Gestora americana rechaça tese de controle e abuso de poder na telecom
Acusada pela V.tal de abuso de poder na Oi, a americana Pimco, usualmente discreta, rebateu. A gestora diz que a companhia controlada pelo BTG Pactual tenta “criar um culpado imaginário” ao defini-la como controladora da telecom.
Na manifestação feita pelo escritório Domingues Cintra e enviada à 3ª Vara Empresarial de São Paulo, a gestora americana afirma que não exerce poder de controle sobre a Oi e não detém diretamente ações da companhia, papéis que pertencem a fundos administrados que tiveram origem na conversão de dívida em equity.
Segundo a gestora, nenhum fundo detém mais de 7,5% da Oi, sendo que a soma nunca ultrapassou 36,5% e não há acordo de acionistas.
A Pimco questiona ainda a legitimidade da V.tal para acusá-la de abuso de controle, argumentando que a legislação societária atribui essa prerrogativa apenas a acionistas, e não a terceiros.
Para a gestora, o protesto judicial — instrumento que pode servir de base para um pedido de indenização futuro — foi usado para criar ruídos. A Pimco diz que a relação entre V.tal e Oi é mais intrincada do que a sua própria, citando por exemplo comodatos envolvendo mais de 2,5 mil imóveis, uso da rede da V.tal na operação B2B da Oi, contratos de uso de postes e cobre, além de um financiamento DIP de US$ 150 milhões concedido em 2024 por uma afiliada da V.tal.
A Pimco, que administra mais de US$ 2 trilhões globalmente, minimiza sua atuação na recomposição da administração, afirmando que a chapa eleita para o conselho não foi indicada por ela, mas por outro acionista, e esse board quem definiu os diretores.
Como se tornou acionista pela conversão de dívida, diz que a Lei de Recuperação Judicial afasta a responsabilidade de investidores por passivos da companhia. Para a V.tal, a Pimco é corresponsável pela crise e pela má gestão que levaram à recente intervenção judicial na OI.
A Oi chegou a ter a falência decretada pela Justiça, mas a decisão foi anulada. Já a briga dos interessados vai continuar.
Fonte: Pipeline (25/11/2025)

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