quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Fundos de Pensão: Previ diz que conseguiu zerar déficit em agosto



Fundo é alvo de auditoria do TCU desde abril

A Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (BB), conseguiu rentabilidade no Plano 1, o maior e mais antigo, de 8,97% no ano até agosto, acima da meta atuarial de 6,41%, segundo dados preliminares anunciados ontem pela instituição. De acordo com Marcio de Souza, diretor de administração, com o resultado, o déficit de R$ 3,16 bilhões registrado no plano no fim de 2024 deverá zerar ou virar superávit de R$ 1 bilhão, dependendo do INPC fechado de agosto, a ser divulgado pelo IBGE amanhã. Em julho, ele já havia caído para R$ 2,7 bilhões. 

O déficit é alvo de auditoria por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) desde abril, após o órgão identificar o que chamou de “indícios de irregularidades”, diante da drástica queda da rentabilidade do Plano 1. O déficit de R$ 3,16 bilhões é o saldo entre o superávit de R$ 14,5 bilhões de 2023 e o déficit de R$ 17,7 bilhões de 2024. O Tribunal informou ontem ao Valor que ainda não há resultado da auditoria. 

João Fukunaga, presidente da Previ, afirmou ao Valor que o primeiro relatório do TCU confirmou que a entidade vem seguindo à risca a política de investimentos estabelecida pelo comitê da Previ, formada por membros indicados e eleitos. “Temos interesse em que o TCU verifique tudo. Já somos fiscalizados em tempo real pela Previc [Superintendência Nacional de Previdência Complementar]”, disse Souza. 

Nas previsões, a Previ considera as projeções de mercado para o INPC de agosto, que vão de -0,31% a 0,29%. Cláudio Gonçalves, diretor de investimentos da Previ, frisa que, embora positivo, o resultado teve influências negativas de posições em renda variável que a fundação mantém em carteira, caso de Vale, que sobe abaixo do Ibovespa (18%) neste ano, Petrobras e do próprio Banco do Brasil, que especialmente após o último balanço trimestral sofreu forte impacto em suas ações. 

Temos interesse que o TCU verifique tudo. Já somos fiscalizados em tempo real pela Previc” — Marcio de Souza 

“A Vale sobe neste ano cerca de 10%, mas continua com balanço sólido, assim como Petrobras, que vem pagando bons dividendos e tem potencial de valorização maior”, afirmou Souza. Ele destacou o desempenho de Neoenergia, com mais de 50% no ano e Vibra e Itaú Unibanco, com 45%. 

No geral, a fatia de renda variável do Plano 1 rende 13,4% até agosto e a de renda fixa, 7,3%, com grande concentração em NTN-Bs. Dos R$ 155 bilhões em renda fixa, R$ 22 bilhões - caixa livre mínimo mantido pela fundação, equivalente a um ano de benefícios pagos - estão marcados a mercado, ou seja, flutuam conforme o dia a dia do mercado e, portanto, sofrem maior volatilidade. “Em 2024, essa parcela caiu R$ 1 bilhão e se recuperou”, exemplificou Souza. 

Segundo o diretor de administração, a Previ vem fazendo nos últimos anos a imunização da carteira do Plano 1 e só neste ano foram R$ 7 bilhões em renda variável vendidos e reinvestidos em NTN-Bs pagando em média 7,35% marcadas na curva, ou seja, considerando que serão carregadas até o vencimento. Entre 2024 e 2025, mais de R$ 19 bilhões investidos em títulos públicos, conforme os dados da fundação. 

A estratégia de imunização prevê que a parcela em renda variável do Plano 1, que já foi de 59% em 2012, e hoje está em 26%, chegue a 25% em 2031. Já a de renda fixa saiu de 32% em 2012, está a 64% e chegará a 66% em seis anos. As demais classes, que incluem estruturados e aplicações no exterior, por exemplo, ficam quase estáveis: estão em 10% e caem a 9% em 2031. “Estamos fazendo um remanejamento de portfólio também em renda variável. Saímos de Ambev, por exemplo, e compramos Vibra, uma estratégia que está fazendo sentido”, afirmou Gonçalves. 

A Previ tem cerca de 200 mil associados, sendo 106 mil no Plano 1, de benefício definido, e 87 mil no Previ Futuro. No Plano 1 a maior parte já recebe aposentadoria ou pensão e, no Futuro, dos 87 mil do total, 82 mil estão na ativa. Como o Plano 1 está “amadurecendo”, disse o diretor, a cada ano será preciso vender mais ativos para pagar benefícios. 

O Plano 1 tem patrimônio de R$ 230 bilhões e o Futuro, de R$ 38 bilhões. O Previ Futuro é um plano de contribuição variável que vira de benefício definido depois que o participante de aposenta. Tem R$ 26,3 bilhões em renda fixa, R$ 5 bilhões em renda variável e R$ 6,4 bilhões nos demais investimentos (exterior, estruturados, empréstimos a participantes e imóveis). 

Fonte: Valor (09/09/2025)

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