Idade média de contratação de seguro para doenças graves está entre 42 e 45 anos
Uso do seguro para doenças graves vem antes do que se pensa, diz CEO da Prudential Brasil, Patricia Freitas, que apontou para o quadro de que apenas 18% dos brasileiros têm seguro de vida, apesar de 90% dos benefícios serem pagos ainda em vida.
Brasileiros com mais de 50 anos já movimentam um quarto de toda a economia nacional, segundo estimativas. É um mercado antes negligenciado que passou a entrar com mais atenção no radar de grandes seguradoras no país.
Em entrevista à Bloomberg Línea, Patricia Freitas, CEO da Prudential do Brasil —uma das maiores seguradoras do mundo, cuja operação no país conta com cerca de 850 funcionários e mais de 2.200 franqueados—, afirmou que o setor de seguros finalmente acordou para essa camada da população.
“Há muito mais dinheiro circulando nesse grupo, mais e mais ao longo do tempo”, disse a executiva, citando a tendência demográfica de envelhecimento da população e a perspectiva de desafio crescente para a sustentabilidade da previdência pública com a redução do número de pessoas em idade ativa para sustentar os aposentados.
Por outro lado - mas em fenômeno associado -, segundo ela, apólices de seguros têm sido acionadas muito antes do que seria esperado. Os números mostram que problemas graves de saúde têm chegado bem antes dos 60 anos.
Essa mudança demográfica e de necessidade de uso do seguro tem obrigado empresas a repensar desde o atendimento até os próprios produtos. No Brasil desde 1998, a seguradora americana é apontada como líder na venda de seguros de vida.
Patricia Freitas explicou que a Prudential trabalha “com cinco gerações” diferentes: desde jovens que preferem toda a jornada de forma digital até idosos que querem receber documentos pelos Correios.
“Como a companhia se adapta para que as pessoas consigam decidir como querem ser tratadas e como querem ser acessadas?”, exemplificou.
O seguro também se tornou ferramenta de negócios, não apenas de proteção familiar. Quando o sócio de uma empresa morre, por exemplo, há um produto que compra sua parte da empresa, o que evita que a tomada de decisões importantes de negócios fique paralisada por anos em inventários judiciais.
“O seguro de vida serve como um instrumento para manutenção daquela sociedade, ao comprar a parte da família”, explicou a CEO ao apontar uma tendência que cresce para consultórios médicos e escritórios de advocacia.
Oportunidades no Brasil
“Só 18% dos brasileiros têm seguro de vida, lembrando que 90% dos nossos benefícios são pagos em vida. A primeira desmistificação que buscamos fazer é mostrar que o seguro não é para a morte, mas, sim, uma ferramenta de planejamento.
Nossa pesquisa mostrou que 35% das pessoas não compram seguro por falta de dinheiro. Mas o brasileiro até se endivida para jogar nas bets. Por outro lado, há apólices de seguro de vida que começam com R$ 6, o que mostra que preço não é uma barreira para ampliar o acesso ao produto."
Principais desafios
“O desafio é a educação financeira, que é baixa no país. As pessoas não entendem do que vão precisar para viver no futuro nem quanto vão receber do INSS - em que o teto atual é de R$ 7.000 reais, e a maioria recebe menos de R$ 2.000.
Por essa razão, a Prudential trabalha em iniciativas de educação financeira. Um exemplo é o Prêmio Jovens Visionários, no qual reconhecemos jovens que estão fazendo a diferença nas suas comunidades levando a educação financeira.
Temos um programa chamado Atuários do Futuro, que é uma bolsa para manter as pessoas na escola e depois na faculdade."
Envelhecimento da população
“Atualmente, temos uma relação de sete pessoas economicamente ativas para cada aposentado no país. No entanto essa proporção está mudando drasticamente: as projeções indicam que até 2060 teremos apenas duas pessoas em idade produtiva para cada aposentado. Essa transformação demográfica é preocupante, pois representa um aumento significativo nos custos da previdência pública.
Hoje os gastos de previdência com PIB são em torno de 12%. Quando olhamos para esse cenário de duas pessoas economicamente ativas para uma pessoa aposentada, em 2060, esse gasto com previdência estimado, com previdência pública, vai para 17%. São mais cinco pontos percentuais do orçamento público.
Isso aumenta a demanda por seguros que protejam esse público. Há muito mais dinheiro circulando nesse grupo, mais e mais ao longo do tempo."
Fonte: Bloomberg (02/10/2025)

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