terça-feira, 28 de junho de 2022

Idosos: Saúde do coração é afetada diretamente por emoções e sentimentos



Médico especialista em medicina de estilo de vida lança livro 'Os 7 inimigos do coração'

São perigos silenciosos e impensáveis que influenciam a integridade do órgão

Ao pensar nos riscos de um infarto, das doenças do coração, na maioria das vezes as pessoas relacionam ao excesso de gordura, sedentarismo, fumo, hipertensão, diabetes, colesterol alto, enfim, as causa mais comuns e largamente divulgadas. Todos deveriam estar atentos a elas. No entanto, há muitas outras que provocam os mesmos perigos que muitos nem sequer imaginam. Luiz Fernando Sella, médico especialista em medicina de estilo de vida, que acaba de lançar o livro Os 7 inimigos do coração, pela Editora Rituaali, ensina que emoções e sentimentos afetam a saúde física e emocional do coração: raiva, ganância, inveja, egoísmo, mentira, culpa e vaidade são os chamados sete inimigos do órgão.

Luiz Fernando Sella, diretor-médico do Rituaali, centro de bem-estar e saúde localizado em Penedo, no interior do estado do Rio de Janeiro, trouxe para os holofotes um coração mais subjetivo e, muitas vezes, ignorado pelos médicos: aquele que sofre com emoções e sentimentos, traições, orgulho, alegria e tristeza, paixão e amor. “Esses fatores afetam a saúde física, emocional e os relacionamentos interpessoais. A raiva, por exemplo, está ligada à produção de hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina, que são lançados na circulação e causam efeitos adversos no organismo. Estudos mostram, inclusive, que podem causar infarto.”

Depois de um episódio de intensa raiva, Luiz Fernando explica que a chance de um ataque cardíaco aumenta em mais de oito vezes. “Tenho exemplos reais de pessoas que enfartaram depois de uma descarga de grande raiva. Atendi um paciente com fibromialgia e descobri que a causa estava na raiva. Ele sofria ainda de insônia, era ansioso e teve crises de pânico.”

Mas para tudo, garante o médico, há solução. “Assim como uma coronária leva décadas para entupir, seu coração não ficou assim do dia para a noite. E não será curado do dia para a noite. É preciso mudar os hábitos, coisa que leva tempo e repetição. Mas garanto que será altamente recompensador.”

ANTÍDOTO

Pelo menos, Luiz Fernando garante que é possível prevenir. “Cada um dos inimigos do coração que cito no livro tem o seu antídoto. A culpa, por exemplo, pode ser curada com o perdão. A inveja e a ganância podem ser remediadas com a gratidão e a generosidade, respectivamente. Sempre recomendo aos meus pacientes que, para manter um coração saudável, é preciso também praticar a gratidão e a generosidade. Se pudesse, muitas vezes, prescreveria o perdão e não remédios.”

A culpa, carregada por muitos, pode levar à depressão, doença cada vez mais presente no mundo. “A depressão tem inúmeras causas e os conflitos emocionais não resolvidos podem ser um fator desencadeante de um episódio depressivo. Em especial, algumas pessoas sentem vergonha de si mesmas por algo errado que fizeram. Esse sentimento de vergonha pessoal leva ao isolamento, à solidão, à autodepreciação e favorece um transtorno depressivo.”

Luiz Fernando diz que, apesar de tais sentimentos serem comandados pelo cérebro, eles afetam o coração. “O cérebro é o órgão de comando do corpo. Quando a mente e as emoções não andam bem, o corpo responde da mesma forma. Esse é o princípio da psicossomática, área da ciência que estuda a relação entre a mente, o corpo e as doenças físicas causadas ou agravadas por transtornos emocionais.”

Os 7 inimigos do coração

Autor: Luiz Fernando Sella

Editora: Rituaali

Páginas: 136,

Preço sugerido: R$ 34,90

 Perdoar é essencial

Ser generoso e falar sempre a verdade são atitudes que influenciam diretamente o seu estado de saúde, pois lhe dão a sensação de paz, o que faz bem ao coração

Além do perdão, o que mais pode aquietar o coração? Conforme Luiz Fernando, perdoar os outros e a si mesmo (é o fundamental e essencial na vida). Além de ser grato pela vida, aprender a ser mais generoso e a falar a verdade. “Tudo isso faz você deitar a cabeça no travesseiro sentindo-se em paz” e o coração continuar a bater forte e saudável.

É preciso aprender a viver, principalmente em tempos caóticos, estressantes, com o país em crise, famílias desestruturadas e falta de dinheiro… Parece ser quase impossível ficar em paz, buscar o equilíbrio e encontrar a harmonia sem que tanto desgaste afete o coração. Mas o médico avisa que é preciso manter a cabeça no lugar, cuidar do corpo por meio de um estilo de vida saudável, com uma boa alimentação, praticar exercícios físicos, dormir adequadamente etc. “Desenvolver a fé e a espiritualidade também são fatores importantes na manutenção do equilíbrio emocional.”

