quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Planos de Saúde: Reajustes dos planos de saúde expulsam aposentados da cobertura privada, que vão parar no SUS

 


Relatos de beneficiários do INSS se repetem em Procons e entidades de defesa do idoso

Ao completar 59 ou 60 anos, a mensalidade sofre aumentos expressivos, que podem chegar a mais de 100% em poucos anos.

O plano de saúde é sinônimo de segurança para milhões de trabalhadores brasileiros. Mas, ao chegar à aposentadoria, esse direito tem se transformado em um peso difícil de sustentar. Reajustes elevados, especialmente associados à idade, vêm expulsando aposentados da cobertura privada e empurrando idosos para o Sistema Único de Saúde (SUS), muitas vezes após uma vida inteira de contribuições.

Diante desta realidade, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos – Sindnapi oferece um plano com valores acessíveis aos seus associados. Além disso, tem se envolvido no tema ao destacar a importância de planos de saúde mais em conta e de políticas que protejam idosos e aposentados. “O Sindnapi oferece benefícios e parcerias em saúde a preços mais baixos para associados”, destaca Luiz Alberto Catanoso, médico, diretor de Saúde da entidade e que integra o Conselho Nacional de Saúde – CSN.

Em redes sociais e comunicados, o sindicato também reforça pautas relacionadas a políticas de renda e assistência para aposentados, ressaltando a necessidade de defesa frente ao aumento de custos de serviços essenciais como os planos de saúde.

Relatos de beneficiários do INSS se repetem em Procons e entidades de defesa do idoso: ao completar 59 ou 60 anos, a mensalidade sofre aumentos expressivos, que podem chegar a mais de 100% em poucos anos. “Com renda fixa e geralmente menor após a aposentadoria, muitos se veem diante de uma escolha dramática: pagar o plano ou arcar com despesas básicas como alimentação e moradia. E a opção é óbvia”, analisa Catanoso.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os reajustes variam conforme o tipo de contrato. Nos planos individuais e familiares, há um teto anual definido pela agência. Já nos planos coletivos — onde está a maioria dos aposentados, especialmente ex-funcionários de empresas — não existe limite pré-estabelecido. Os aumentos são negociados diretamente entre operadoras e administradoras, o que abre espaço para reajustes elevados e pouco transparentes.

É justamente nos planos coletivos que se concentra o maior número de reclamações. Dados de Procons estaduais indicam crescimento consistente das queixas relacionadas a reajustes considerados abusivos, sobretudo entre idosos. “Na prática, os aumentos funcionam como um mecanismo de exclusão: quanto mais velho o beneficiário, maior o custo, até que permanecer no plano se torne inviável”, afirma o diretor do Sindnapi.

Do ponto de vista legal, a questão é alvo de intensa disputa. O Estatuto do Idoso proíbe a discriminação por idade, inclusive por meio de reajustes excessivos após os 60 anos. Ainda assim, operadoras sustentam que os aumentos refletem o maior uso dos serviços de saúde nessa faixa etária. A controvérsia tem sido levada aos tribunais em milhares de ações individuais e coletivas.

Nos últimos anos, decisões judiciais têm reconhecido, em diversos casos, que os reajustes aplicados sem base atuarial clara ou de forma desproporcional, são abusivos. Catanoso lembra que o impacto vai além do consumidor individual. “Ao abandonar o plano privado, o idoso passa a depender exclusivamente do SUS, aumentando a pressão sobre um sistema que já enfrenta limitações de recursos. Aí se torna um problema social e de saúde pública.”

A sede nacional do Sindnapi fica na rua do Carmo, 171, no centro de São Paulo (fones 11-3293-7500, 11-3531-4600+55 ou 11-92007-9443 Whatsapp). Nos demais estados os interessados podem procurar os contatos das subsedes no site www.sindicatodosaposentados.org.br.

Fonte: Revista Forum (26/01/2026)

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