terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Comportamento: 11 sinais do cérebro que nunca devem ser ignorados para detectar a tempo doenças graves, segundo neurologistas

 


Sintomas graves são confundidos muitas vezes com desconfortos passageiros ou problemas relacionados à idade, o que acaba atrasando diagnósticos importantes

As doenças neurológicas abrangem um espectro amplo e complexo. Os neurologistas tratam desde AVCs e distúrbios convulsivos até doenças neurodegenerativas, problemas de movimento, distúrbios musculares, dores de cabeça e distúrbios do sono.

Essa diversidade significa que muitos sintomas são confundidos com desconfortos passageiros ou problemas relacionados à idade, o que atrasa diagnósticos importantes.

“Se houver algum nervo afetado, um neurologista pode intervir. E existem nervos por todo o corpo. Muitas coisas podem dar errado no sistema nervoso, e pode ser necessário bastante trabalho de investigação para descobrir o problema", afirma Andrew Dorsch, chefe da divisão de neurologia geral do Rush University Health System.

Com base em sua experiência clínica, quatro neurologistas identificaram 11 sinais que nunca devem ser ignorados. São eles:

1. Visão dupla em um dos olhos

A visão dupla unilateral é um sintoma que muitas pessoas tendem a ignorar. No entanto, pode estar associada à esclerose múltipla, acidente vascular cerebral (AVC), aneurismas, miastenia grave, tumores cerebrais ou infecções cerebrais, explica Luis Cruz-Saavedra, neurologista do Memorial Hermann Health System.

Quando isso acontece, a resposta deve ser imediata. "Se você desenvolver visão dupla repentina, é uma emergência imediata", diz Cruz-Saavedra.

Nesses casos, os médicos avaliam os sinais vitais, procuram sinais de AVC, realizam exames neurológicos e oftalmológicos e, se necessário, solicitam tomografias computadorizadas ou ressonâncias magnéticas.

2. Fraqueza em uma das mãos ou em uma das pernas

Arrastar uma perna, mancar ou ter dificuldade para segurar objetos com a mão dominante são sinais que requerem atenção médica. Cruz-Saavedra destaca que muitos pacientes normalizam esse sintoma por meses.

“Na minha prática, tenho ficado impressionado com a quantidade de pessoas que ignoram a fraqueza em uma mão ou perna. As pessoas procuram atendimento meses depois do início dos sintomas, mas a fraqueza é algo que não se pode ignorar", diz.

Embora alguns possam pensar que é “apenas um nervo comprimido”, pode ser devido a um AVC, um tumor, esclerose múltipla ou outra inflamação cerebral. A avaliação neurológica inclui testes de força, reflexos, coordenação e marcha.

3. Falta temporária de resposta

Ter um lapso de memória de alguns segundos e depois retomar as atividades sem se lembrar do que aconteceu pode estar relacionado a crises epilépticas do lobo temporal. Essas crises afetam áreas do cérebro ligadas à memória e às emoções.

“Às vezes, os familiares descrevem isso porque o paciente não tem consciência do que está acontecendo. Eles dizem: ‘estava conversando com ele e ele ficou olhando fixamente para o nada, e depois de 10 ou 15 segundos, voltou ao normal’”, explica Cruz-Saavedra.

Outros pacientes relatam: “Ei, às vezes eu perco a noção do tempo. É quase como se eu tivesse perdido um pedacinho do meu dia”.

4. Problemas de fala

O AVC (acidente vascular cerebral) é uma das principais causas de morte, mas seus sintomas nem sempre são reconhecidos a tempo. Enrique Leira, diretor da divisão de doenças cerebrovasculares da Universidade de Iowa, alerta que muitas pessoas demoram a procurar atendimento médico.

“Constantemente ouço relatos de pessoas com sintomas de AVC, cuja reação é: ‘bem, vou tirar um cochilo para ver se os sintomas desaparecem’”, diz Leira.

Dificuldade para articular palavras, falar devagar, não encontrar as palavras certas ou não entender o que os outros dizem podem indicar uma lesão cerebral aguda e exigem atenção médica urgente.

