quinta-feira, 12 de março de 2026

IA: Plano governamental de R$ 23 bilhões aposta em IA, soberania digital do país e no CPQD como executor



Em entrevista, a ministra Luciana Santos detalha plano de IA com supercomputadores e nuvem soberana para fortalecer a autonomia tecnológica do país

“O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial é uma marca do nosso período. Trata-se de uma tecnologia disruptiva e estamos fazendo algo muito ousado”, afirmou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministra desta quarta-feira (11). Segundo ela, o governo federal prepara um investimento de R$ 23 bilhões em inteligência artificial (IA) como parte de uma estratégia para posicionar o Brasil na corrida tecnológica global e reduzir a dependência do país em relação às grandes potências digitais.

A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e prevê a criação de infraestrutura nacional de supercomputação, sistemas de dados e plataformas digitais capazes de sustentar o avanço da tecnologia no país. A proposta é fortalecer a autonomia tecnológica brasileira em um cenário internacional marcado pela disputa entre Estados Unidos, China e União Europeia pelo domínio das tecnologias de ponta.

De acordo com a ministra, o volume de recursos mobilizado pelo governo brasileiro coloca o país entre os maiores investidores públicos em inteligência artificial. “Estamos prevendo um investimento de R$ 23 bilhões em inteligência artificial, um montante comparável aos investimentos públicos realizados pela Comunidade Europeia”, destacou.

Para o governo, o plano também se conecta à estratégia de reindustrialização e inovação tecnológica do país, buscando aproximar universidades, centros de pesquisa e empresas do desenvolvimento de soluções digitais.

Inteligência artificial para serviços públicos

Entre as iniciativas já em andamento está o projeto Inspire, desenvolvido em parceria com o CPQD e financiado com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). “Investimos R$ 390 milhões do FNDCT para desenvolver o projeto Inspire. É o maior volume de recursos que já destinamos ao CPQD”, explicou.

A proposta do projeto é utilizar inteligência artificial para integrar bases de dados de diferentes políticas públicas e melhorar a capacidade de resposta do Estado. “A ideia é oferecer um governo para cada cidadão, conectando os programas públicos diretamente às necessidades das pessoas”, afirmou a ministra.

Na prática, a tecnologia permitirá que o próprio sistema identifique demandas da população e dispare alertas automáticos. “É proativo, não é ele ir atrás do programa. É a gente provocar através de zap, através do próprio celular, a informação pro cidadão às vezes dizer o seguinte pra ele, ‘olha, sua criança tá com a vacina atrasada, vá lá no posto de saúde e vá vacinar'”, explicou.

A expectativa é que ferramentas desse tipo tornem o atendimento público mais ágil, reduzam burocracias e ampliem a eficiência das políticas sociais.

Supercomputadores e nuvem soberana

Outra frente estratégica envolve a construção de infraestrutura nacional para processamento e armazenamento de grandes volumes de dados, fundamentais para o desenvolvimento da inteligência artificial. “Vamos lançar editais para dois supercomputadores que vão colocar o Brasil em condições de treinar sistemas avançados de inteligência artificial”, afirmou Luciana.

Além disso, o plano prevê a criação de uma nuvem soberana brasileira, voltada à proteção e ao armazenamento de dados estratégicos. “Estamos estruturando uma nuvem soberana para armazenar dados estratégicos do Brasil — da ciência, da inteligência e de áreas sensíveis do Estado — garantindo que essas informações estejam sob controle nacional”, disse.

A proposta busca reduzir a dependência de grandes plataformas tecnológicas estrangeiras e fortalecer a capacidade do país de proteger e gerir seus próprios dados.

Estratégia para o futuro digital do país

Para o governo federal, o investimento em inteligência artificial representa um passo estratégico para inserir o Brasil na disputa internacional por tecnologia e inovação, área considerada central para o desenvolvimento econômico nas próximas décadas.

Além de modernizar serviços públicos, a expectativa é que o plano estimule a formação de pesquisadores, fortaleça a indústria de base tecnológica e amplie a capacidade nacional de produzir soluções digitais em áreas como saúde, agricultura, indústria e defesa.

Segundo Luciana Santos, os projetos já estão em andamento e devem ampliar significativamente a presença do Brasil no cenário tecnológico internacional. “Essas iniciativas já estão em curso e estamos confiantes de que o Brasil dará o salto tecnológico que merece”, afirmou.

Assista a íntegra do programa abaixo.


Fonte: Vermelho (11/03/2026)

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