Organizar as finanças para o caso de óbito é assunto em 70% dos das famílias, mas apenas 16% das pessoas dizem ter tomado providências para evitar a perda de renda e patrimônio para quem fica.
Pensar nas consequências da própria morte para os familiares não é um tema distante para a maioria dos brasileiros, mas só uma minoria toma providências para minimizar esse impacto financeiro. É o que mostra uma pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, realizada com cerca de 500 entrevistados representativos da população brasileira.
Os dados revelam que cerca de 67% dos brasileiros afirmam pensar nas consequências da morte, seja “de vez em quando” (47%) ou “com frequência” (20%). E 70% já conversaram ou pensaram em conversar com a família sobre organização financeira para esta situação. Mas providências, de fato, só uma minoria toma. Entre os que responderam já ter pensado no assunto, 16% responderam que "deixaram tudo pronto". Apenas 12% dizem ter seguro de vida, enquanto 43% afirmam já ter conversado com a família sobre o tema sem, porém, organizar nada.
Ao mesmo tempo, 22% já viveram perdas que se tornaram mais difíceis pela falta de planejamento. O problema é de quem fica: somar ao luto da perda a fragilidade patrimonial e financeira. Por vezes, forçando membros da família a vender patrimônio a preços descontados pela pressa, ou ter que morar às custas dos demais familiares, quando essas opções sequer existem.
"As pessoas pensam, se sentem incomodadas, principalmente quando veem acontecendo com alguém próximo. Mas falta essa transição para atitude. Para a ação vir, você tem que ter uma repriorização dos seus gastos”, afirma Luciana Bastos, diretora da Icatu Seguros. A despesa com um jantar fora por mês, por exemplo, é suficiente para acessar produtos de previdência e seguro de vida. Mas, para muita gente, parece mais confortável pensar que isso nunca vai acontecer, diz Bastos. Para a família, não é nada fácil lidar com as consequências deste pensamento.
A diretora atribui esse comportamento a uma crença de que os preços são muito elevados, ou de que não é possível confiar nas empresas em um tema tão sensível. Ela afirma que há opções tão baratas quanto R$ 10. “O importante é começar. Eu não acredito em um planejamento financeiro que comece sofisticado para uma pessoa de 21 anos”, diz.
Ao contrário do que poderia se imaginar, os jovens estão mais preocupados com a finintude da vida do que os mais velhos. A pesquisa mostrou que 24% dos Millenials já pensaram no assunto, assim como 22% da Geração Z. Em contraste estão os Baby Boomers, com 7%.
“A geração mais nova tá mais preocupada do que a geração mais velha. Temos visto isso na Icatu, com um grande númeor de pessoas de 18 a 34 anos com seguro de vida individual contratado. É um percentual relevante porque são jovens que ou estão ingressando ou estão há não tanto tempo no mercado de trabalho, e já estão preocupados em ter a primeira proteção”, diz a diretora. Ao contrário, entre os mais velhos parece haver um estado de negação em relação à morte, o que dificulta o planejamento patrimonial.
Mas não é só sobre o falecimento, afirma Luciana. Vários seguros de vida cobrem também acidentes e oferecem segurança, sobretudo para trabalhadores fora de contratos formais do tipo CLT. Nesses casos, um acidente leve pode interromper a capacidade de geração de renda, ao mesmo tempo em que eleva os gastos. Sem nenhuma proteção, um episódio pontual pode criar uma dor de cabeça longa, com endividamento.
“O seguro é uma alavancagem patrimonial. Se acontece alguma coisa com você, e não estou falando só de morte, não, mas também um diagnóstico de doença grave, uma invalidez por doença ou por acidente, você tem essa segurança”, diz Bastos.
Fonte: Valor Investe (12/03/2026)
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