domingo, 16 de novembro de 2025

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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

TIC: Oi, de uma supertele nacional ao pedido de insolvência. Entenda a trajetória declinante



Tele carioca, que já teve a maior rede de infraestrutura do país, entrou com petição para reconhecimento do estado de insolvência

A gestão judicial da Oi, liderada pelo advogado Bruno Rezende, entrou ontem com pedido de reconhecimento do estado de insolvência do Grupo Oi na 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A petição atende a um pedido da própria Justiça, que havia determinado um posicionamento sobre o futuro da companhia até o dia 10 de novembro, próxima segunda-feira.

A própria tele admite, em comunicado enviado ao mercado na noite de ontem, que há uma impossibilidade de suportar o pagamento de todas as dívidas por incapacidade de promover medidas para aumentar seu fluxo de caixa, descumprindo, assim, o que foi acordado em seu segundo plano de recuperação judicial. Em julho, avaliou entrar com novo pedido de proteção judicial nos Estados Unidos.

Em outubro, a dívida com fornecedores que não fazem parte do processo de recuperação chegou a R$ 1,7 bilhão, um aumento de R$ 500 milhões em relação ao mês de junho. A proposta do gestor judicial é que haja a continuação provisória das atividades do Grupo Oi até que seja feita toda a transferência de serviços. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, o entendimento é que a Justiça acate o pedido feito por Bruno Rezende.

Loterias e número de bombeiros

Hoje, a Oi é uma das principais empresas do país responsáveis por serviços de emergência, como os números da polícia, bombeiros e defesa civil, além de prover a conexão das loterias da Caixa. A Oi tem hoje, com todas as esferas de governo, cerca de 4,6 mil contratos. É ainda a única operadora presente em cerca de sete mil localidades no Brasil.

Na prática, o processo pedido pela gestão da Oi é conhecido no meio como uma espécie de “falência continuada”, no qual o gestor da empresa, com acompanhamento judicial, trabalha para vender e transferir todos os serviços e unidades da companhia. Dentro da empresa, porém, o clima entre os cerca de dois mil funcionários é de apreensão e medo em relação aos próximos meses.

MP pede parecer da Anatel e União

Neste sábado, o Ministério Público enviou à Justiça um pedido para que União e Anatel se manifestem sobre uma possível intervenção econômica na companhia e de um aporte de capital público na empresa, caso a medida se mostre necessária.

Controle de tráfego aéreo

Entretanto, há uma série de desafios durante o processo de transferência dos serviços básicos hoje prestados pela Oi. Um exemplo é a conectividade do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), que já passou para a Claro. Técnicos acreditam que será necessário alguns meses para que a transferência seja totalmente concluída .

Além disso, ressaltou outra fonte, até mesmo em serviços de transferência de números de emergência de três dígitos, onde já houve transferência, é comum o novo operador enfrentar problemas de operação justamente por se tratar de um serviço específico. “Se a transferência não for bem feita, os serviços ficam em risco”, completou uma fonte do setor.

7 mil localidades só com Oi

Em outra frente, a Oi vem acelerando, no último ano, as atividades de substituição em localidades onde era a única provedora, em um acordo costurado com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Já reduziu de cerca de dez mil para sete mil as localidades onde ainda é responsável pela manutenção.

Venda da Oi Soluções

Hoje, a gestão da Oi é formada por um grupo de executivos de quatro áreas — financeiro, jurídico, operações e Oi Soluções (empresa que atua no mercado corporativo). Eles se reportam a Bruno Rezende.

Após vender suas operações móvel e de banda larga fixa nos últimos anos, a Oi tentará agora se desfazer do pouco que sobrou. É o caso da Oi Soluções, empresa do grupo que tem mais de 40 mil companhias em carteira. A unidade já está à venda, com mais de sete empresas na disputa. Mas os interessados querem apenas parte da empresa. Para evitar o fatiamento, as negociações visam vender a companhia inteira para ganhar mais valor, segundo fontes.

Serede: 5 mil sem receber

A Serede, de manutenção de rede, que também entrou em recuperação judicial, tem situação mais delicada, com salários atrasados entre os cinco mil funcionários, após clientes como a V.Tal encerrarem o contrato com a empresa. Agora, especula-se que a TIM possa contratar a companhia. Enquanto isso, os funcionários estudam entrar em greve, agravando ainda mais a situação.

Além disso, a Oi ainda conta com a Tahto, de atendimento.

A criação da chamada Supertele, como ficou conhecida a Oi após sua fusão com a Brasil Telecom, teve início entre 2008 e 2009, no segundo mandato do presidente Lula. A operação integrou a política de “campeões nacionais”, que buscava fortalecer grandes empresas brasileiras para competir em escala global, com apoio do BNDES.

Após a união com a Brasil Telecom, a Oi avançou em uma nova etapa de expansão ao se associar à Portugal Telecom. No entanto, a parceria acabou revelando um rombo superior a € 1 bilhão, o que desencadeou uma grave crise financeira na companhia.

O endividamento crescente e a perda de fôlego operacional levaram a Oi a entrar em recuperação judicial, sendo obrigada a vender ativos e reestruturar suas operações para tentar equilibrar as contas.

Fonte: O Globo (08/11/2025)

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