quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Previdência Privada: Empresas nunca ofereceram tanto plano de previdência privada (V/PGBL) ao trabalhador. Vale a pena?



Cada vez menos planos de fundos de pensão são oferecidos aos trabalhadores 

A fatia de empresas que oferecem esse tipo de produto aos funcionários aumentou de 51% em 2023 para 53% em 2025, a maior parcela da série histórica de um estudo da consultoria Mercer

As empresas nunca ofereceram tanto plano de previdência privada aos seus trabalhadores no Brasil quanto agora. A fatia de empresas que oferecem esse tipo de produto aos funcionários aumentou de 51% em 2023 para 53% em 2025, a maior parcela da série histórica de um estudo da consultoria Mercer, que contabiliza os dados desde 2019. Nas organizações, o investimento é uma estratégia para atrair, motivar e reter os profissionais, enquanto para os empregados é uma das aplicações que mais valem a pena, de acordo com os especialistas.

Os planos de previdência privada disponibilizados pelas companhias, chamados de “coletivos”, “corporativos” ou “empresariais” também, são aqueles em que a contribuição é descontada da folha de pagamento do trabalhador. A maioria dos empregadores contribui com o benefício, ou seja, a cada R$ 1 investido pelo profissional, a empresa contribui com mais R$ 1 ou com um pedaço desse valor, o que torna a aplicação ainda mais vantajosa. Qualquer outro investimento, por mais rentável que ele seja, dificilmente se igualaria a esse patrimônio, que dobra com o aporte de 1 (do empregado) por 1 (do empregador).

Atualmente, 2,3 milhões de brasileiros contam com um investimento desse tipo, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). Já o número de planos soma 2,8 milhões, um volume maior, porque frequentemente o empregado deixa a companhia, mas mantém o plano na organização antiga e adere à previdência também no trabalho novo.

O levantamento da Mercer, realizado com 1.007 médias e grandes empresas que empregam 5 milhões de brasileiros, mostra que os planos de previdência privada ainda são bem menos populares do que outros benefícios, como assistência médica, oferecida por 99% das organizações, seguro de vida, ofertado por 96% dos negócios, e assistência odontológica, proporcionado por 95% das empresas. Contudo, os planos de previdência privada já são mais comuns do que benefícios como “check-up” (43%) e medicamentos (34%).


Como custam caro para as companhias, entre os empregadores que não oferecem planos de previdência privada, metade (51%) ainda afirma que não deve implementar. Mas olhando para a metade cheia do copo, metade (49%) das companhias planeja oferecer esse investimento: 37% das empresas devem disponibilizar os planos em até três anos e 12%, em até um ano.


O estudo aponta que, dentro das empresas, as entidades fechadas de planos de previdência privada (os chamados fundos de pensão), que oferecem os investimentos apenas aos empregados dos negócios, estão perdendo espaço para as seguradoras, abertas para as aplicações de qualquer um, em planos conhecidos como PGBLs (Planos Geradores de Benefício Livre) e VGBLs (os Vidas Geradores de Benefício Livre).

Dentro das empresas que oferecem os planos aos trabalhadores, a maioria (66%) dos produtos são de seguradoras, percentual que cresceu ante os 60% de dois anos atrás. Somente 18% dos planos são de entidades fechadas multipatrocinadas, que oferecem os produtos aos trabalhadores de várias organizações. Apenas 16% são de entidades fechadas próprias, que oferecem planos aos funcionários de uma empresa exclusivamente.

As companhias aceleraram o pé nos planos de previdência privada principalmente na pandemia, quando as empresas despertaram para a importância de oferecer programas de saúde mental e física aos empregados, afirma Tiago Calçada, diretor da área de investimentos da Mercer. Na análise dele, a tendência veio para ficar, porque está evoluindo nas organizações a percepção de que os problemas financeiros ajudam a piorar a saúde mental dos funcionários e, consequentemente, diminuem a produtividade dos profissionais.

