sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Planos de Saúde: Quanto vai subir o custo da saúde privada no Brasil neste e nos próximos 3 anos? Projeção é alarmante

 


Levantamento de empresa global revela que ritmo de alta dos preços de consultas, medicamentos e internações vem sendo de dois dígitos no país

Os preços de serviços de saúde no Brasil, que incluem consultas, exames, cirurgias, medicamentos e planos de saúde vão fechar 2025 com alta de dois dígitos, ou seja, acima dos 10% e da inflação (que deve terminar este ano em torno de 4,5%).

Esse é o resultado do levantamento Global Medical Trends, da corretora internacional Willis Towers Watson (WTW), obtido pelo GLOBO. Os dados são mais alarmantes porque indicam que esse movimento de alta da inflação médica deve se repetir pelo menos nos próximos três anos.

O estudo mostra que a inflação médica no Brasil deve fechar em 11,1% neste ano e bater em 11% em 2026. A inflação média dos serviços médicos esperada para a América Latina (onde o Brasil é o maior mercado), em 2026, é igualmente alta: 11,9%.

Combinação de fatores

Um ponto que chama a atenção na pesquisa é que os aumentos dos custos médicos persistirão nos próximos anos. Nas Américas, incluindo o Brasil, 34% das seguradoras consultadas pelo levantamento acreditam que as tendências de alta continuarão pelos próximos dois e três anos anos.

Já para 50% dos entrevistados, essas altas devem permanecer por mais de três anos, mantendo o ritmo de alta de dois dígitos. Vários fatores impactam a alta dos preços.

— A alta do dólar afeta o custo dos insumos hospitalares, dos medicamentos. Temos desperdício, já que a utilização do plano fica a cargo do beneficiário, e além disso muitos profissionais de saúde pedem vários exames de modo indiscriminado e com prazo muito curto entre um exame e outro — explica Walderez Fogarolli, diretora de benefícios da WTW.

Tecnologia encarece medicina

Outro fator que impacta os preços da saúde privada é o desenvolvimento e uso de novas tecnologias para o setor, que não eliminam as antigas, mas sobrepõem custos.

Walderez lembra que, recentemente, foi aprovada pela Agência Nacional de Saúde (ANS) a cirurgia robótica de próstata, que até agora não era coberta pelos planos. Ela cita ainda os medicamentos de alto custo, especialmente os oncológicos (para tratamento de câncer) como fator de pressão sobre a inflação do setor.

As canetas emagrecedoras, embora já venham dando um impacto relevante de custos em outros países, no Brasil ainda não aparecem como fator de pressão, mas devem se tornar um item a mais no aumento dos custos se o uso pela população continuar aumentando. Por outro lado, há a perspectiva no país para que genéricos sejam produzidos com custos mais baixos.

Sistemas de saúde pública fragilizados também estão impulsionando o aumento dos custos na rede privada, com o aumento da demanda, lembra a especialista.

Câncer vem impactando aumento dos custos

A pesquisa da WTW também detalhou quais serviços médicos vão pressionar a inflação médica em 2026. De acordo com o levantamento, na América Latina, incluindo o Brasil:

  • gastos com farmacêutica lideram, com alta de 10,5%;
  • consultas médicas, com 10,1%;
  • internação hospitalar, com 9,1%;
  • e atendimento ambulatorial/clínica médica básica, 9%.

Considerando as doenças que mais impactam os custos de saúde nas Américas, incluindo o Brasil, a lista fica assim:

  • câncer (69%);
  • Doenças cardiovasculares (52%);
  • diabetes (37%);
  • e saúde comportamental (33%).

Walderez Fogarolli lembra que o câncer de mama é o tipo que cresce mais rapidamente em termos de incidência, mas aparecem em alta também casos de câncer colorretal e de próstata. Três quartos das seguradoras pesquisadas relataram aumento da incidência de cânceres na população com menos de 40 anos.

Como é feita a pesquisa

A Pesquisa Global de Tendências Médicas acompanha informações sobre custos médicos, seus fatores determinantes e como estão sendo gerenciados, fornecidas pelas principais seguradoras globais. Foram consultadas 346 seguradoras representando 82 países. Mas a base da pesquisa contém também informações de 139 corretoras da WTW para 54 países. Os dados combinados abrangem 91 países.

Para minimizar o efeito do tamanho do mercado e das variações cambiais, a pesquisa utilizou o PIB per capita como fator de ponderação. Metade das seguradoras consultada cobre mais de 100.000 vidas e seus negócios abrangem pelo menos 20% do mercado. O levantamento foi feito entre junho e julho deste ano e é anual.

As seguradoras têm ajudado seus clientes a gerenciarem gastos por meio de compartilhamento de custos (coparticipações) e limites de serviços, por exemplo. Apesar dos aumento de custos, mostrou o levantamento, os empregadores estão buscando expandir seus benefícios, especialmente para fertilidade, saúde mental e comportamental e modernização da administração.

A cobertura das canetas emagracedoras, entretanto, ainda é rara globalmente, onde apenas dois em cada cinco afirmam que está coberta em seus planos.

IA é subutilizada

O uso de Inteligência Artifical (IA) ainda é baixo em programas de saúde, mas muitas seguradoras esperam incorporar essa tecnologia nos próximos três anos. Os maiores investimentos em IA, por enquanto, estão sendo direcionados para a administração de planos. Espera-se que a IA reduza custos a longo prazo, após um investimento inicial para a implementação. Atualmente 17% das seguradoras usam IA e em dois anos a expectativa é que sejam 37%.

— A IA pode ajudar a melhorar a comunicação da seguradoras com os usuários. Um dos problemas do cliente com a rede da operadora é a falta de comunicação. Então, é ensinar esse usuário a utilizar a rede da melhor maneira possível — explica a especialista da WTW.

Fonte: O Globo (18/12/2025)

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