sexta-feira, 14 de novembro de 2025

TIC: O ganha-ganha de Esteves da BTG na ruína da Oi



O novo movimento de Esteves pode ser decisivo na confirmação ou não da falência da Oi

O BTG, de André Esteves, quer comprar os imóveis da Oi, cuja falência foi decretada na segunda-feira pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Os 7.877 imóveis são avaliados em 5,8 bilhões de reais.

A informação consta na decisão judicial e foi compartilhada pelo gestor judicial do grupo, Bruno Rezende, que informou no processo de recuperação judicial da Oi ter recebido manifestações de interesse de empresas sobre os imóveis da companhia. Entre elas, uma da Enforce, gestora de créditos inadimplentes do BTG, banco de Esteves.

O novo movimento de Esteves pode ser decisivo na confirmação ou não da falência da operadora. Credores da empresa, como o banco Itaú, entraram com um agravo para que seja concedido efeito suspensivo à decisão da juíza. O objetivo do pedido é permitir que o processo de recuperação judicial siga vigente.

Esteves foi afetado pela decisão da juíza. Como mostrou o Bastidor, ela determinou o bloqueio de uma conta vinculada à V.Tal, empresa de infraestrutura de fibra óptica controlada pelo BTG Pactual. A V.tal teria prioridade nos recebimentos do caixa da Oi. A juíza, contudo, entendeu que os pagamentos comprometiam “de morte” o fluxo financeiro da operadora.

Chevrand também apontou a possibilidade de a Justiça vir a avaliar a existência de um grupo econômico entre Oi e V.Tal, devido à “simbiose tamanha” entre as duas companhias. Essa análise é fundamental, pois pode ter repercussões diretas sobre o alcance da falência e sobre futuras investigações patrimoniais.

A decisão ainda faz críticas à “autocomposição” celebrada entre Oi, V.Tal e Anatel, que previa o pagamento de 7,4 bilhões de reais em dívidas com a União e novos investimentos em infraestrutura de rede. A juíza cita que a Oi contraiu um empréstimo de 7 bilhões de reais junto à V.Tal para cumprir o acordo, comprometendo-se a dividir eventuais ganhos futuros de uma arbitragem bilionária.

Na avaliação da juíza, o arranjo representou uma “renúncia de crédito fundamental à recuperação da empresa”, pois não gerou contrapartida financeira e agravou o endividamento. O ato, afirma, “não pode ser considerado ato de Estado” e será reavaliado pelo juízo falimentar.

 Como mostrou o Bastidor, documentos levados ao tribunal de falências nos EUA contam que, entre 2021 e 2025, a partir da V.Tal, o BTG assumiu o controle da maior rede de fibra ótica do país pagando uma fração do valor que valia. Avaliada em quase 13 bilhões de reais, a infraestrutura pertencia à Oi e foi alvo de uma captura por meio de manobras financeiras e jurídicas com dívidas.

Caso ocorra, a venda dos imóveis da Oi será uma etapa da falência. Isso quer dizer que, se a justiça mantiver a recuperação judicial, Esteves sai vitorioso com a V.Tal. Caso compre os imóveis, também ganha com a liquidação da empresa.

A venda dos imóveis, defendida pelo gestor judicial, é apresentada como uma medida indispensável para gerar liquidez imediata, já que se trata do último grande ativo não onerado remanescente na massa falida.

Segundo o gestor, essa alienação cumpre a determinação legal de arrecadar e vender ativos de forma célere após a decretação da falência, ao mesmo tempo em que reduz despesas, organiza o patrimônio e preserva a continuidade mínima dos serviços essenciais e dos empregos associados à operação.

A proposta de venda também busca conter o esvaziamento patrimonial que marcou a gestão anterior, quando diversos ativos foram vendidos ou onerados em prejuízo dos credores.

O Bastidor procurou a Enforce nesta quinta-feira (13) para esclarecer o alcance de seu interesse nos ativos da Oi. Questionou se a empresa chegou a formalizar alguma proposta ao gestor judicial, em que estágio estão eventuais negociações e se a iniciativa envolve serviços de gestão, venda ou avaliação do acervo imobiliário da operadora.

O Bastidor também procurou o BTG. Tanto o banco, quanto a Enforce, preferiram não comentar. 

Fonte: O Bastidor (13/11/2025)

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