terça-feira, 21 de outubro de 2025

Fundos de Pensão: Rioprevidência rebate TCE-RJ e defende investimentos emfundos ligados ao Master

  


Fundação alega que fundos Revolution, Arena e Texas são administrados pela corretora Master, que é diferente do Banco Master e, ainda assim, não é responsável pelas decisões de investimento 

O Rioprevidência, fundo de pensão de mais de 230 mil servidores civis e militares do Estado do Rio de Janeiro, rebateu críticas feitas pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) e defendeu seus investimentos em fundos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. 

Conforme o Valor noticiou nesta sexta-feira, o TCE-RJ disse que entre maio e julho deste ano, quando todos os problemas do grupo de Vorcaro já eram conhecidos, o Rioprevidência alocou perto de R$ 1 bilhão em fundos ligados ao Master. 

“A despeito do alerta expresso direcionado aos gestores que participam de tais decisões – em especial aos integrantes do Comitê de Investimentos - por força da decisão plenária de 14 de maio, a entidade continuou realizando investimentos sem a prudência exigida, o que evidencia uma gestão possivelmente irresponsável dos recursos do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS)”, diz relatório da conselheira do TCE Marianna Montebello Willeman.

Em nota enviada neste sábado ao Valor, o Rioprevidência informa que foi notificado no último dia 10 da decisão cautelar do TCE-RJ acerca de investimentos relacionados ao Banco Master e diz que a deliberação foi divulgada sem prazo hábil para manifestação prévia da fundação, o que impediu a apresentação de esclarecimentos técnicos antes da publicação da medida. 

“O Rioprevidência esclarece que é incorreta a informação de que o Banco Master seria destinatário de mais de R$ 2,6 bilhões. O valor efetivamente investido foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em letras financeiras emitidas pelo Banco Master S.A., e a operação segue regular, adimplente e plenamente enquadrada nos parâmetros legais e prudenciais”, diz o fundo. 

O Rioprevidência explica que Banco Master S.A. e Master Corretora de Valores são instituições distintas, com naturezas jurídicas, funções regulatórias e estruturas operacionais diferentes. "A Master Corretora atua apenas como administradora fiduciária, responsável pela estrutura contábil, escrituração, governança e cumprimento das obrigações regulatórias dos fundos, sem poder de decisão sobre as alocações de recursos”. 

A polêmica dos novos investimentos do Rioprevidência gira em torno de três fundos que são administrados pela Master Corretora: Revolution, Arena e Texas. O fundo fluminense diz que a escolha dos administrador é feita pelas gestoras independentes e que o fato de um veículo ser administrado pela Master Corretora não significa que os recursos estejam aplicados ou depositados no Banco Master, tampouco que haja qualquer relação de subordinação ou dependência entre as instituições. 

"O Rioprevidência reforça que os recursos aplicados nesses fundos nunca transitaram nem foram alocados em ativos do Banco Master, sendo direcionados diretamente aos ativos dos fundos, compostos majoritariamente por títulos públicos federais e ações negociadas na B3. Prova disso é que nenhum dos Demonstrativos de Aplicações e Investimentos dos Recursos (DAIRs) mensais encaminhados ao Ministério da Previdência apontou qualquer desenquadramento, concentração ou irregularidade." 

No caso do Texas, a gestora - responsável por tomar as decisões de investimento - é a BlueMac; já o Arena é gerido pela Arena Capital; e o Revolution pela Acura Gestora. O Rioprevidência ressalta que a Bluemac não tem vínculo societário com o Master e que o Texas é um fundo de renda variável, "sujeito à volatilidade normal do mercado, cuja oscilação recente decorre de variações de ativos específicos — entre eles, ações da Ambipar". Já o TCE-RJ ressalta que o Texas tinha 96,1% da sua carteira em ações da Ambipar, "concentração típica de monoação” e "incompatível com os princípios de diversificação e proteção”. 

Sobre o Revolution, o Rioprevidência diz que ele tem cerca de R$ 7 bilhões em patrimônio e não possui ativos controlados ou emitidos por empresas do grupo Master. A fundação argumenta ainda que o Arena é composto exclusivamente por títulos públicos federais, com liquidez diária, "destinado à manutenção de caixa e pagamento de benefícios previdenciários, tendo sido o fundo de renda fixa mais rentável da carteira do Rioprevidência no primeiro semestre de 2025." Atualmente, a posição do instituto nesse fundo é inferior a R$ 500 milhões. 

Por fim, o Rioprevidência reitera que não realizou novas aplicações no conglomerado Master desde agosto de 2024 e que atua de forma técnica, responsável e colaborativa com todos os órgãos de controle. "Cumpre destacar que todos os pontos citados no relatório do TCE-RJ estão sendo tecnicamente rebatidos, mediante apresentação de documentação comprobatória, relatórios técnicos e pareceres especializados, os quais demonstram a regularidade, prudência e legalidade das decisões de investimento adotadas pelo Instituto. As manifestações formais estão sendo protocoladas junto ao TCE-RJ, acompanhadas de dados auditáveis e informações complementares que comprovam a aderência às normas de governança, compliance e controle de risco.” 

Fonte: Valor (18/10/2025)

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