quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Idosos: Viver mais foi uma conquista, viver mais e melhor é ainda obra em construção, esse é o desafio da longevidade



A média de vida dos brasileiros alongou 31,1 anos em nove décadas; as projeções indicam que, em quatro décadas, vai superar os 80 anos

Uma boa notícia foi divulgada pelo IBGE. A expectativa de vida dos brasileiros aumentou, e aumentou muito. Era de 45 anos em 1940, subiu para 62,5 em 1980 e em 2024 chegou a 76,6 anos. Há diferenças por gênero: a expectativa para os homens é de 73,3 anos e para as mulheres, 79,9 anos. A média de vida dos brasileiros alongou 31,1 anos em nove décadas. Além disso, as projeções indicam que, em quatro décadas, vai superar os 80 anos.

A explicação, ou o mérito, está nos indicadores econômicos e sociais do Brasil, principalmente a saúde pública. Esses índices apontam para uma forte redução de doenças como sarampo, poliomielite, difteria e tétano.

Mostram também aumento da cobertura vacinal, melhoras no saneamento básico, avanços na medicina e no acesso à saúde e controle do tabagismo (o Brasil foi um dos países que mais reduziram o consumo de cigarros).

Há mais desafios. Além de expandir o saneamento básico, a violência urbana e acidentes de trânsito demandam foco, assim como a prevenção de obesidade e doenças associadas a ela.

A solidão de idosos é uma epidemia silenciosa, que aumenta o risco de doenças neurocognitivas e requer programas específicos. O objetivo é que a vida mais longa seja acompanhada de uma vida melhor.

O gargalo é a Previdência Social: a população brasileira não cresce há cinco anos, com óbitos acima de nascimentos. Em 1980, havia 8 contribuintes ativos por idoso beneficiado. Essa relação caiu para 2,3 em 2023 e, nessa marcha, em 2060, haverá 1,4 contribuinte por idoso.

Uma reforma previdenciária precisa incluir milhões de pessoas que atuam em profissões que surgiram com a tecnologia. Por exemplo, os trabalhadores por aplicativos.

Ainda há um longo caminho a percorrer para o Brasil alcançar a longevidade de outros países. No continente, o Chile já exibe uma expectativa de vida de 81,1 anos. No outro extremo do planeta, a Coreia do Sul atingiu 84,4 anos.

No entanto, a faixa de 76,6 anos é uma conquista a celebrar em um país com os níveis de desigualdade do Brasil. A longevidade permite que as pessoas trabalhem por mais tempo.

Há habilidades profissionais que se tornam obsoletas e outras, novas, que são requeridas. Portanto, a inclusão de aperfeiçoamento e atualização educacional são pontos obrigatórios na vida das pessoas, não importa a idade.

O desafio agora é estrutural: como tornar a longevidade melhor para todos. Viver mais foi uma conquista, viver mais e melhor é uma obra em construção.

Fonte: Estadão (14/12/2025)

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