A Previ decidiu reduzir em cerca de R$ 7 bilhões sua exposição em ações, saindo total ou parcialmente de 12 empresas — incluindo a BRF
A Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil (BBAS3), decidiu reduzir a exposição em renda variável em cerca de R$ 7 bilhões, diminuindo total ou parcialmente posições em doze companhias.
A BRF (BRFS3) já teve saída em curso que rendeu R$ 2 bilhões. O racional é direto, o retorno das ações — incluindo dividendos — ficou aquém do esperado frente ao custo atuarial, e a entidade vê melhor relação risco-retorno em NTN-B (Tesouro IPCA+) para imunização do passivo.
A direção afirma que todas as movimentações seguem a política de investimentos aprovada pela diretoria e pelo Conselho Deliberativo, e como parte das operações ainda está em execução, os demais nomes não foram divulgados.
Por que trocar ações por NTN-B agora
A troca privilegia títulos indexados à inflação com cupom real, que casam melhor com obrigações futuras do plano (benefícios corrigidos por índices de preços).
Ao alongar duration em NTN-B, a Previ busca reduzir mismatch entre ativos e passivos, suavizar a volatilidade dos resultados e ancorar a meta atuarial.
Em termos práticos, a decisão reduz a dependência de ciclos de bolsa e de distribuição de dividendos em um momento de incerteza doméstica e externa.
Do lado das ações, a venda tende a aumentar oferta pontual em papéis alvo — pressão que costuma ser transitória quando bem coordenada e comunicada.
Do lado da renda fixa, a demanda adicional por Tesouro IPCA+ pode melhorar liquidez na curva real e influenciar prêmios de risco de longo prazo.
Para investidores individuais, o movimento reforça a tese de diversificação, janelas táticas em bolsa podem ser utilizadas junto com alocação estrutural em NTN-B para objetivos previdenciários.
Resultado volta ao azul e supera a meta
Com patrimônio de R$ 267 bilhões, a Previ reporta que o Plano 1 reverteu perdas e registra superávit aproximado de R$ 1 bilhão em 2025, com ganho de R$ 4,1 bilhões no ano.
Em agosto, o rendimento foi de 1,84%, acumulando 8,97% em 2025 — acima da meta atuarial de 6,41% (INPC + 4,75%). A recuperação foi puxada por renda variável (+13,4%) e renda fixa (+7,3%); empréstimos (+6,4%) e imóveis (+3,2%) também contribuíram. Fundos estruturados (+20,8%) têm peso pequeno; exterior (-3,7%) cedeu.
No agregado até agosto, os investimentos somam R$ 19 bilhões de resultado: R$ 10,5 bi em renda fixa, R$ 7,7 bi em ações e R$ 0,8 bi em outras classes.
Após o déficit de 2024, investigação do TCU
A Previ fechou 2024 com déficit de R$ 17,6 bilhões após superávit de R$ 14,5 bilhões em 2023; o saldo comparável foi déficit de R$ 3,16 bilhões.
Nesse contexto, o TCU abriu levantamento — depois convertido em auditoria — sobre procedimentos de investimento e desinvestimento, indicação de conselheiros em empresas investidas e operações imobiliárias. Não há decisão do Tribunal até aqui.
A gestão atribui o vaivém de resultados à volatilidade de mercado e reforça que a realocação para NTN-B segue a estratégia previdenciária de longo prazo.
O que acompanhar daqui em diante
O timing e o ritmo das vendas (para mitigar impacto de preço), a duration média das novas NTN-B, o desempenho relativo versus meta atuarial e eventuais ajustes táticos caso o cenário de inflação/juros mude.
Para o mercado, interessa saber quais empresas — além de BRF — terão participação reduzida e como isso se traduz em governança (cadeiras em conselhos) e liquidez dos papéis afetados.
Fonte: Investidor 10 (10/09/2025)
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