Evento em Campinas contou com mesas sobre sindicalismo, tecnologia, diversidade e democracia
O Sindicato dos Trabalhadores em Pesquisa, Ciência e Tecnologia (SINTPq) realizou, nos dias 8 e 9 de novembro, o seu congresso anual, reunindo trabalhadoras e trabalhadores de diversas empresas, universidades e instituições de pesquisa em Campinas. O encontro se consolidou como um espaço de formação crítica e diálogo sobre os desafios do mundo do trabalho, o papel do sindicalismo e as transformações impostas pela tecnologia e pelas mudanças sociais contemporâneas ao Brasil e o mundo.
Com ampla participação do público e uma programação voltada à reflexão coletiva, o congresso reafirmou o compromisso do SINTPq com a defesa dos direitos da categoria e o fortalecimento das lutas da classe trabalhadora. Ao longo dos dois dias, as mesas temáticas reuniram pesquisadores, lideranças sindicais, políticas e figuras públicas que contribuíram com análises sobre os rumos do trabalho, da ciência, tecnologia e da organização coletiva no país.
Entre os destaques, o professor José Dari Krein, do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Cesit, apresentou uma análise sobre as transformações nas relações trabalhistas e os impactos da Reforma de 2017. Ele destacou o enfraquecimento das negociações coletivas e a necessidade de reconstrução das bases sindicais frente às novas formas de precarização.
Na sequência, o ex-deputado federal José Genoino compartilhou sua experiência política e histórica, abordando o papel do movimento sindical na consolidação da democracia e na defesa dos direitos sociais. Em uma fala marcada pela emoção e pela memória, Genoino enfatizou a importância da organização popular e da resistência como pilares da cidadania.
A socióloga e pesquisadora do Dieese Camila Ikuta trouxe ao debate o tema “Tecnologia, inteligência artificial e futuro do trabalho”. A especialista analisou as transformações provocadas pela automação e pelos algoritmos na vida profissional, destacando o desafio de garantir que o avanço tecnológico não aprofunde desigualdades, mas amplie oportunidades para a classe trabalhadora.
A cientista Adriana Alves, professora do Instituto de Geociências da USP, encerrou a programação com uma mesa sobre diversidade e conhecimento na ciência brasileira. Geóloga e coordenadora do Escritório USP Mulheres, ela ressaltou o papel das mulheres negras na pesquisa e a necessidade de políticas que promovam equidade de gênero e raça no ambiente científico e acadêmico.
Além das mesas principais, o congresso promoveu rodas de conversa e grupos de trabalho que discutiram temas como negociação coletiva, direitos previdenciários, formação sindical e saúde mental no trabalho. O público presente, formado por pesquisadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas, destacou o caráter inspirador e plural do evento.
Ao final do encontro, os participantes reafirmaram o compromisso do SINTPq com a formação política, o diálogo democrático e a valorização do trabalho como eixo central para o desenvolvimento humano, social e tecnológico do país.
Fonte: Portal Porque (10/11/2025)

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