O recuo dos carros elétricos
O que Honda, Ford e GM têm em comum? As três gigantes automotivas recuaram na transição para carros elétricos.
Ontem, a Honda informou que terá seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos. A empresa japonesa cancelou a produção de três modelos de veículos elétricos, o que terá um impacto de US$ 15,7 bilhões (R$ 81 bilhões).
O CEO da montadora, Toshihiro Mibe, afirmou que a demanda caiu drasticamente, tornando "muito difícil" sustentar a lucratividade. Ele e o vice-presidente abrirão mão do equivalente a 30% de seus salários por três meses.
A história se repete. No ano passado, a Ford afirmou que espera ter um impacto de US$ 19,5 bilhões nos próximos dois anos após abandonar planos de fabricar esses veículos de grande porte.
Em janeiro, a GM anunciou que vai desfazer alguns incentivos em carros desse modelo, o que deve gerar uma perda de US$ 6 bi.
O que aconteceu? Países com os maiores mercados de automóveis elétricos do mundo alteraram suas políticas e financiamentos para o setor, o que afetou tanto as companhias quanto os compradores.
Na China, analistas projetam uma leve desaceleração no crescimento das vendas, que pode ser explicada por uma diminuição dos incentivos do governo a essa indústria.
Nos Estados Unidos, a gestão Trump cancelou os subsídios para esses carros, o que fez as vendas no país despencaram. A projeção para esse ano é que a comercialização dos automóveis de passeio recue 15%, segundo a BloombergNEF.
E o Brasil? O segmento de carros puramente elétricos segue crescendo, e o mercado mostra preferência por modelos híbridos.
O que impulsiona o setor são os preços.
- Modelos como BYD Dolphin Mini, Renault Kwid E-Tech e Geely EX2, que custam entre R$ 100 mil e R$ 120 mil, tem boa aceitação.
- Os valores são próximos, ou até inferiores, aos cobrados por automóveis compactos convencionais.
Em fevereiro deste ano, o modelo da BYD foi o mais vendido no varejo (por meio de intermediários, como concessionárias) do Brasil. Foi a primeira vez que um modelo 100% elétrico liderou as vendas desse segmento.
Fonte: Folha de SP (13/03/2026)
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