para muitos tem sido recorrer a bicos — como dar aulas, vender imóveis ou dirigir para aplicativos como o Uber — em busca de renda extra e também de estímulo social.

Durante décadas, esses aposentados sonharam com o dia em que poderiam abandonar a rotina das 9 às 17 horas e aproveitar uma aposentadoria tranquila.

Mas a realidade bateu à porta: mais de 40% dos aposentados nos EUA dizem temer que o que guardaram não seja suficiente para sustentar o estilo de vida ideal, segundo uma pesquisa do banco de investimentos D.A. Davidson.

O número equivale a mais de 20 milhões de pessoas. Seja por falta de planejamento, inflação ou imprevistos, o fato é frustrante para quem passou a vida contando cada centavo — apenas para reviver as dificuldades agora, já aposentado.

“A maré está mudando”, disse Andrew Crowell, vice-presidente de gestão patrimonial no D.A. Davidson, à Fortune. “Hoje, mais aposentados estão optando por não abandonar completamente o trabalho.” Cerca de 60% deles dizem que gostariam de ter uma ocupação extra para complementar a renda.

“Um bico não precisa ser um último recurso”, afirma Crowell. “Ele pode fazer parte do planejamento de aposentadoria, oferecendo renda complementar, integração social e estímulo mental.”

A nova visão da geração X sobre a aposentadoria

O momento de se aposentar traz emoções contraditórias. Alguns querem aproveitar os netos ou finalmente fazer aquela viagem internacional, enquanto outros se sentem perdidos sem o ritmo do expediente tradicional.

Com a expectativa de vida aumentando, mais pessoas continuam ativas por mais tempo — não só em suas carreiras principais, mas também em trabalhos de meio período.

“Diferentemente das gerações anteriores, os aposentados de hoje estão mais ativos e vivem mais, o que aumenta o valor necessário para manter a aposentadoria”, explica Patrick Doherty, vice-presidente sênior da Wealth Enhancement. “No geral, vemos clientes gastando praticamente o mesmo depois de se aposentar.”

Doherty contou à Fortune que vê cada vez mais aposentados buscando renda extra como professores substitutos, corretores de imóveis ou até conselheiros em conselhos administrativos de empresas.

Mas o dinheiro não é o único motivo. Mais da metade (55%) dos aposentados que fazem bicos dizem que o objetivo é manter o cérebro ativo ou interagir socialmente, de acordo com a pesquisa do D.A. Davidson.

Apenas 20% apontam o pagamento de dívidas como razão principal, e 17% dizem que buscam garantir um estilo de vida mais confortável.

Geração Z e geração X têm algo em comum: o bico

A ideia de ter uma renda paralela não é exclusiva dos aposentados. Jovens da geração Z e millennials também estão abraçando esse estilo de trabalho.

Uma pesquisa mostrou que quase dois terços dos jovens entre 18 e 35 anos já têm ou pretendem ter um bico.

A motivação vai além do dinheiro: muitos preferem ser seus próprios chefes e seguir paixões pessoais.

Com a ajuda da tecnologia, começar um bico nunca foi tão fácil. Muitos jovens ganham dinheiro transmitindo jogos no YouTube, dançando no TikTok ou vendendo produtos no Etsy (plataforma de comércio eletrônico de produtos artesanais).

Para quem usa os bicos com inteligência — e economiza mais do que gasta — é possível até antecipar a aposentadoria e garantir conforto financeiro no futuro.

“Existe um velho ditado que diz: ‘Pague-se primeiro’,” afirma Doherty. “Se você contribuir regularmente com a aposentadoria e aplicar dinheiro em contas de investimento antes de gastar com coisas supérfluas, economizar se torna muito mais fácil.”

Fonte: Estadão e Fortune  (27/05/2025)

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