Mesmo interessada em brigar de forma mais competitiva na banda larga fixa e não desmentir o planejamento de aquisição de empresas, entre elas, a própria V.tal, o CEO da TIM, Alberto Griselli, foi taxativo ao negar interesse em entrar no leilão da Oi. "Participações minoritárias não são interessantes".
A TIM quer ser um player forte no mercado no mercado de banda larga fixa, mas não está interessada em participar do leilão das ações da Oi na V.tal, com preço mínimo de R$ 12,3 bilhões. “Ter participações minoritárias não são interessantes para nós”, pontuou o CEO da TIM, Alberto Griselli, ao responder pergunta específica sobre a participação da tele no leilão, marcado para março, na conferência de imprensa realizada depois da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025.
Griselli não descartou a possibilidade de a TIM aumentar a sua participação com a aquisição de empresas – grandes, como é o caso da própria V.tal, apesar de não ter assumido interesse específico – ou pequenas. “Queremos ser mais em banda larga fixa. Saímos do negativo para o positivo, mas admito que ainda somos pequenos no negócio, que é extremamente competitivo e, por isso, muito baseado em disputa de preço”, adicionou Griselli. Em 2025, a TIM ganhou cerca de 60 mil assinantes de banda larga fixa, fechando o ano com uma base de 850 mil acessos.
A compra do controle da I-Systems por R$ 950 milhões, anunciada nesta quarta-feira, 11/2, é extremamente estratégica, mas não altera a participação da TIM na banda larga fixa. Segundo Griselli, foi feita a aquisição integral de um ativo de rede, que permite um melhor atendimento ao cliente.
Indagado pelo Convergência Digital sobre o porquê da mudança de estratégia em relação à banda larga fixa – há sete meses, o negócio não era atrativo – Griselli foi sincero ao afirmar que a atratividade ainda é baixa e a receita também. Mas lembra que houve mudanças de perspectivas neste período. “Nós fizemos o dever de casa. Saímos do negativo e fomos para o positivo. Isso nos permite pensar mais no negócio. E temos o mercado B2B, onde com o ativo de rede nosso vamos poder atender o cliente de ponta a ponta. O mercado mudou. Nós mudamos”, completou.
Balanço financeiro
A TIM reportou lucro líquido normalizado de R$ 4,34 bilhões em 2025, alta de 37,4% em relação ao ano anterior, de acordo com balanço financeiro do quarto trimestre de 2025. Somente no quarto trimestre, o lucro registrou expansão de 27,9%, na comparação com o mesmo período de 2024, alcançando R$ 1,34 bilhão.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) normalizado cresceu 7,5% em 2025, somando R$ 13,57 bilhões. A margem ficou em 51%, alta anual de 1,4 ponto percentual (p.p.). A receita líquida, por sua vez, totalizou R$ 26,62 bilhões, uma expansão de 4,6%, puxada pelo crescimento do serviço móvel, sobretudo da modalidade pós-paga.
A receita do serviço móvel avançou 4,8% no quarto trimestre e 5,4% no consolidado de 2025, totalizando R$ 24,51 bilhões. A receita do pós-pago teve alta de 11,2% no ano passado, em função da migração de clientes de pré para pós, do nível controlado de desconexões e dos reajustes anuais de preços. A receita média por usuário (ARPU, na sigla em inglês) da modalidade pós-paga foi de R$ 43,3 no quarto trimestre (+0,6%). Já a receita do serviço pré-pago teve redução de 9,3% em 2025, fechando o último trimestre do ano com ARPU de R$ 14,8.
A TIM encerrou 2025 com 61,97 milhões de usuários móveis (-0,1%). A empresa ganhou cerca de 2,5 milhões de clientes pós-pagos, com a modalidade totalizando 32,74 milhões de usuários (+8,4%). A carteira pré-paga ficou com 29,22 milhões de chips ativos (-8,3%). A rede 5G está disponível em 1.089 cidades.
A TIM informou ainda que a receita contratada dos serviços corporativos (B2B) totalizou R$ 1 bilhão no quarto trimestre de 2025. O montante tem contribuição, principalmente, dos setores de logística (38%), agrícola (37%) e utilities (20%).
A operadora fechou 2025 com 26 milhões de hectares cobertos com 4G (+33%), mais de 10 mil km de estradas cobertas com rede móvel (+83%) e mais de 472 mil pontos de iluminação pública com contratos assinados (+39%). A empresa ainda destacou que tem avançado na vertical de mineração e já conta com 569 mil veículos conectados à sua rede.
O capex (investimento) da TIM registrou ligeira baixa de 0,2% em 2025, somando R$ 4,54 bilhões. O indicador sobre a receita caiu de 17,9%, em 2024, para 17,1%, em 2025. Os investimentos em rede cresceram 0,6%, totalizando R$ 3,18 bilhões. A queda foi puxada pela redução de 2,1% em TI e outras áreas, para R$ 1,35 bilhão.
Fonte: Convergência Digital (11/02/2026)
Notas da Redação e do meio telecom: A relação entre a TIM e o BTG Pactual é multifacetada, evoluindo de uma análise de mercado para uma parceria comercial estratégica e, mais recentemente, para rumores de uma grande movimentação societária.
Aqui estão os pilares dessa relação:
1. Parceria Comercial (TIM e V.tal)
O BTG Pactual é o acionista controlador da V.tal (empresa de rede neutra de fibra óptica). Desde 2022, a TIM possui uma parceria estratégica com a V.tal para utilizar sua infraestrutura. Isso permite que a TIM expanda seu serviço de banda larga (TIM UltraFibra) e acelere a implementação do 5G sem precisar construir toda a rede do zero.
2. Rumores de Fusão (Janeiro de 2026)
Recentemente, surgiram informações na imprensa (articuladas principalmente pelo jornal O Globo) de que o BTG Pactual estaria trabalhando nos bastidores para promover uma fusão entre a TIM Brasil e a V.tal.
O Objetivo: Criar uma gigante integrada de telecomunicações e infraestrutura.
O Contexto: Essa movimentação ocorre em um momento em que o BTG busca consolidar a V.tal (querendo inclusive a fatia que ainda pertence à Oi) e a TIM busca ganhar escala no mercado de fibra para competir com a Vivo e a Claro.
3. A Questão da I-Systems
Em fevereiro de 2026, a TIM anunciou a compra de 100% da I-Systems (sua própria rede de fibra, que antes era dividida com a IHS).
Para o mercado, esse movimento da TIM pode ser visto de duas formas: ou como uma preparação para se tornar um ativo mais robusto em uma futura negociação com o BTG/V.tal, ou como uma sinalização de que a TIM quer ter controle total de sua infraestrutura antes de qualquer conversa sobre fusão.
4. Cobertura de Mercado e Investimentos
Além das parcerias operacionais, o BTG Pactual atua como um dos principais analistas das ações da TIM (TIMS3). O banco emite relatórios frequentes recomendando a compra ou venda das ações e projetando dividendos, o que influencia a percepção dos investidores sobre a operadora.
Em resumo: Atualmente, a TIM é uma cliente importante das empresas controladas pelo BTG, mas o mercado especula que o banco deseja transformar essa relação de "parceria" em uma união definitiva.
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