Outra dica é procurar sorrir. “Claro que sim. O sorriso é uma terapia, libera endorfina e serotonina, os hormônios da felicidade. Sorrir é contagioso. Experimente sorrir para os outros, mesmo sem nenhum motivo. Você vai ver como as pessoas respondem da mesma forma.” Luiz Fernando lembra que, geralmente, procuramos as causas das doenças nos exames médicos e nos hábitos de vida, como má alimentação, excesso de trabalho etc. Mas ele alerta que é preciso lembrar também da mente, das emoções e dos relacionamentos afetivos. “Eles podem ser fonte de saúde ou de doença, depende de como você lida com os inimigos do seu coração. É importante que as pessoas entendam que medicamentos em geral, calmantes e ansiolíticos não resolvem no longo prazo. Você sabia que é possível reverter doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, com a adoção de um estilo de vida saudável que inclui alimentação balanceada, exercícios físicos e controle do estresse?”

Sentimentos podem ser destrutivos

Raiva

» A Harvard School of Public Health (HSPH) adverte que o risco de infarto (ataque cardíaco) aumenta em cinco vezes nas duas horas que se seguem um ataque de raiva.

» Ativa dentro de nós o sistema de alerta que produz adrenalina, cortisol e outros hormônios associados ao estresse. Isso faz aumentar a pressão arterial e acelerar nossa frequência cardíaca, aumentando o risco de doenças cardiovasculares a longo prazo, como os infartos e derrames. Como dizia o Dr. Adib Jatene, grande cardiologista brasileiro e ex-ministro da Saúde: “O trabalho não mata ninguém. O que mata é a raiva… porque isso provoca a liberação de hormônio, vasoconstrição e hipertensão”.

» Causa aumento da produção de ácido no estômago, o que pode levar a uma gastrite e refluxo.

» Tensão muscular também acompanha a raiva, o que pode gerar dores musculares, especialmente na lombar e cervical. Outra consequência é a dor de cabeça tensional e o bruxismo.

Culpa

» Pode ser destrutiva quando não encontra válvulas de escape apropriadas. Algumas pessoas respondem com hostilidade, incluindo atos de violência aberta (brigas, violência doméstica, violência contra a mulher, agressão a crianças, jogar coisas, quebrar objetos). Outras respondem de forma mais passiva, com isolamento social. Alguns guardam rancor e ressentimento, sofrendo em silêncio.

» Estudos apontam que pessoas com raiva podem cometer erros e se enganar com facilidade, uma vez que a raiva causa perda na capacidade de automonitoramento e auto-observação. Ou seja, perdemos o controle de avaliar objetivamente as nossas atitudes.

» Pode levar à depressão. Mais de 80% das pessoas com depressão têm sentimentos de culpa ou outros sentimentos semelhantes, como vergonha e autocrítica.

» O sentimento de culpa também está associado com o aumento dos níveis do hormônio cortisol, que causa diminuição da imunidade, com consequente aumento da predisposição a infecções, como gripes, resfriados, infecções de garganta etc.

» Pode levar ao vício, abuso de álcool e drogas. Algumas pessoas sentem que usar álcool e drogas alivia os sentimentos de culpa, pelo menos momentaneamente. Algumas pessoas com câncer sentem muita culpa, por vários motivos: por não ter percebido os sintomas antes, por se tornar um fardo aos familiares, pelo corpo não ter reagido bem ao tratamento, por maus hábitos ao longo da vida que podem ter influenciado o surgimento do câncer, pelos gastos financeiros com o tratamento, por terem sido curadas, enquanto outras pessoas faleceram. Muitas mães sentem culpa por não conseguir amamentar seus bebês. Isso prejudica a saúde emocional da mãe.

Ganância

» Trabalhando em excesso para acumular mais e mais, o ganancioso tem problemas para gerenciar o tempo, não conseguindo encontrar tempo para dormir, praticar atividades físicas, passear com a família, descansar, fazer as refeições nas horas certas.

» Causa de ansiedade: o ganancioso fica ansioso e inquieto para conquistar seus alvos materiais.

» Dados de estudos epidemiológicos revelam que dormir menos que cinco horas por noite aumenta o risco de mortalidade em aproximadamente 15%. Falta de sono está relacionada a aumento do risco de diabetes, aumento da inflamação, ganho de peso, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, baixa imunidade, irritabilidade, tristeza e esgotamento mental.

» Relacionamentos: a ganância faz com que as pessoas deem mais importância às coisas do que às pessoas, o que leva a prejuízo nos relacionamentos.

Fonte:  Saúde Plena (01/08/2017)

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