segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Patrocinadora Sistel: CPQD avança com tecnologia blockchain para Identidade Descentralizada (CPQD iD), que previne golpes e fraudes na internet



Sistema deve acelerar processos de negócios, como empréstimos ou financiamento imobiliário, e reduzir custos de identificação

Capaz de prevenir golpes e fraudes cibernéticas e reduzir os custos das empresas com comprovação de identidade, estimados em R$ 104 bilhões anuais, a identidade digital descentralizada (IDD) vem atraindo e sendo alvo de projetos de algumas corporações brasileiras. É o caso do CPQD, do Bradesco e do Serpro. 

“A IDD se opõe ao modelo de processamento centralizado, preponderante no Brasil, e se apoia no blockchain. Trata-se de uma tecnologia descentralizada, segura, imutável e auditável, com dados em computadores espalhados pelo mundo inteiro”, explica Raul Ikeda, professor do Insper. 

Qualquer nó do blockchain - computador da rede que armazena dados, valida e processa informações - está habilitado a atestar se uma identidade existe ou não. Dessa forma, não há dependência de órgãos centralizadores, como cartórios, bancos e órgãos governamentais, para se comprovar a veracidade de uma identidade. Isso porque o dono dos dados é o próprio indivíduo. É ele que atualiza a rede blockchain ao compartilhar suas informações com quem deseja. 

De acordo com Renata Petrovic, head de inovação do Bradesco, no futuro, com o uso da tecnologia, caberá aos clientes apresentar suas credenciais para acessar a rede, e aos bancos verificar no blockchain se aquela credencial é válida. “Tudo isso sem a necessidade da solicitação de documentos originais por parte das instituições financeiras. Isso contribuirá para a eficiência das transações e para a diminuição dos custos de validação dos dados”, assinala Petrovic. 


Entretanto, para acelerar processos de negócios, como pedidos de empréstimos ou financiamento de um imóvel, e reduzir custos de identificação, a tecnologia de blockchain precisa ser bem empregada. “No CPQD temos o cuidado de registrar não só chaves criptográficas como também a estrutura dos dados na rede blockchain, mas não as informações pessoais em si. Dessa forma, garantimos a conformidade com a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados] e o direito ao esquecimento”, diz Andreza Lona, gerente de soluções blockchain do CPQD (foto ao lado). 

Não são somente as identidades digitais descentralizadas capazes de ser sustentadas pelo blockchain. Os processos de KYC, sigla para Know Your Customer, (“conheça seu cliente”, em tradução livre), também empregam essa tecnologia. Exigidos por lei, eles são usados para verificação de identidade e, com isso, para prevenção de fraudes, lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. 

“Esses processos avançam, principalmente, no setor financeiro, porque está cada vez mais difícil identificar pessoas sem o blockchain, em razão dos inúmeros golpes cibernéticos que vêm acontecendo no mundo. O modelo de identificação usuários versus senhas, armazenado num banco de dados centralizado, está ultrapassado”, diz Flavio Gaspar, CPO da Topaz, empresa do Grupo Stefanini especializada em soluções financeiras digitais. 

O uso do blockchain na Carteira de Identidade Nacional (CIN), desenvolvido e implantado pelo Serpro, em parceria com a Receita Federal, é um exemplo de sucesso de identificação com a adoção da tecnologia -- ou seja, de identidade digital descentralizada. Integrada à plataforma gov.br, já está disponível em todos os Estados da federação. A CIN é capaz de eliminar fraudes e duplicidade de documentos, centralizando o CPF como documento de referência. Antes da CIN era possível a um indivíduo emitir até 27 identidades diferentes, uma por Estado. “A nossa proposta, ao usar o blockchain, foi criar um documento seguro, sem chances de ser adulterado. 

A CIN possui essas características”, afirma Wellsiner Brito, superintendente de arquitetura corporativa, plataformas inteligentes e engenharia de nuvem do Serpro. 

A operadora de planos de saúde MedSênior e seu hub de inovação MilSênior também aderiram à identidade digital descentralizada. O uso dessa tecnologia é fruto de um acordo de cooperação técnico-científica com o CPQD, que prevê desenvolvimento de aplicações relacionadas ao prontuário eletrônico, envolvendo atividades como realização de consultas, prescrição digital de receitas e compra de medicamentos, além de pedidos e realização de exames e consulta de retorno. 

“A solução irá permitir evoluções para a interoperabilidade com outras empresas de saúde suplementar e também com o SUS [Sistema Único de Saúde]”, afirma Lona, do CPQD. 

O Bradesco vem desenvolvendo um projeto-piloto de identidade descentralizada, que utiliza blockchain. “O objetivo é transformar a forma como os clientes gerenciam e compartilham suas informações, proporcionando a eles segurança, agilidade e autonomia. A iniciativa elimina a necessidade de múltiplos cadastros e senhas, simplificando processos para aquisição de produtos”, conclui Petrovic, a head de inovação do banco. 

O blockchain é combinado com outras tecnologias, como HSM (Hardware Security Modules), para armazenamento seguro de chaves criptográficas, biometria com detecção de vida e outros mecanismos de segurança já presentes no aplicativo do banco. Essa arquitetura reduz a exposição dos dados pessoais, evita duplicidade de cadastros e garante a conformidade com normas como a LGPD. O resultado é uma jornada mais fluida e segura, para melhorar a experiência do cliente.

Fonte: Valor (26/09/2025)

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