Construção de patrimônio ao longo da vida é essencial para aposentadoria com folga
Veja as simulações do método para os salários de R$1.518,00, R$5 mil e R$10 mil
Com uma expectativa de vida cada vez maior, os brasileiros precisam se preparar para viver muitos anos dependendo do sistema previdenciário. No entanto, a contribuição para o INSS pode não ser o suficiente, sendo necessário um complemento extra: a famosa previdência privada. Com isso, diversos métodos para ajudar a entender o caminho das pedras sobre o assunto foram surgindo, como o método 1-3-6-9. O objetivo é dar uma ‘luz’ para os que estão se preparando para fazer o pé de meia, mas não sabem por onde começar.
A regra consiste em associar a idade da pessoa, em intervalos de 35 a 65 anos, com a reserva financeira necessária para não depender exclusivamente da previdência social. Pela regra, por exemplo, aos 35 anos seria necessário ter uma reserva financeira equivalente a 1 ano da renda mensal da pessoa.
Veja como funciona:
- 1 da regra: significa que aos 35 anos de idade a pessoa deveria ter um ano (12 meses) de renda mensal guardada;
- 3: Aos 45 anos, deverá ter 3 anos (36 meses) de renda mensal poupada;
- 6: aos 55 anos, mais um checkpoint: ter guardado 6 anos (72 meses) da renda mensal;
- 9: aos 65 anos, quando se pressupõe começar a usufruir e usar a renda poupada, o profissional deveria ter 9 anos (108 meses) de renda mensal poupada.
Quando começar a poupar?
Não há idade correta para começar a poupar para a aposentadoria, mas os especialistas argumentam que quanto mais cedo, melhor. No caso do 1-3-6-9, por se tratar de uma regra que gera ‘checkpoints’ (pontos de verificação) para diferentes momentos da vida, o método pode ser utilizado por qualquer pessoa, independentemente da idade, para verificar o alinhamento com o método, pontua Martin Iglesias, especialista em investimentos e alocação de ativos do Itaú Unibanco que liderou a equipe que criou o modelo.
“A regra parte do pressuposto de que o ideal é começar a poupar aos 25 anos, reservando 10% da renda, de modo que seja possível traçar a linha do 1-3-6-9 aos 35, 45, 55 e 65 anos”, explica Iglesias.
De acordo com o grupo responsável pela criação da regra, antes dos 25 anos — idade em que geralmente se conclui o ensino superior — é preferível que os jovens direcionem seus recursos para o aumento do capital humano, já que isso permitirá que consigam maior renda no futuro.
A ideia é manter o poder de compra da pessoa aposentada. Para isso, o especialista considera o seguinte cenário: aos 65 anos a pessoa receberá a previdência do INSS, sendo que os gastos na aposentadoria serão menores. O planejamento financeiro internacional, por exemplo, estima uma redução de aproximadamente 25% nos custos nesta fase da vida.
“Nesse momento, despesas relacionadas ao trabalho desaparecem (alimentação, transporte), o patrimônio imobiliário terá sido construído, filhos (se houver), já são independentes e a reserva para aposentadoria, que consumia pelo menos 10% da renda mensal quando a pessoa estava na ativa, está formada. Além disso, mais tempo livre permite escolhas econômicas em compras e viagens. No entanto, há aumento em gastos de saúde”, explica Iglesias.
Neste cenário, para o cálculo, Iglesias diz que se 1/3 das despesas for coberto pelo INSS e a taxa de juros real for de 3,5% ao ano, os recursos do 1-3-6-9 tornam-se “perpétuos”, sem redução real ao longo do tempo, podendo servir, inclusive, como herança. Já se a pessoa não tiver outra fonte de renda (nem INSS), com a mesma taxa, os recursos duram até a expectativa média de vida no Brasil.
“A taxa de juros utilizada no modelo é realista e um tanto conservadora. Hoje, as taxas de juros no Brasil estão bem acima de 3,5% (com títulos do Tesouro pagando taxas na casa de 7,5% ao ano acima da inflação) o que significa maior folga de consumo para aqueles que construíram o 1-3-6-9 e estão usufruindo dos recursos ou uma facilidade maior para aqueles que estão construindo essa reserva”, explica.
E quanto poupar?
Carlos Castro, planejador financeiro pela Planejar, explica que o mecanismo funciona como uma boa referência para que as pessoas criem o hábito da poupança olhando efetivamente quanto ela deveria ter de meta para poder se aposentar.
A matemática funciona da seguinte forma: na faixa etária de 25 a 40 anos, o profissional deve guardar o equivalente à idade que têm menos 15. O valor guardado se traduz como um percentual de aposentadoria.
Exemplo: Se o trabalhador tem 25 anos, o percentual para poupar é de 10% do salário (25 -15); aos 29, é 14% (25-15).
No caso de um profissional que aos 25 anos ganha o salário mínimo (R$1.518), a poupança mensal seria de R$ 151,80 (10%). Em 10 anos (120 meses), aos 35 anos, ele teria o equivalente a um ano de renda mensal: R$ 18.216.
Assim se segue até os 40 anos, quando a regra muda e perde a linearidade.
- Aos 45 anos, deve-se poupar 35% da renda (idade menos 10).
- Aos 50 anos, deve-se guardar 50% da renda. “A partir disso, o esforço se torna inviável”, explica Iglesias.
Veja as simulações do método para os salários de R$1.518,00, R$5 mil e R$10 mil:
Quanto deveria ter poupado na regra aos:
| Salário | 35 anos (1 ano de renda) | 45 anos (3 anos de renda) | 55 anos (6 anos de renda) | 65 anos (9 anos de renda) |
| R$ 1.518 | R$ 18.216 | R$ 54.648 | R$ 109.296 | R$ 163.944 |
| R$ 5 mil | R$ 60 mil | R$ 180 mil | R$ 360 mil | R$ 540 mil |
| R$ 10 mil | R$ 120 mil | R$ 360 mil | R$ 720 mil | R$ 1.08 mi |
Fonte: Valor Investe (16/02/2025)

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