segunda-feira, 22 de setembro de 2025

TIC: Big techs americanas chamam seus funcionários estrangeiros aos EUA às pressas diante de incerteza sobre visto



Empresas também avisaram colaboradores que têm autorização para trabalhar em solo americano para evitar saída do país

O setor de tecnologia e outras empresas correram para alertar funcionários com vistos H-1B (estrangeiros que não têm cidadania americana) sobre viagens ao exterior, em resposta ao caos criado pela decisão do presidente Donald Trump de impor uma taxa de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 540 mil) no pedido de adesão ao programa amplamente utilizado.

O setor de tecnologia é um dos que mais emprega estrangeiros nos EUA, que sempre atraiu talentos do mundo todo.

Microsoft, Alphabet (dona do Google), Amazon e outras empresas de tecnologia enviaram mensagens aos funcionários afetados pedindo que retornassem aos Estados Unidos no sábado e cancelassem quaisquer planos de deixar o país, depois que a Casa Branca informou na sexta-feira que as novas regras entrariam em vigor no domingo.

Um funcionário da Casa Branca esclareceu no sábado que a taxa afeta apenas novos vistos, não renovações ou detentores atuais, e será aplicada no próximo ciclo do sorteio.

Mais tarde, no sábado à tarde, uma conta oficial da Casa Branca no X publicou uma mensagem dizendo que o anúncio de Trump não se aplica aos detentores atuais de vistos. Acrescentou ainda: “A Proclamação não afeta a capacidade de qualquer detentor atual de visto de viajar de/para os EUA.”

Ainda assim, as incertezas em torno de como a mudança será aplicada e fiscalizada causaram confusão e consternação em toda a América corporativa, levando empresas e advogados de imigração a pedirem cautela aos detentores atuais de visto.

A Microsoft disse a seus funcionários que entende que “esses desdobramentos estão criando incerteza para muitos de vocês”. E acrescentou: “Embora não tenhamos todas as respostas no momento, pedimos que vocês priorizem as recomendações acima.”

Mudanças geram apreensão

Vários portadores de visto disseram que as mudanças são perturbadoras e angustiantes. Lawrence, de 34 anos, estava prestes a se mudar do Reino Unido para a Bay Area (perto de São Francisco, Califórnia) na segunda-feira para começar seu novo trabalho em engenharia.

Quando a ordem executiva foi assinada, ele já tinha tudo embalado, havia vendido seu carro, colocado sua casa para alugar e se despedido de todos os seus amigos e familiares no Reino Unido.

Lawrence, que não quer divulgar seu sobrenome nem o nome da empresa por medo de retaliação, foi orientado pelos advogados de imigração da companhia a permanecer no Reino Unido até que haja mais informações.

Um funcionário do Google, que pediu anonimato, descreveu ter cancelado uma viagem a Tóquio para visitar a família devido ao anúncio da Casa Branca.

A Amazon também alertou os portadores de vistos dependentes H-4 — concedidos a cônjuges e dependentes de titulares do H-1B — para permanecerem nos EUA.

O programa de vistos H-1B é amplamente utilizado pelo setor de tecnologia, que recorre ao programa para trazer trabalhadores qualificados do exterior. Empresas de finanças e consultoria também utilizam o programa.

As empresas com o maior número de vistos H-1B são Amazon, Tata, Microsoft, Meta e Apple, segundo o governo dos EUA. JPMorgan Chase e Walmart ocupam a 8ª e a 9ª posição, respectivamente, de acordo com dados oficiais.

Todos os anos, empregadores apresentam petições até março para participar do sorteio em abril, com 65 mil vistos disponíveis, além de 20 mil destinados a graduados de mestrado nos EUA. Em 2025, foram enviadas mais de 470 mil inscrições, e os trabalhadores aprovados podem começar em 1º de outubro.

A Ernst & Young orientou seus portadores de visto a retornarem aos EUA no sábado. “Nossa orientação contínua é limitar viagens internacionais sempre que possível, independentemente do tipo de visto”, dizia o e-mail, observando que novas mudanças e restrições de viagem são possíveis. As empresas se recusaram a comentar ou não responderam aos pedidos de comentário sobre suas orientações relativas a vistos.

O Walmart emitiu orientação semelhante em um memorando aos funcionários, acrescentando que continuava a “interpretar as mudanças recentes na política de vistos H-1B” e compartilhava recomendações “por excesso de cautela”. A empresa escreveu que, “até que a situação e a intenção da ordem executiva estejam claras”, recomendava que funcionários com esses vistos não deixassem os EUA.

Rakhel Milstein, advogada de imigração que fundou o Milstein Law Group, disse esperar “caos completo” após passar a noite inteira em ligações com portadores de visto de empresas de tecnologia, organizações sem fins lucrativos e outras companhias.

“Temos clientes que acabaram de receber seus carimbos de visto nos consulados na Índia, e agora vão receber o passaporte de volta na segunda-feira”, disse ela. “Isso significa que não poderão voltar?”

Milstein afirmou esperar que a nova política seja contestada imediatamente na Justiça e que uma liminar rápida seja provável.

Fonte: O Globo (21/09/2025)

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