Renovação dos conselhos é palavrão na maioria das entidades de Previdência Complementar, inclusive na Sistel
Pesquisa aponta que idade média dos novos conselheiros caiu de 58 anos, em 2021, para 55 anos entre os que ingressaram nos “boards” em 2024.
Diante de desafios crescentes com a inteligência artificial (IA), a cibersegurança e a transformação digital, empresas brasileiras de capital aberto estão rejuvenescendo suas cadeiras nos conselhos de administração.
Dados da pesquisa “2025 Board Monitor - Brazil Snapshot”, realizada pela consultoria Heidrick & Struggles e obtida com exclusividade pelo Valor, mostram que a idade média dos novos conselheiros caiu de 58 anos, em 2021, para 55 anos entre os que ingressaram nos “boards” em 2024. Parece pouco, mas reflete uma mudança importante de mentalidade: há uma busca ativa por perfis mais atualizados, com maior familiaridade com tecnologia.
“Há uma tendência de rejuvenescimento do conselho”, afirma Marcos Macedo, sócio da Heidrick & Struggles para o escritório de São Paulo. “Todo mundo sabe que na velocidade que a inteligência artificial está se desenvolvendo, ela vai ocupar posição relevante nas empresas. Se a [possível] substituição de mão de obra será uma vantagem competitiva, isso ainda não está claro, mas tem que prestar atenção agora”. E são essas decisões que estão na mesa do conselho atualmente.
Nesse sentido, pontua Natasha La Marca, sócia da Heidrick & Struggles para o escritório de São Paulo, muitas organizações também estão chamando “advisors” que possam aconselhar sobre temas relacionados à IA. “Tanto para apoiar o conselho quanto a liderança na operação”, diz.
Segundo o mapeamento, que analisou os entrantes nos conselhos das empresas do índice Ibovespa em 2024, a idade dos profissionais varia de 34 a 81 anos. Do total, 56% tinham até 54 anos. Mas, além do rejuvenescimento, também se nota valorização dos mais seniores: 38% já estavam aposentados quando foram convocados para a cadeira. Em 2024, 98 assentos foram preenchidos, e 52% das empresas fizeram novas nomeações.
Macedo comenta que, no Brasil, o ritmo de substituição dos membros dos conselhos é mais lento do que em outros países. Para ele, essa não é a estratégia ideal no mundo atual. “Há muito risco circulando para manter os mesmos perfis.”
Ainda de acordo com a pesquisa, apenas 20% das cadeiras são ocupadas por mulheres, 46% dos conselheiros já ocuparam cargo de CEO anteriormente e 12% foram CFOs (líderes da área financeira).
Além dos temas ligados à tecnologia, também está na agenda dos conselhos a sustentabilidade. Por isso, 32% dos membros dos boards têm experiência prévia em comitês de sustentabilidade. “Ela está vinculada ao risco, e vem ganhando cada vez mais tração”, diz La Marca.
Fonte: Valor (04/08/2025)


Nenhum comentário:
Postar um comentário
"Este blog não se responsabiliza pelos comentários emitidos pelos leitores, mesmo anônimos, e DESTACAMOS que os IPs de origem dos possíveis comentários OFENSIVOS ficam disponíveis nos servidores do Google/ Blogger para eventuais demandas judiciais ou policiais".