Credores temem jogo de cartas marcadas em leilão e tentaram abertura para lance em crédito
O BTG Pactual quer ficar com as ações da V.tal detidas pela Oi, afastando outros players da companhia de infraestrutura em que já é o controlador. O ativo vai a leilão judicial no início de março e tem sido ponto de debate entre credores sobre a modelagem de venda - o grupo diz que quer evitar um processo de cartas marcadas, que jogue as ações no colo do banco.
Os fundos do BTG enviaram ontem a notificação de qualificação à Oi, com cópia à Administração Judicial e ao Gestor Judicial, habilitando-se a participar da disputa pela UPI V.tal. Segundo fonte próxima à instituição, isso não significa necessariamente que o BTG vai dar lance, mas que se habilitou para ter acesso às informações, inclusive de outros potenciais interessados. Credores representados pelo trustee UMB vinham questionando a forma como o processo foi estruturado, com receio de uma operação com baixa competição e preço aquém do mínimo previsto no plano de Recuperação Judicial.
Os credores, que financiaram a Oi já na reestruturação por meio de DIP, apontam em diferentes petições que o edital foi lançado em fevereiro, mês impactado pelo Carnaval e com apenas 16 dias úteis no calendário do TJ-RJ. O prazo para due diligence foi fixado em 30 dias corridos — cerca de 17 dias úteis — contados da publicação, quando ainda não havia data room estruturado.
Como a aquisição envolve participação societária relevante na V.tal, com necessidade de análise detalhada de informações operacionais e financeiras, o período é considerado por eles insuficiente para interessados que não estejam previamente engajados. Na prática, afirmam em documentos dos escritórios Pinheiro Guimarães e Domingues Cintra Advogados o desenho favoreceria players que já detêm informações e capacidade de avançar rapidamente — resultando em poucos ou até uma única proposta em dinheiro por valor inferior ao parâmetro econômico do ativo.
A Oi detém cerca de 27,5% do capital da V.tal. Na petição, os credores apontam que, em operação realizada há pouco mais de um ano, participação proporcional foi avaliada em montante que implicaria valor equivalente a aproximadamente R$ 13,75 bilhões para esse percentual. Para os credores, ofertas muito abaixo desse patamar configurariam proposta “ínfima”. No edital do leilão, o preço mínimo é de R$ 12,3 bilhões.
Já a companhia e seu gestor judicial sustentando que determinados credores estariam agindo com “exercício abusivo de direitos” ou em “conflito de interesses” ao questionar o edital.
Os credores pediram, por exemplo, para utilizar crédito como pagamento de uma proposta à Oi pela V.tal, o que reduziria o endividamento da Oi e poderia liberar garantias hoje vinculadas, abrindo espaço para monetização de outros ativos. Também pediram para estar automaticamente habilitados à disputa.
O gestor judicial, Bruno Rezende, descartou os pedidos, e disse que o credit bid contraria o plano, que prevê pagamento em dinheiro. Pessoas próximas à Oi afirmam ainda que o problema é que a utilização dos créditos seria a valor de face, quando a companhia tem proposta deságio de 70% — ou seja, ao utilizar os créditos, a companhia quitaria uma parte pequena da dívida total com esse grupo — e apontam ainda que parte dos créditos está travada por decisões trabalhistas.
A UMB rebateu, dizendo que o credit bid seria uma proposta adicional para viabilizar a quitação da dívida, mas que concordam com a manutenção de exigência em dinheiro num processo que seja conduzido de forma a atrair mais interessados e com preço mais competitivo.
O plano de RJ estabelece que 100% da receita líquida da venda da UPI V.tal deve ser destinada prioritariamente à amortização integral do Novo Financiamento, o DIP feito por esses investidores. A abertura das propostas está prevista para 5 de março.
Fonte: Pipeline do Valor (12/02/2026)
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