5. Dor de cabeça repentina durante esforço físico

Embora existam muitas causas para dores de cabeça, algumas são potencialmente graves. Leira destaca que uma dor de cabeça "excepcionalmente forte e repentina, que não se intensifica ao longo de minutos ou horas", pode estar relacionada a um AVC (acidente vascular cerebral).

"E se ocorrer durante esforço físico, é motivo suficiente para preocupação e necessidade de atendimento médico imediato", avisa.

6. Pés e dedos dormentes

A dormência, especialmente nos pés ou dedos, geralmente indica que os nervos não estão transmitindo informações corretamente.

"Normalmente significa que os nervos não estão enviando informações para o cérebro como deveriam. O nervo está adormecido. Está dormente ou, infelizmente, em alguns casos, inativo", diz Dorsch.

Ao contrário do formigamento, que sugere irritação nervosa, a dormência requer uma avaliação completa. As causas podem variar desde diabetes a condições genéticas ou doenças autoimunes.

7. Sensação recorrente de déjà vu

Ter déjà vu ocasionalmente é comum, mas quando ocorre com frequência, pode ser um sinal de crises epilépticas no lobo temporal.

"Mas se você tem episódios regulares de déjà vu, provavelmente deve consultar um médico para um exame", diz Dorsch.

Ele relata o caso de um paciente com episódios semanais, uma frequência incomum para esse fenômeno.

8. Dificuldade em levantar-se de uma cadeira regularmente

Embora o envelhecimento possa causar rigidez ou lentidão, ter dificuldades frequentes para se levantar justifica uma consulta médica.

“Claro, pode haver alguns problemas nas articulações, mas queremos mesmo verificar e garantir que não haja nenhum problema com os músculos, nervos ou medula espinhal”, diz Dorsch.

Possíveis causas incluem doença de Parkinson e esclerose lateral amiotrófica (ELA). “É algo que eu gostaria que um membro da família fosse examinado", conclui.

9. Alterações na voz

Os neurologistas observam diferentes tipos de alterações vocais. Alexandru Olaru, do Centro Médico St. Joseph da Universidade de Maryland, explica que a fala hipofônica (uma voz anormalmente suave ou sussurrada) pode indicar a doença de Parkinson. A fala arrastada, por outro lado, pode ser um sinal de acidente vascular cerebral (AVC).

Outra alteração significativa é a disartria úmida, quando a voz soa gorgolejante.

"As pessoas perdem massa muscular na parte posterior da garganta e a capacidade de controlar a saliva. Isso leva ao acúmulo de saliva e a uma sensação de como se tivesse com água na boca", explica Olaru.

As causas incluem doença de Parkinson, ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e esclerose múltipla.

10. Espasmos musculares persistentes

Contrações musculares ocasionais são comuns, mas quando ocorrem consistentemente no mesmo local, devem ser avaliadas. Olaru explica que as fasciculações podem ser vistas como músculos "ondulando sob a pele" ou sentidas ao toque.

Embora possam ser indicativos de síndrome fascicular benigna, também podem estar associados à estenose espinhal, ELA (esclerose lateral amiotrófica) ou polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica. Nesses casos, a eletromiografia geralmente é indicada para identificar a causa.

11. Paranoia e mudanças abruptas de personalidade

Mudanças repentinas de comportamento podem estar relacionadas à encefalite autoimune, demência frontotemporal ou outros distúrbios cognitivos. Cruz-Saavedra descreve o início de paranoia recente como "sentir-se perseguido, que alguém está conspirando contra você ou que seu ente querido está sendo infiel, quando simplesmente não faz sentido".

O texto também alerta para mudanças de personalidade opostas. "Às vezes, as pessoas até se tornam hipersexuais e fazem comentários ou piadas inapropriadas", explica. Em outros casos, pessoas antes extrovertidas tornam-se retraídas. A demência também pode se manifestar por meio de comportamentos obsessivos ou acumulação compulsiva incomum.

Fonte: El Tiempo e O Globo (22/01/2026)

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