sexta-feira, 18 de julho de 2025

Sucessão Patrimonial: Estreia no Brasil uma ferramenta de IA para planejamento patrimonial

 


Ferramenta "conversa" com o cliente, interpreta a sua realidade e cria um plano personalizado

Para um casal com patrimônio de cerca de R$ 2,5 milhões entre aplicações financeiras, imóvel e outros bens, a ferramenta de inteligência artificial identifica como riscos o inventário e seus custos sucessórios, além da falta de diversificação internacional. Expõe que a estimativa de gastos numa sucessão não planejada caso algum deles falte chegaria a R$ 135 mil por cônjuge, o que implicaria, de forma combinada, a diminuição do patrimônio familiar em quase 13%, o equivalente a 179 salários mínimos ou oito anos investidos em educação.

Tal resultado aparece numa simulação feita com o uso do agente Maestro IA, o primeiro especializado em diagnóstico patrimonial e sucessório no Brasil, segundo o advogado Sandro Pereira dos Santos, sócio-diretor da PFSA Law, que lidera a novata de tecnologia. A startup está saindo da fase piloto e vai a mercado a partir desta terça-feira.

Com a iniciativa, o especialista espera "transformar o acesso à gestão patrimonial no país com um hub de 'wealth planning' totalmente digital e aderente à realidade brasileira com uma análise 360 graus". A ferramenta "conversa" com o cliente, interpreta a sua realidade e cria um plano personalizado, traduzindo "o que antes levaria semanas de análise técnica, numa forma acessível e sensível ao momento da família". Na fase de testes, o Maestro fez mais de 500 diagnósticos.

O projeto estreia com acesso direto para o consumidor final ("B2B"), mas Santos imagina que o agente Maestro possa auxiliar o trabalho de profissionais que assessoram indivíduos e famílias, entre eles advogados, contadores, banqueiros, corretores de seguros e planejadores financeiros, podendo funcionar como um 'hub' de serviços para essas comunidades.

"Grandes bancos podem usar o serviço em suas operações em escala na estrutura 'white label' [com a marca deles]", diz. O advogado diz já haver conversas nesse sentido. O plano de negócios também já foi apresentado para fundos de "venture capital", que compram participações em empresas em estágio inicial.

"Há cerca de 500 mil famílias ricas no Brasil, algumas com algo entre R$ 2 milhões a R$ 3 milhões, até indivíduos com R$ 30 milhões, seja o executivo, o herdeiro do agronegócio, pessoas com patrimônio e que não têm acesso ao conhecimento", diz. "A elite da Faria Lima não tem como atender todo mundo, o mercado está desassistido e na mão de gente despreparada ou de influenciadores no Instagram." O objetivo é fazer da tecnologia a primeira porta para quem administra a vida de pessoas abonadas.

A empresa nasceu no ano passado nos Estados Unidos, com um braço no Brasil, e contou com o capital semente de US$ 1 milhão de um family office americano, diz Santos. A ideia surgiu num curso sobre inteligência artificial promovido pela Singularity University, onde o advogado conheceu aqueles que seriam seus futuros sócios no Maestro: Guima Ferreira, Felipe Eiras e Mauricio Cossich. "Peguem meu cérebro e coloquem no algoritmo", foi a provocação do advogado para "aquela meninada" que encontrou no Vale do Silício, lembra o advogado. "A tecnologia 'embedada' vem de 30 anos de experiência."

Santos não vê o Maestro como potencial concorrente de empresas que surgiram com base em ferramentas de planejamento financeiro, a exemplo da Warren Investimentos, que foca na prestação de serviços para a construção de carteiras com a parte líquida do patrimônio. Ele diz que grandes plataformas, bancos e multifamily offices, em geral, estão focados na gestão do dinheiro e que com a sua tecnologia pretende ir além, propondo de fato o diagnóstico para o planejamento patrimonial, entrando em questões como regime de bens, sucessão e tratamento de bens imobiliários ou ativos no exterior. "Há um movimento de transferência de riqueza geracional, o dinheiro está mudando de mãos, a conta não fecha, vai ser a tecnologia que vai suprir as necessidades." Um reflexo disso, diz, é que o novato Nubank já rivaliza em valor de mercado com os bancões tradicionais.

Fonte: Valor (15/07/2025)


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