Petrobras se reúne com sindicatos para discutir greve que se iniciou 15 de dezembro, dizem petroleiros
Proporção Contributiva está no seio da discussão do equacionamento do déficit dos 2 planos da Petros
A FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) e o Sindipetro RJ (Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro) emitiram hoje comunicado afirmando que estão reunidos com representantes da Petrobras para tratar da greve iniciada na última segunda-feira (15). Questionada, a Petrobras não respondeu.
O que aconteceu
A estatal pretende apresentar uma nova proposta, dizem os petroleiros. "Fomos informados que a empresa apresentará nova proposta para o fim da greve", afirmam o Sindipetro RJ/FNP.
As entidades demostram otimismo. Afirmam que "diálogos mantidos até o momento têm sinalizado possíveis avanços", mas que só comparecerão à mesa de negociação quando houver "avanços para os três eixos centrais da campanha reivindicatória aprovados pela categoria em assembleias" e que estejam contempladas todas as subsidiárias do sistema Petrobras, diz em nota Deyvid Bacelar, coordenador geral da FUP.
A proposta apresentada pela petroleira no dia 9 não foi aceita pela categoria, e a greve começou no dia 15. A estatal tem reafirmado que se mantém aberta ao diálogo com as entidades.
Os trabalhadores fazem as seguintes exigências: suspensão da privatização de ativos da companhia e de demissões em setores da estatal, como exploração e produção; participação mais justa nos lucros e resultados da estatal e uma solução para os déficits no fundo de pensão Petros, que impactam aposentados e pensionistas.
O equacionamento do déficit da Petros é um processo obrigatório para cobrir rombos no fundo de pensão da Petrobras, envolvendo descontos extras em salários e aposentadorias de participantes, além de aportes da Petrobras, para reequilibrar o plano, sendo uma pauta constante de negociações e mobilizações dos petroleiros para garantir a sustentabilidade dos benefícios. A FUP e sindicatos pressionam por soluções, incluindo aportes da empresa, contra a cobrança de mais dos trabalhadores, com o déficit atual (em 2025) de dezenas de bilhões de reais sendo central nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
O valor do déficit acumulado dos planos da Petros (especificamente o PPSP-R e o PPSP-NR) que está no centro das discussões e motivou a greve nacional iniciada em 15 de dezembro de 2025 é de aproximadamente R$ 42 bilhões.
Este montante refere-se ao déficit técnico acumulado ao longo de anos, que resultou na implementação de sucessivos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs). Esses planos impõem contribuições extraordinárias (descontos extras) nos contracheques de ativos, aposentados e pensionistas, chegando, em alguns casos, a comprometer quase metade da renda dos beneficiários.
O Contexto da Greve e do Déficit
A paralisação, liderada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) e pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), ocorre devido ao impasse no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT 2025). Os principais pontos relacionados à Petros são:
Fim das Contribuições Extraordinárias:
A categoria exige uma solução definitiva que interrompa os descontos dos PEDs. O argumento é que a Petrobras, como patrocinadora, deve assumir uma parcela maior da responsabilidade pelo déficit, gerado em parte por decisões de gestão e mudanças em premissas atuariais.
A Proposta da Comissão Quadripartite:
Desde meados de 2024 e ao longo de 2025, uma comissão (composta por representantes da Petrobras, Petros, entidades sindicais e governo) discutiu um novo modelo de plano. A proposta envolve a criação de um novo plano financeiro de previdência na modalidade Contribuição Definida (CD), para o qual os participantes migrariam, "zerando" o déficit atual mediante um aporte financeiro da Petrobras e uma reestruturação das obrigações.
O Impasse Financeiro:
Enquanto as entidades representativas cobram o aporte total para cobrir os R$ 42 bilhões, a Petrobras tem apresentado propostas que a categoria considera insuficientes, mantendo parte do ônus sobre os trabalhadores ou vinculando a solução a concessões em outras cláusulas do ACT.
Detalhamento dos Planos Afetados
Os dois planos que concentram o déficit são da modalidade de Benefício Definido (BD), que são planos mais antigos e fechados para novos ingressos:
Plano Perfil Situação Atual
PPSP-R Repactuados Participantes que aceitaram mudanças no regulamento em 2006/2007.
PPSP-NR Não Repactuados Participantes que mantiveram o regulamento original, com regras de reajuste específicas.
Nota: Além da questão da Petros, a greve também reivindica um ganho real de salário acima da inflação (o pedido é de 9,8% contra a oferta da empresa de 5,66%) e melhorias nas condições de saúde e segurança nas unidades operacionais.
Petrobras descarta impacto da greve na produção de petróleo e derivados
A estatal afirma que adotou medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações e ressalta que o abastecimento ao mercado está garantido. Durante greves, trabalhadores passam operações para equipes de contingência da estatal para evitar ou reduzir impactos operacionais em refinarias e plataformas de petróleo.
As equipes de contingência da companhia foram mobilizadas onde foi necessário. Até o momento, não houve impacto na produção e o abastecimento ao mercado segue garantido, sem alterações.Petrobras, em nota
A petroleira afirma que está em negociação desde o final de agosto. A mais recente proposta teria sido apresentada na última terça-feira (16). "A companhia respeita o direito de manifestação dos empregados e se mantém aberta ao diálogo com as entidades sindicais", diz a petroleira, em nota.
A petroleira afirma que está em negociação desde o final de agosto. A mais recente proposta teria sido apresentada na última terça-feira (16). "A companhia respeita o direito de manifestação dos empregados e se mantém aberta ao diálogo com as entidades sindicais", diz a petroleira, em nota.
Fonte: Estadão, UOL e Aposentelecom (21/12/2025)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".