O presidente da caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), João Fukunaga, afirmou em entrevista ao Valor que o desempenho da instituição está em “completo equilíbrio” e dentro da estratégia desenhada.
Fukunaga afirma que foi pego de surpresa com a inclusão repentina da entidade na pauta do Tribunal de Contas da União (TCU) e atribui o evento a um movimento político que busca atacar sua gestão, o que “só gera barulho e prejudica os beneficiários.”
O ministro do TCU Walton Alencar Rodrigues pediu uma auditoria de urgência para apurar o resultado financeiro da entidade em 2024, citando um suposto “rombo de R$ 14 bilhões” entre janeiro e novembro do ano passado no Plano 1.
Segundo Fukunaga, apesar da desvalorização de determinados ativos, com impacto da ordem de R$ 14 bilhões, a Previ terminou novembro ainda com um superávit de R$ 528 milhões, o que demonstra um desempenho sólido. O executivo não comentou os resultados do ano completo devido ao período de silêncio. Os números finais, incluindo dezembro, serão divulgados em março.
Fukunaga explicou que, ao longo do ano passado, a instituição foi consumindo a “gordura” acumulada até 2023, quando fechou com um superávit de R$ 14,5 bilhões. Com essa desvalorização de cerca de R$ 14 bilhões, ainda restava, em novembro, um superávit de R$ 528 milhões. Mesmo que haja uma depreciação em 2024 com a inclusão de dezembro, o valor estaria longe de riscos e dentro dos padrões normais do plano.
“Mesmo com a desvalorização de alguns ativos, o fundo manteve o equilíbrio financeiro, pagando R$ 16 bilhões em benefícios ao ano”, disse.
Segundo Fukunaga, os investimentos do ano passado foram impactados pela variação dos preços de ativos, principalmente da Vale, empresa na qual a entidade detém 13% de participação, o que corresponde a cerca de R$ 27 bilhões investidos. Só no Plano 1 da Previ, o percentual de Vale na renda variável é de 42,44%. Este é o plano mais maduro da instituição, em que a maior parte dos participantes é de aposentados e pensionistas (mais de 104 mil), com só 3 mil funcionários na ativa. Por estar em fase de pagamento de benefícios, o plano busca previsibilidade, por isso vem em uma estratégia para migrar da renda variável para renda fixa — a chamada “imunização”, como mostrou o Valor na segunda-feira.
Fukunaga reforçou ainda que essas oscilações fazem parte da dinâmica do mercado e que o fundo continua sólido e bem estruturado para o longo prazo. Ele ainda disse que a Previ está “muito longe” de qualquer possibilidade de equacionamento, estratégia prevista na legislação quando uma entidade de previdência atinge certo nível de déficit, a ponto de precisar convocar os associados ou o patrocinador para o pagamento de parcelas extraordinárias.
O valor necessário para a Previ entrar em equacionamento seria um déficit acumulado de cerca de R$ 19 bilhões. De acordo com Fukunaga, o resultado acumulado em 2024 não se aproxima “remotamente” desse montante e ressaltou que a Previ nunca precisou fazer um plano para equacionar as contas em 120 anos de história.
“O que a Previ teve foram sucessivos superávits, que permitiram a distribuição de R$ 25 bilhões em valores da época na forma de benefícios entre 2006 e 2013”, destacou. Fukunaga lembrou ainda que, mesmo sem ter a obrigação, a Previ divulga mensalmente o desempenho dos planos que tem: “Sempre prezamos pela transparência”.
Quanto às questões políticas, lembrou que, desde sua nomeação em 2023, sofreu “ataques” de grupos divergentes dentro da instituição, que não apoiavam seu nome. Fukunaga foi afastado do cargo pela Justiça em 2023 e em 2024, sob alegações de que não cumpriria com os requisitos mínimos. Em ambas as vezes, as suspensões foram revertidas, com o entendimento de que não havia impedimento para a nomeação.
“A cada dois anos, você tem eleição na Previ e tem grupos que disputam a entrada”, disse, ao comentar que não atua sozinho na organização. “Eu sou indicado do banco, mas você tem três diretores, conselheiros, é uma gestão paritária, com uma governança muito bem estruturada.”
Fonte: Valor (06/02/2025)
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