Tim e Vivo decidiram recomprar o controle de suas subsidiárias desta área
Apontadas como o futuro da infraestrutura para o setor de telecomunicações, as redes neutras não prosperaram como esperado. Hoje, restam apenas duas das quatro empresas que decidiram desbravar esse mercado. Nesta semana, a TIM anunciou a recompra da subsidiária que havia criado para atuar com redes neutras, a I-Systems. Ano passado, a Telefônica Brasil (dona da Vivo) fez o mesmo movimento, incorporando de volta a sua empresa de redes neutras, a Fibrasil.
Com isso, permanecem no mercado apenas a V.tal, maior do ramo, originada a partir da separação de ativos da Oi, e a multinacional American Tower. E nestes dois casos, as redes neutras são apenas uma parte do negócio. A V.tal passou a atuar também com internet fixa e data centers, enquanto a American Tower tem na locação de torres o seu principal negócio.
As empresas de redes neutras surgiram a partir de 2021, com um modelo de negócio baseado na construção e na manutenção de redes de fibra ótica com o objetivo de alugar essa infraestrutura para as operadoras de banda larga, que, por sua vez, vendiam os planos de internet fixa para os consumidores finais. A lógica desse desenho é aliviar o caixa das operadoras ao dispensar os investimentos na construção das redes próprias, o que é custoso e leva tempo. Em muitas regiões, as operadoras também se deparam com cabeamento de outras empresas, o que gera uma sobreposição.
Negócios não atraíram muitos clientes
Na prática, porém, a história foi outra. Muitas operadoras acharam muito caro o valor do aluguel e/ou não sentiram confiança para deixar uma infraestrutura tão importante nas mãos de terceiros. Com isso, as empresas de redes neutras não atraíram muitos clientes corporativos além das próprias teles que deram origem ao negócio.
“As redes neutras tiveram problemas em conquistar usuários além das grandes operadoras, que foram seus ‘clientes âncora’ iniciais, frustrando as projeções de crescimento das companhias e investidores”, afirmou o Líder de Telecomunicações da Alvarez & Marsal, Renato Paschoarelli. “Além disso, o mercado de banda larga é muito fragmentado, com mais de 22 mil operadores. Vários deles continuam a construir e usar as redes próprias, com receio de usar uma rede independente de alguma maneira vinculada a um potencial concorrente”, acrescentou.
Sem o crescimento esperado da base de usuários, a viabilidade econômica do modelo de rede neutra foi colocada em xeque. “O modelo neutro que queríamos implementar teve vários desafios”, comentou o presidente da TIM, Alberto Griselli, ao explicar a retomada do negócio. Agora, a TIM voltará a ter o controle total da operação de banda larga, o que vai ajudar com ganhos de sinergias, além de abrir novas oportunidades para o negócio, segundo ele.
A TIM pagou R$ 950 milhões por 51% da I-Systems. Como já era dona de 49%, agora passa a deter 100%. Em 2021, ela havia vendido essa participação de 51% para a IHS (multinacional de infraestrutura em telecomunicações) por R$ 1,1 bilhão (mais compromissos de investimentos). Nos anos seguintes, as dificuldades ficaram claras. A I-Systems deu prejuízos de R$ 167 milhões em 2024 e de R$ 184 milhões em 2023.
Já a Telefônica pagou R$ 858 milhões por 50% da empresa de fibras óticas Fibrasil. Essa fatia estava nas mãos do fundo de pensão canadense CPDQ (não confundir com CPQD). Com isso, a Telefônica ficou com 75,01% do capital, enquanto outra empresa do conglomerado, a Telefónica Infra, manteve seus 24,99%. A recompra também aconteceu porque a estratégia de atuar como uma empresa de redes neutras não deu certo, tendo a Vivo como única cliente relevante. “Passados quatro anos, a Fibrasil tem dependência da ocupação da rede pela Vivo. A abertura para outros clientes não aconteceu da forma esperada”, comentou o presidente da companhia, Christian Gebara, em entrevista ano passado, após a retomada do controle do ativo.
Fonte: Estadão (16/02/2026)
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