“Um empregado estressado financeiramente passa dez horas por semana pensando em problemas financeiros no escritório. Na contramão, os funcionários que se sentem amparados financeiramente pelas organizações são cinco vezes mais propensos a evoluir na carreira”, diz. “Não adianta apenas aumentar o salário dos funcionários se a empresa não ajudar a administrar o dinheiro. Está evoluindo a percepção de que os planos de previdência privada são benefícios que geram valor tanto para a empresa quanto para o empregado.”

Na avaliação de Calçada, o envelhecimento da força de trabalho no Brasil também contribui para esse aumento da oferta de previdência privada. Os próprios funcionários começaram a demandar esses investimentos, pensando que viverão mais e que a aposentadoria será diferente. No lugar da cadeira de balanço para esperar o tempo passar, entraram novos projetos de vida.

Contudo, um dado que preocupa é que a maioria (63%) dos empregadores nunca revisou o plano, enquanto apenas 27% das empresas fizeram mudanças nos últimos cinco anos e 10% alteraram o benefício em períodos anteriores.

O diretor de investimentos da Mercer aconselha que as organizações revisem os planos com mais frequência e aumentem a diversificação dos fundos. A indicação é oferecer produtos de renda variável e de renda fixa, considerando que uma alocação diversificada em investimentos de maior e menor risco é mais indicada para o longo prazo. Geralmente a mesma seguradora que tem o convênio com a empresa oferece também produtos de gestoras independentes.

Calçada destaca também que mais companhias estão oferecendo os planos de previdência de formas diferentes. Algumas empresas estão trabalhando com o modelo de adesão automática, o que significa que, quando o profissional é contratado, automaticamente ele é incluído no plano de previdência em vez de precisar manifestar o interesse em aderir. Já outras organizações estão oferecendo esses benefícios como um bônus, quando a companhia supera uma meta determinada.

Amâncio Paladino, diretor estatutário da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), lembra que os planos de previdência privada se originaram nas empresas e que as companhias costumam oferecer mais esses investimentos quando a economia está aquecida e elas estão com bastante caixa. As maiores companhias têm incentivos fiscais para oferecer os planos.

Porém, Paladino ressalta um motivo a mais que acelerou o avanço da previdência nos últimos anos: os sistemas tecnológicos facilitaram a conexão entre as folhas de pagamento e as seguradoras e diminuíram os custos para as empresas.

“A troca de informações entre as empresas e as seguradoras está mais padronizada, confiável e barata, o que ajuda bastante na evolução dos planos”, afirma. “A oferta de previdência via seguradoras e não por meio de entidades fechadas [os fundos de pensão] também reduziu os custos para as companhias e é uma tendência em todo o mundo.”

O diretor estatuário da Fenaprevi concorda que as empresas estão entendendo melhor que oferecer a previdência ajuda a aumentar a eficiência dos empregados. “Boa parte da ineficiência dos profissionais vêm da preocupação com as finanças”, diz.

Vale a pena investir?

Os planejadores financeiros aconselham que os empregados invistam nesses planos se a empresa contribuir com algo além do aporte do funcionário, não importa o valor dessa contribuição feita pelo empregador. No melhor cenário, se a cada R$ 1 investido pelo trabalhador, a empresa contribuir com mais R$ 1, significa que a rentabilidade desse investimento será de 100%, no mínimo, sem contar os ganhos que o plano renderá e os benefícios fiscais da previdência.

“Os planos de previdência privada das companhias estão entre os melhores investimentos”, afirma Alessandro Moreira, planejador financeiro certificado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar). “Além de serem muito rentáveis por causa da contribuição da empresa, os planos incentivam a disciplina de longo prazo. O desconto na folha de pagamento gera um conforto psicológico no trabalhador, que não precisa fazer as contribuições por conta própria”, diz.

Contudo, ele indica observar as regras de saída do plano para não ser pego de surpresa ao sacar o recurso. O trabalhador pode resgatar o dinheiro acumulado pela contribuição individual a qualquer momento. Já o dinheiro aportado pela empresa pode ser retirado na saída da empresa ou na aposentadoria, mas às vezes só uma parcela fica disponível, dependendo do tempo de trabalho ou da forma de demissão (sem ou por justa causa).

Fonte: Valor Investe (11/08/2025)

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