Em sua proposta a secretário-geral adjunto da UIT, Carlos Baigorri, atualmente presidente da Anatel, ressalta necessidade de equilibrar a representatividade no organismo multilateral, inclusive linguística, ampliar a transparência e o diálogo entre os Estados-membros.
As eleições para o corpo diretivo da União Internacional de Telecomunicações (ITU in english) se aproximam, e com isso, a expectativa em torno da possibilidade de eleição de Carlos Baigorri, atual presidente da Anatel, ao cargo de secretário-geral adjunto do organismo multilateral vinculado à ONU, com mandato de 2027 até 2030.
Baigorri figura como único candidato ao posto no site da UIT. Doreen Bogdan-Martin aparece como única indicação para secretária-geral, o que renovará seu mandato. A escolha do brasileiro para a vice-liderança é estratégica para o Brasil.
Mas ele também defende iniciativas a fim de reforço da própria UIT como organização. Em sua proposta, apresentada ainda em 2025, quando oficializou sua candidatura, Baigorri sustenta que o próximo período será decisivo para a organização, em meio a mudanças tecnológicas aceleradas, pressão sobre recursos essenciais à conectividade e aumento das expectativas da membresia da entidade.
A proposta coloca a modernização da governança no foco da candidatura. Para ter sucesso nesse novo ciclo, a UIT deve combinar “excelência técnica com uma governança moderna”, mantendo “responsáveis de políticas públicas, reguladores, indústria, academia e a sociedade” no centro das decisões administrativas e de gestão, afirma o executivo. “Como candidato a secretário-geral adjunto, proponho uma visão pragmática da administração: uma visão que fortaleça a instituição por dentro, promova a confiança por meio da transparência e da previsibilidade e equipe a União para seguir sendo a referência mundial da cooperação internacional em TICs”, diz.
Cinco eixos para a gestão
A candidatura está organizada em cinco pontos. O primeiro trata da composição do quadro de pessoal da UIT. A distribuição geográfica atual segue desigual e que isso enfraquece a legitimidade da organização e sua capacidade de refletir a perspectiva da membresia global. A proposta prevê a implementação efetiva da Resolução 48 da Conferência de Plenipotenciários, com desenvolvimento de metodologia para definir representação equitativa, planos de diversidade geográfica e metas de contratação para regiões sub-representadas.
O segundo eixo trata da alocação de recursos. Baigorri afirma que os membros vêm manifestando preocupação com a clareza e a previsibilidade do processo de distribuição, sobretudo diante das limitações financeiras da entidade. Nesse ponto, ele propõe reduzir decisões discricionárias e adotar fórmulas baseadas em regras e em marcos de priorização aprovados pela membresia. O documento cita como exemplo a criação de um sistema de Critérios Transparentes de Distribuição de Recursos (TRAC).
O terceiro eixo aprofunda a agenda de transparência financeira. Sua proposta defende mecanismos aprimorados de reporte, divulgação completa de dados, avaliação de impacto das decisões e ferramentas modernas para acompanhamento público da execução orçamentária em tempo real ou quase em tempo real. Esses instrumentos podem fortalecer a supervisão e ampliar a confiança na gestão financeira da União. Ao longo de seu mandato na Anatel, a transparência tem sido chave, com criação de painéis interativos de dados abertos que vão da competição do mercado a multas e acompanhamento de obrigações.
Participação e preservação do caráter técnico
O quarto ponto da candidatura trata da ampliação da participação da membresia. A Constituição da UIT define a entidade como uma plataforma de cooperação entre Estados-membros, indústria e academia, e que esse modelo continua central no ecossistema digital atual. A proposta cita o uso de plataformas existentes, como o Partner2Connect, e sugere novas consultas nacionais, relatórios específicos e alianças temáticas. Também prevê atenção especial a países com menor participação histórica, além de iniciativas para assegurar valor tangível à indústria e à academia nos resultados da UIT.
No quinto eixo, Baigorri propõe defender a missão constitucional da UIT em um ambiente internacional mais complexo. “É fundamental manter o foco na preservação do caráter técnico e não discriminatório do trabalho da União, garantir o acesso equitativo a seus serviços e resultados e manter a organização como um fórum confiável para o diálogo e a cooperação entre todos os membros”. No mesmo trecho, a candidatura sustenta que temas como IA, computação quântica, conectividade espacial, proteção da infância online, cibersegurança e resiliência de infraestruturas digitais devem ser integrados de forma adequada ao mandato da entidade.
Baigorri afirma que a função de secretário-geral adjunto está ancorada no marco constitucional e normativo da UIT e deve se concentrar em apoiar o secretário-geral, garantir coerência interna na Secretaria e facilitar a implementação efetiva das decisões dos membros. Ele ainda menciona reforço da coordenação intersetorial, diálogo permanente com organizações regionais e uso mais equitativo dos idiomas oficiais da ONU, além da ampliação de idiomas nacionais e locais em atividades e reuniões.
A eleição da nova direção da entidade ocorrerá na Conferência de Plenipotenciários de 2026, prevista para ser realizada em Doha, no Qatar, de 9 a 27 de novembro.
Fonte: Tele.Síntese (27/03/2026)
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