sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

TIC: Leilão para venda da fatia bilionária da Oi na V.tal pode ser esvaziado



BTG era o único habilitado até o início da noite de quinta; lance mínimo é de R$ 12,3 bi

Plano de recuperação da Oi prevê que a aquisição de sua parte na V.tal deve ocorrer por pagamento em dinheiro.

O BTG Pactual, através de seus veículos de investimentos, se apresentou para ficar com a participação detida pela Oi na V.tal, grupo que atua com redes de fibra ótica, banda larga e data centers, no qual esses veículos já são os controladores. O ativo será levado a leilão no próximo mês. O futuro dessa transação, entretanto, ainda é incerto. A Coluna apurou que, embora o banco tenha pedido habilitação para participar do certame, ainda não decidiu se fará uma proposta de compra de fato. Por ora, a instituição financeira está se preparando para entrar na disputa só caso surja um concorrente, dizem fontes a par do processo. Enquanto isso, mais ninguém se manifestou para participar do leilão até o começo da noite desta quinta-feira, 12, quando vence o prazo para os interessados se credenciarem. Ou seja: no fim das contas, pode “dar branco” no leilão.

A fatia da Oi corresponde a 27,5% da V.tal e foi colocada à venda por meio de leilão a ser realizado no dia 5 de março, com lance mínimo de R$ 12,3 bilhões, pagamento em dinheiro, à vista. A venda do ativo é uma peça-chave dentro do plano de recuperação judicial da Oi, de modo que os recursos da venda serão usados para abater sua dívida.

O BTG Pactual encaminhou a documentação para se habilitar por meio de um conjunto de quatro veículos de investimento: os fundos BTG Pactual Economia Real Master, BTG Pactual Infraco Master e BTG Pactual Infraco Co-Investors Fund LP, e uma sociedade anônima chamada Stans 13, que foi aberta em setembro de 2025. Por trás desses veículos estão os mesmos acionistas que já controlam a V.tal, que incluem o próprio banco, o fundo de pensão canadense CPPIB, o fundo soberano de Cingapura GIC e clientes do segmento de grandes fortunas, entre outros cotistas.

Participação é também almejada por credores

A participação na V.tal também é almejada pelos credores da Oi, mas eles não estão dispostos a colocar dinheiro na jogada. O interesse aí é ficar com esse ativo em troca do abatimento de dívidas, o chamado credit bid. A petição foi protocolada pelo UMB Bank, que atua como um administrador (trustee) dos valores a serem recebidos pelos credores. Neste grupo, estão gestoras de recursos estrangeiras, como Pimco, Vontobel, Arkaim e Bracebridge, cujo saldo a receber é de cerca de R$ 10 bilhões.

Fontes que acompanham o processo ponderaram que essas dívidas no mercado secundário estão avaliadas em pouco mais de R$ 2 bilhões - tamanha a descrença de que a Oi irá conseguir saldar esse montante algum dia. Nesse sentido, uma crítica é que os credores estariam manobrando para trocar algo que vale pouco por algo que vale muito, enquanto a Oi tem necessidade urgente de uma injeção de dinheiro no caixa. Já o argumento contrário é que uma redução das dívidas da Oi na ordem de R$ 10 bilhões daria um grande alívio para as despesas com juros da empresa, além de liberar garantias que permitiriam a empresa buscar novos financiamentos.

O desfecho é incerto. A Oi e o gestor judicial que comanda a empresa desde o afastamento da sua diretoria se posicionaram contra uma troca de ações pelo abatimento de dívidas. Eles reiteraram que o plano de recuperação judicial estabelece que a alienação da sua participação na V.tal deve ocorrer por pagamento em dinheiro. Só em caso de isso não ocorrer é que outras formas de pagamento poderiam vir a ser analisadas e submetidas à deliberação dos credores para aprovação ou rejeição.

Fonte: Estadão (12/02/2026)

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